Novo jogo de terror baratinho transforma cada tiro em uma situação de vida ou morte

Nem todo jogo de terror precisa apostar apenas em sustos ou perseguições para gerar tensão. Às vezes, basta transformar uma ação básica, como atirar, em uma decisão extrema. Essa é justamente a ideia central de Crisol: Theater of Idols, novo jogo de ação e terror em primeira pessoa publicado pela Blumhouse Games e desenvolvido pela Vermila Studios.

Recentemente, a equipe por trás do projeto lançou um novo trailer e confirmou a data de lançamento do título, que não está longe. O game chega em 10 de fevereiro de 2026 para PC, PS5 e Xbox Series X|S, com preço inicial a partir de R$ 55.

Além de testar a demo gratuita disponível na Steam, eu tive a chance de jogar o prólogo completo de Crisol durante um evento online organizado pela Blumhouse. E, mesmo chegando com expectativas controladas — afinal, trata-se de um projeto AA, desenvolvido por uma equipe menor —, saí genuinamente surpreso com a identidade, o clima e, principalmente, com a forma como o jogo usa sua principal mecânica para criar tensão constante.

Terror AA com identidade própria

Crisol: Theater of Idols é o jogo de estreia da Vermila Studios, estúdio espanhol conhecido até então por trabalhos de suporte artístico e técnico em outros projetos. Essa origem ajuda a explicar por que, mesmo com escopo reduzido, o jogo chama atenção pela direção de arte e pela ambientação.

A história acompanha Gabriel, um soldado escolhido pelo Deus do Sol, que precisa sobreviver na ilha amaldiçoada de Tormentosa. O local abriga um mal antigo, ligado a cultos, rituais de sacrifício e a uma corrupção prestes a se espalhar por toda a Hispania, uma releitura sombria e alternativa da Espanha do início do século XX.

Desde os primeiros minutos, o jogo deixa claro que narrativa e atmosfera caminham juntas. Ruínas, ruas labirínticas, estruturas religiosas distorcidas e símbolos inspirados no folclore espanhol criam um mundo que é ao mesmo tempo fascinante e profundamente ameaçador.

Gameplay de sobrevivência que lembra Resident Evil e BioShock

No controle, Crisol aposta em um gameplay de sobrevivência em primeira pessoa que me lembrou jogos como Resident Evil e BioShock. A progressão acontece em mapas lineares, mas com alguns cantos e segredos que estimulam a exploração cuidadosa.

Os inimigos que enfrentei durante os testes eram, em sua maioria, estátuas vivas, o que traz um clima bem diferente para o jogo. Os bonecos comuns conseguem usar aparatos, como lanças, e possuem uma movimentação lenta, mas golpes fortes.

Um detalhe interessante é que você não mata eles apenas com um tiro na cabeça: mesmo com o corpo destruído, as pernas continuam se movendo e podem te chutar, exigindo que você pense com cautela em como proceder com vários inimigos.

Além disso, a prévia grátis na Steam também inclui um trecho de jogabilidade com Dolores, um monstro gigante que não pode ser destruído. Assim, a única alternativa é se esconder e fugir, lembrando os perseguidores da franquia Resident Evil, como Lady Dimitrescu e o icônico Mr X.

O sangue é munição

Enquanto muitos jogos apostam no survival horror atualmente, o grande diferencial de Crisol: Theater of Idols está em sua mecânica central: as armas utilizam o próprio sangue de Gabriel como munição. Cada vez que você recarrega ou dispara, perde vida.

Na prática, isso transforma cada confronto em um pequeno dilema. Vale a pena gastar vida agora ou tentar resolver a situação de outra forma? Um tiro errado pode significar não apenas desperdiçar munição, mas colocar sua sobrevivência em risco imediato.

Para se recuperar, Gabriel pode sugar o sangue de criaturas derrotadas, uma ação que rende alguns dos momentos mais perturbadores do jogo. O trabalho sonoro aqui é excelente: gritos abafados, sons viscosos e ecos desconfortáveis reforçam o caráter macabro da mecânica, tornando a recuperação de vida tão inquietante quanto o combate em si.

O sistema também incentiva a exploração minuciosa, já que melhorias, moedas e recursos fazem a diferença para equilibrar risco e recompensa. Durante as fases que testei no preview, todo o level design pareceu bem intuitivo, incluindo também faixas amarelas indicando caminhos importantes, mas sem entregar diretamente alguns tesouros.

Assim como em Resident Evil, você possui um pequeno inventário e pode fazer upgrades em seu equipamento, desde que possua recursos para isso. Ao longo da jornada, é possível aprimorar armas e habilidades, aumentando o dano causado pelo sangue, melhorando a eficiência dos disparos e garantindo bônus que ajudam Gabriel a sobreviver por mais tempo. 

A boa notícia é que o jogo não abraça a onda dos soulslike, trazendo diversas opções de dificuldade e até mesmo auxílio de mira. Com isso, quem quiser uma experiência mais tranquila está bem servido, ao mesmo tempo em que jogadores mais experientes podem configurar um desafio maior. 

 

Vale a pena ficar de olho?

Mesmo sendo um jogo de escopo menor, Crisol: Theater of Idols mostra uma ambição clara em unir terror, ação e narrativa de forma coesa. A ambientação inspirada no folclore espanhol, aliada à mecânica de munição baseada em vida, cria uma identidade própria que foge do lugar-comum do gênero.

Mesmo com limitações esperadas de um projeto de médio escopo, não tive nenhum grande problema com Crisol além de leves engasgos técnicos, algo esperado em um jogo que não está completamente finalizado. 

Se o ritmo e a variedade se mantiverem ao longo da campanha completa, Crisol tem tudo para ser uma grata surpresa no início de 2026, especialmente considerando seu preço acessível e a proposta diferente.  

Trazendo legendas em português, Crisol Theater of Idols será lançado em 10 de fevereiro no PC, PS5 e Xbox Series S e X. O jogo está em pré-venda por valores partindo de R$ 55, com 10% de desconto na Steam por tempo limitado.

E aí, você pretende dar uma chance ao game? Comente nas redes sociais do Voxel e do TecMundo!