
30 jan Cult of the Lamb: Woolhaven eleva a experiência do jogo original
Woolhaven, ou Santa Lã, na mais apropriada tradução possível no português brasileiro, é a nova DLC do consagrado Cult of the Lamb, que já está disponível para todos aqueles que pagam o dízimo para o cordeirinho mais endiabrado dos videogames.
Chegando para os jogadores das plataformas PlayStation, Xbox, Nintendo e PC, Cult of the Lamb: Woolhaven apresenta uma continuidade para a campanha principal do jogo, com novas mecânicas, novas áreas, uma nova arma, novas construções, novos inimigos, novos itens cosméticos e o tão temido inverno.
Lançado em 2022, Cult of the Lamb chamou muita atenção e vendeu milhões de cópias ao redor do mundo, conquistando várias indicações e alguns prêmios importantes. Você pode conferir o review do jogo base aqui no Voxel, pois neste texto só irei tratar da DLC.
Santa Lã, louvado seja o inverno
Santa Lã traz uma história completamente nova que dá continuidade à campanha principal de Cult of the Lamb. A narrativa explica o motivo do nosso cordeirinho “Deus da Morte” ser o último de sua espécie e direciona nosso personagem para uma jornada que irá escancarar a crueldade dos antigos deuses que habitavam aquelas terras.
Nossa aventura começa com a chegada do inverno ao acampamento do nosso culto. Para acessar a DLC é necessário que os jogadores tenham ao menos derrotado os quatro bispos da campanha principal. Ao cumprir esses requisitos, uma estátua de Yngya, a bondosa deusa dos cordeiros, concederá acesso a uma nova área, onde o jogador encontrará uma antiga vila totalmente devastada, com um grande totem de Yngya no centro.
Yngya é uma deusa antiga que foi subjugada pelos bispos em sua ascensão ao poder. Os quatro massacraram seu culto, perseguindo e eliminando seus seguidores, os cordeiros, para que a profecia da campanha original não se concretizasse. Ela tentou proteger seus súditos, mas como era uma deusa bondosa, não estava preparada para a fúria dos bispos. Agora ela está de volta e pede a ajuda do nosso cordeirinho para reunir as almas de seus antigos seguidores e com isso retomar seu poder para que possa restabelecer sua divindade.
Mas Yngya não é o único ser superior nesse jogo de poder. Durante nossa jornada para Yngya encontramos uma matilha de lobos que serve a Marchosias, um grande e feroz lobo que acolheu todos aqueles que foram castigados e escravizados pelos bispos, dando a eles um novo sentido para sua vida, prometendo liberdade e uma boa vida nas montanhas nevadas.
Mais uma vez o cordeiro, agora Deus da Morte, tem uma jornada difícil, onde suas decisões impactam seus seguidores, podem trazer uma antiga divindade a vida – mesmo que ela tenha motivos ambíguos para obter o poder – e encara pela primeira vez almas livres que não estão mais sob o jugo de deuses perversos. Qual será a melhor escolha? Só jogando para saber.
Enfrentando o inverno!
“Winter is coming”! Nada disso! O inverno já está aqui. Bem, pelo menos em Cult of the Lamb. A chegada de Woolhaven traz como principal mecânica a mudança de estação. Nesse caso, o inverno.
Acompanhando a progressão da história, o inverno vai se intensificando cada vez mais. Com o poder de Yngya aumentando, conforme recolhemos almas de cordeiros perdidos, o inverno vai ficando mais impiedoso, indo de um simples frio no primeiro grau de intensidade e culminando na destruição das suas construções e morte através de congelamento de seus seguidores nos últimos graus.
Essa mecânica permeia todo o jogo e é o motivo para que outras dinâmicas sejam estabelecidas, tanto para o contexto narrativo quanto para a jogabilidade. Abaixo eu destaco as novidades e o que mais me agradou em Santa Lã:
Mangual: a nova arma adicionada se tornou uma das minhas preferidas. Com sua extensão pela corrente e dano elevado pelo seu peso, o mangual se torna bem versátil, causando um bom estrago e mantendo o controle de área;Armas lendárias: através de algumas missões secundárias nada complexas é possível fabricar uma das armas lendárias, que são conceitos primordiais de cada uma das armas já apresentadas, mas em sua forma mais potente;Rebatalha: um novo minigame, que assim como o Bugalha, é simples de entender, rápido e divertido de se jogar, onde os jogadore utilizam miniaturas numa batalha com dinâmica que se assemelha ao tradicional Pedra-Papel-Tesoura;Dois novos mapas: “As Profundezas Putrefatas” e a “Cordeirada” são a face interna e externa de uma montanha, respectivamente. A primeira é uma área corrompida e coberta de tripas avermelhadas, que cobrem tanto o cenário quanto os monstros que lá habitam. A segunda, por ser externa, é coberta de neve e gelo, habitada majoritariamente por lobos;Novos inimigos: é claro que os chefes sempre são destaque em Cult of the Lamb, mas dois tipos de inimigos são importantes e bem presentes em Santa Lã, a matilha de lobos e os monstros putrefatos. Os lobos se materializam em uma variedade de tipos, indo do simples ao cavaleiro. Já os seres putrefatos são constituídos de carne amorfa e tão horripilantes como o nome sugere. Um adendo bacana é que os chefes putrefatos derrotados geram seguidores putrefatos, que têm atributos diferentes, como trabalhar sem se cansar;Novas construções: aqui temos dois destaques que acredito serem mais importantes salientar, que é a Fornalha e o Curral. Como os jogadores têm que enfrentar um inverno cada vez mais impiedoso, o uso da Fornalha se faz necessário, pois é ela que mantém os seguidores aquecidos, as construções em pé e a produção de materiais ativa durante as nevascas. O Curral traz uma nova função bem divertida, que é a criação de animais. Agora podemos ter vários bichinhos que irão fornecer pelagem e carne para que possamos fazer trocas e melhorar as refeições dos nossos seguidores.
Novas adições, como colecionáveis, cosméticos, cartas e consumíveis também chegam ao jogo para expandir a experiência do jogador em suas empreitadas para enfrentar o inverno que assola o culto do cordeiro. E tudo isso poderá ser alocado em um novo espaço, quase um “puxadinho”, logo abaixo de onde se localiza nosso acampamento original, para onde o jogador pode expandir as novas construções.
Vale a pena?
Santa Lã é a prova de que Cult of the Lamb ainda tem lenha para queimar, entregando aos seus cultistas novas histórias que fazem sentido para a expansão do universo do deus cordeiro.
Não sei se a Massive Monster (desenvolvedora do jogo) planeja trazer novos conteúdos de COTL no futuro, mas eu jogaria várias e várias vezes se os novos materiais forem tão bons quanto Santa Lã.
Essa DLC demonstra a continuidade que pode ser dada a jogos de menor escopo. Vários jogos indies têm provado que não é necessário ser uma franquia gigante, com mapas imensos e centenas de horas – por vezes vazias – para que seu conteúdo seja memorável. Num momento onde grandes estúdios fecham, milhares são demitidos e a IA se apresenta como uma alternativa para baratear processos a um custo altíssimo de qualidade e criatividade, os jogos independentes como um investimento para grandes e médias publisher talvez seja o caminho mais equilibrado para obter uma combinação de arte mais rentabilidade.
Cult of the Lamb: Woolhaven entrega aos seus jogadores um conteúdo honesto. Mais do que isso: suficiente robusto para elevar em mais um degrau esse jogo que já era gratificante.
Santa Lã é uma DLC que vale a pena ser jogada pela progressão que dá a história e as mecânicas de Culto of the Lamb, mas também deve ser vista como algo a ser almejado, pois consegue ser melhor que a campanha principal, elevando sua mensagem e mais uma vez corrompendo nossas expectativas da maneira menos santificada possível. Exatamente como um “bom” culto deveria fazer.
Cult of the Lamb: Woolhaven está disponível para PlayStation 4/5, Xbox One, Xbox Series S/X, Nintendo Switch e PC. O texto foi possível graças a Devolver Digital que nos cedeu uma cópia da DLC Woolhaven para PC via Steam.