“WhatsApp offline” faz sucesso durante apagões de internet e censuras de governos

O aplicativo Bitchat, que não depende da internet para funcionar, tem feito sucesso em países que sofreram com desligamentos de internet pelo governo neste mês de janeiro, como Uganda e Irã. O primeiro passou por um conturbado processo eleitoral e o segundo enfrenta protestos contra o regime que resultaram em milhares de mortes.

Criado pelo cofundador do Twitter, Jack Dorsey, o mensageiro offline também foi a alternativa procurada na “Revolta da Geração Z” no Nepal, em setembro do ano passado, levando à renúncia do primeiro ministro. Na ocasião, o app saltou de 3.000 downloads diários para 50.000 no auge dos protestos.

Bitchat nas eleições de Uganda

Na última terça-feira (13), autoridades ugandesas bloquearam o acesso à internet e impuseram restrições aos serviços móveis. As limitações ocorreram dois dias antes das eleições presidenciais, a pedido de Yoweri Musevini, que governa o país desde 1986.

O bloqueio objetivava conter a disseminação de informações falsas, fraude eleitoral e “riscos relacionados”, como informou a Reuters;Principal candidato da oposição, Bob Wine alertou, no final de 2025, que os cortes ocorreriam, convocando a população a baixar o app de mensagens;O Bitchat alcançou o topo do ranking de downloads da Play Store e da App Store no país, nas primeiras semanas de 2026, conforme dados da Apptopia, aumentando em quatro vezes os registros dos dois meses anteriores;Reguladores de telecomunicações alegaram ter uma grande quantidade de engenheiros de software para bloquear o mensageiro durante o apagão, o que acabou não acontecendo.

Bitchat has become the most downloaded app in Uganda amid a government-ordered nationwide internet shutdown. pic.twitter.com/b6EII1sVOY

— calle (@callebtc) January 14, 2026

Em resposta, Dorsey comentou, no X, que o governo não conseguiria impedir o uso do app: “Você não pode parar o Bitchat. Você não pode nos parar”, afirmou. Para evitar o funcionamento da plataforma, as autoridades ugandesas precisariam tomar medidas radicais como o confisco de celulares ou o bloqueio do Bluetooth.

O app foi usado pela oposição para se organizar e acompanhar a votação. No entanto, Musevini acabou reeleito e continua no poder, obtendo cerca de 72% dos votos contra 25% de Wine, que contestou o resultado.

Downloads em alta no Irã

Algo semelhante aconteceu no território iraniano, que passa por uma onda de protestos iniciada em dezembro passado. No país do Oriente Médio, manifestantes miram o líder supremo Ali Khamenei, culpando-o pela crise econômica e o alto custo de vida.

Para evitar a expansão das manifestações, o governo tem feito cortes na internet e também nas linhas telefônicas em várias ocasiões. Os bloqueios dificultam o compartilhamento de informações sobre as ações nas redes sociais e nos sites de notícias.

O Bitchat envia mensagens pelo Bluetooth e não exige a criação de contas, dificultando a identificação dos usuários. (Imagem: Google Play Store/Reprodução)

Dessa forma, os iranianos recorreram ao mensageiro desenvolvido por Dorsey para burlar os bloqueios da internet, se comunicando com pessoas em diferentes regiões. No país, os downloads do serviço triplicaram no último mês, de acordo com levantamento da Apptopia.

Organizações de direitos humanos e especialistas têm reforçado as críticas contra os apagões online em Uganda e no Irã, solicitando às autoridades que interrompam a prática. Em 2024, entidades de defesa de direitos digitais registraram 296 bloqueios em 54 países.

Como funciona o Bitchat?

Alternativa a apps famosos como WhatsApp, Telegram e iMessage, o programa que tem versões para Android e iOS envia mensagens via Bluetooth, dispensando servidores centrais, números de telefone, Wi-Fi e redes de telefonia móvel. Dessa forma, se torna resistente aos desligamentos.

O Bitchat tem alcance médio de 100 m, exigindo que os usuários estejam próximos, mas é possível aproveitar outros celulares conectados para expandir a rede, chegando a até 300 m de distância. Atualizações recentes adicionaram recursos como o envio de fotos e notas de áudio.

Já conhecia o Bitchat? O que pensa sobre o uso da plataforma pelos manifestantes? Interaja com a gente, comentando nas redes sociais do TecMundo.