Smartphones Xiaomi mais caros no Brasil? Crise “vai afetar todo mundo”, diz empresa

A Xiaomi lançou novos smartphones no Brasil nesta quarta-feira (21). Dois deles ficaram até R$ 500 mais caros, enquanto a versão mais robusta ficou R$ 200 mais barata. Em um início de 2026 com uma nova crise de componentes, a empresa explicou ao TecMundo as suas decisões estratégicas e como o mercado nacional poderá ser afetado.

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Desde o final de 2025, a indústria de tecnologia vem passando por uma mudança na distribuição de componentes, especialmente em memórias RAM. Os principais fornecedores têm atendido o alto volume gerado por data centers de inteligência artificial (IA), o que tem feito a produção para consumidores ser reduzida, impactando a disponibilidade desses produtos nas lojas. Consequentemente, os preços estão subindo.

O CEO da Xiaomi, Lu Weibing, já disse que os smartphones da empresa ficarão mais caros em 2026;A Samsung, uma das maiores fabricantes do mundo, também poderá repassar alguns custos para o consumidor;Já a Asus pisou no freio: a marca não planeja lançar novos Zenfone ou ROG Phone em 2026.

O mercado brasileiro deverá ser afetado pela crise global de componentes com reajustes de preços em praticamente todas as categorias — smartphones, tablets, notebooks, peças de computador e afins. A estimativa é de que os celulares mais básicos sofram mais com esses reajustes, considerando o maior volume de produção desses modelos.

Em 2025, segundo a Counterpoint, o mercado de smartphones teve um crescimento de 2% globalmente. A Apple passou a ser a líder, com 20% da fatia de mercado, e logo atrás vem a Samsung, com 19%. A Xiaomi figura no terceiro lugar com 13% de participação global.

Smartphones da Xiaomi mais caros no Brasil?

Ao TecMundo, Luciano Barbosa, Head de Operações da DL, distribuidora oficial da Xiaomi no Brasil, comentou o cenário envolvendo a crise. Para ele, o momento é similar ao “começo de pandemia”, tendo em vista as incertezas da indústria. “Vai afetar todo mundo”, resta saber “quando e o quanto”.

Barbosa aponta que o momento é de “muita inteligência de cadeia de suprimento, de relacionamento com fornecedor. Isso é onde vai ter o maior diferencial [dos preços finais para o consumidor]”, considerando que “não é só o aumento, é também a falta [dos componentes]”.

“A gente já vê movimentações que vão refletir para o consumidor a partir do mês que vem, acredito, e vai sofrer menos quem souber fazer bem essa logística de suprimentos. Mas todos vão ser impactados”, explica.

Linha Redmi Note 15 faz parte do primeiro grande lançamento da Xiaomi no Brasil em 2026. (Imagem: Xiaomi/Divulgação)

Em entrevista, o executivo reforçou que a Xiaomi está “tentando ao máximo” manter os preços a níveis atuais, “mas a gente também não consegue garantir. É tudo muito novo ainda”.

Nesta quarta-feira (21), a Xiaomi lançou três novos smartphones no Brasil em uma atualização da linha Redmi Note. Dois ficaram mais caros e um mais barato, em comparação com os modelos do ano passado:

Redmi Note 15 4G (R$ 300 mais caro): R$ 2.799,99, contra R$ 2.499;Redmi Note 15 5G (até R$ 400 mais caro): R$ 3.399,99 (256 GB) e R$ 3.899,99 (512 GB), contra R$ 2.999 e R$ 3.699, respectivamente;Redmi Note 15 Pro (R$ 200 mais barato): 4.499,99, contra R$ 4.699.

Justamente a versão mais cara ficou mais barata, refletindo uma tendência prevista por analistas de mercado. Mas segundo Barbosa, a Xiaomi global diminuiu o valor final do produto, e isso explica o preço R$ 200 mais barato no Brasil.

O que esperar para os próximos meses?

Segundo Barbosa, o que pode ajudar a indústria brasileira são os estoques. “O varejo estocou bem no final do ano — e não só falando de Xiaomi, mas de outras marcas também — e em janeiro está limpando o estoque. E nós fomos a primeira marca a lançar um produto agora [no início de 2026], então a gente chegou na frente”, diz Barbosa.

“Mas sobre os novos lançamentos de outras marcas, eu acredito que já vá refletir isso. Um ou outro [fabricante] talvez não comunique [o reajuste] no lançamento, mas depois de lançar pode dar uma mexida no preço. A gente sabe que isso acontece”, afirma.

Questiono se produtos que já estão em catálogo também podem sofrer aumentos de preço no futuro, mesmo saindo de linha. Para ele, essa é uma possibilidade se os estoques estiverem baixos.

“Contramão do mercado”

Entre os lançamentos da marca, há um smartphone que não é compatível com o 5G. Barbosa diz que o Redmi Note 15 4G “é um produto bastante estratégico”.

“Parece ser na contramão do mercado, e de fato é, mas todo mundo parou” de lançar smartphones com 4G, explica. O executivo destaca que essa versão é mais popular em vendas do que o modelo mais avançado e com 5G. “Enquanto parece ser um erro de estratégia, ele na verdade é um bom acerto nosso”, diz.

Segundo ele, o mercado nacional tem “muita gente procurando um aparelho com boas especificações e que não se importa com o 5G. E pagar R$ 300, R$ 400 ou R$ 500 a menos num modelo só com 4G justifica muito”.

Uma das justificativas é a disponibilidade de redes Wi-Fi em diversos lugares, como em casas, escritórios, espaços públicos e afins. Para um uso mais social, explica Barbosa, o 4G consegue suprir essa necessidade do usuário.