
07 jan Warner Bros rejeita nova investida de compra da Paramount por US$ 108 bilhões
A disputa bilionária pelo controle da Warner Bros. Discovery (WBD) ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (7). O conselho da empresa voltou a recomendar, de forma unânime, que seus acionistas rejeitem a nova oferta hostil de compra feita pela Paramount Skydance, avaliada em cerca de US$ 108 bilhões.
Para a WBD, a proposta continua sendo considerada “inadequada” e arriscada, mesmo após ajustes apresentados pela rival. A investida da Paramount, controlada pela família Ellison, tenta desbancar o acordo já firmado entre a Warner e a Netflix, que prevê a venda de seus estúdios de cinema, da HBO e do streaming HBO Max por aproximadamente US$ 72 bilhões.
Desde o anúncio desse acordo, o mercado acompanha uma verdadeira guerra corporativa, com trocas públicas de críticas, cartas a investidores e movimentações financeiras de peso. No centro dessa disputa está uma pergunta-chave: qual proposta oferece mais segurança e valor no longo prazo? Para a liderança da Warner Bros. Discovery, a resposta segue clara — e não envolve a Paramount.
Conselho da Warner reforça rejeição à oferta da Paramount
Em carta enviada aos acionistas, o conselho da WBD afirmou que a proposta revisada da Paramount ainda não resolve problemas considerados centrais. Segundo a empresa, o valor oferecido é inferior ao potencial do negócio, além de envolver incertezas relevantes quanto à capacidade de conclusão da transação.
O conselho também destacou que a oferta representa o que chamou de “o maior leveraged buyout da história”, um modelo de aquisição baseado majoritariamente em dívida. Na visão da Warner, essa estrutura transfere riscos significativos para os acionistas, caso o plano não se concretize como esperado.
Garantia de Larry Ellison não convence a Warner
Um dos principais trunfos da Paramount foi a entrada direta de Larry Ellison, cofundador da Oracle e um dos homens mais ricos do mundo, nas negociações. Ellison ofereceu uma garantia pessoal superior a US$ 40 bilhões para sustentar o financiamento da operação, numa tentativa de acalmar dúvidas sobre a solidez do negócio.
Mesmo assim, a Warner afirmou que a garantia não elimina os riscos estruturais da proposta. A empresa avalia que a Paramount, sendo menor que a WBD, precisaria assumir um volume extraordinário de novas dívidas — estimado em mais de US$ 50 bilhões — para viabilizar a aquisição total do grupo, que inclui ativos como CNN, Cartoon Network e Discovery Channel.
Netflix segue como proposta “superior” para a Warner
Enquanto rechaça a oferta da Paramount, a Warner reafirma seu apoio total ao acordo com a Netflix. O presidente do conselho, Samuel Di Piazza, afirmou à CNBC que o negócio com a gigante do streaming oferece um caminho mais claro para a conclusão, além de proteções contratuais relevantes para os acionistas.
Pelo acordo, a Netflix adquiriria os principais ativos de estúdios e streaming da Warner, enquanto os canais de TV a cabo — como a CNN — seriam separados em uma nova empresa, a Discovery Global, que deve ser listada em bolsa.
A Warner acredita que essa divisão preserva valor para os acionistas, algo que, segundo o board, não foi devidamente reconhecido na proposta da Paramount.
Disputa também levanta alertas regulatórios
Tanto o acordo com a Netflix quanto a tentativa de compra pela Paramount devem enfrentar forte escrutínio regulatório nos Estados Unidos e na Europa. Autoridades antitruste já foram acionadas, e parlamentares demonstraram preocupação com o impacto dessas megafusões no mercado de mídia e entretenimento.
Executivos da Netflix, como os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters, afirmaram que a empresa já está em diálogo com o Departamento de Justiça dos EUA e com a Comissão Europeia. Segundo eles, a fusão com a Warner criaria um grupo mais competitivo e com benefícios para consumidores, criadores e para a indústria como um todo.
O que pode acontecer agora?
Com a nova rejeição, a Paramount Skydance tem poucas cartas restantes na mesa. A empresa pode abandonar a disputa, aumentar novamente o valor da oferta ou tentar levar a decisão diretamente aos acionistas da Warner, ignorando a recomendação do conselho.
Por enquanto, a mensagem da Warner Bros. Discovery é direta: a Netflix tem preferência no negócio. Resta agora aguardar para ver como essa história vai se desdobrar nos próximos meses.
E aí, qual a sua opinião sobre o assunto?
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