O que é o Will Bank, fintech que parou de funcionar após liquidação extrajudicial

Na manhã desta quarta-feira (21), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, fintech controlada pelo Banco Master. Ele foi envolvido em uma série de fraudes bilionárias. Com a decisão da entidade, o Will Bank deixa de funcionar como antes e seus serviços estão paralisados.

O banco surgiu do antigo “pag!”, uma emissora de cartões de crédito com grande foco no público nordestino. A ideia por trás dessa reformulação era atender aos usuários desbancarizados, mas que possuíam renda o suficiente para começar negócios de investimentos.

Inicialmente, o foco do banco digital era vender cartões de crédito para os clientes com crédito aprovado, porém, as ambições mudaram com o passar do tempo. A startup começou o lançamento de contas digitais completas com ofertas de investimentos, principalmente em Certificados de Depósitos Automáticos (CDBs) emitidos pela financeira Avista.

Site do Will Bank continua no ar, mas com o ofício publicado pelo Banco Central que explica a liquidação extrajudicial (Imagem: Will Bank)

Já em 2021, a fintech recebeu um investimento milionário generoso de R$ 250 milhões por parte de um grupo de investidores de private equity da XP e da Atmos Capital. Entre 2020 e 2021, a companhia teve algo em torno de 1,6  milhão e 2,5 milhões de clientes, mas o número ao longo dos anos aumentou de maneira considerável.

Banco Master adquiriu Will Bank em 2024

Mesmo com a ideia de focar nas classes C, D e E desde o início das atividades, o Will Bank foi adquirido pelo Banco Master, liderado pelo até então CEO da companhia, em 2024. Com quase 10 milhões de usuários nessa época, o objetivo de Vorcaro, que também fazia parte do private equity da XP, era expandir a oferta do Master para o varejo.

Um dos diferenciais do Will Bank era o caráter sem tarifas ou manutenção para a conta digital e o cartão de crédito, que atraia muitos clientes;Os depósitos e investimentos em CDB eram garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil;O dinheiro guardado na função “Separar Dinheiro” rendia diariamente a taxas superiores à poupança;Dentre as opções o banco permitia deixar o dinheiro rendendo por 3 meses a 230% no CDI, ou por 6 meses a 140%;A sede da fintech abrigava mais de mil funcionários e colaboradores no bairro de Pinheiros, região nobre de São Paulo;Com a liquidação extrajudicial, o Will Bank não pode mais ofertar seus serviços tradicionais aos clientes;O MasterCard, bandeira que aparecia nos cartões da fintech, suspendeu a rede e os usuários agora estão impossibilitados de usar essa forma de pagamento;Seus principais concorrentes eram outras fintechs clássicas, como o Nubank, Inter e PicPay.

Por mais que o Banco Master também tenha passado pela liquidação extrajudicial em novembro de 2025, o Banco Central não via a necessidade de dar o mesmo fim ao banco virtual. Dessa forma, o Will Bank entrou no Regime Especial de Administração Temporária (Raet), mas o BC voltou atrás após entender a situação financeira da empresa.

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