Polícia da França faz buscas no escritório do X, rede social de Musk

A unidade de crimes cibernéticos da Procuradoria de Paris realizou uma operação de busca nos escritórios da rede social X nesta terça-feira (3). O próprio órgão institucional confirmou a atividade por meio de canais digitais.

As investigações presenciais ocorreram com a ajuda da Europol e do departamento especializado em crimes virtuais da polícia francesa. Até o momento, não há detalhes sobre possíveis apreensões ou exatamente que tipo de atividade foi realizada na sede local do X.

Musk foi convocado voluntariamente a prestar depoimentos em Paris em 20 de abril de 2026 junto de Linda Yaccarino, executiva que foi a CEO do X até julho do ano passado. O bilionário até o momento não se manifestou sobre o ocorrido.

“No atual estágio, a conduta da investigação é baseada em uma abordagem construtiva, com o objetivo de garantir que o X cumpra a lei francesa, já que ele opera em território nacional”, afirmou em nota a procuradora de Paris, Laure Beccuau.

As acusações contra o X na França

De acordo com a Procuradoria, a plataforma chefiada por Elon Musk é investigada desde janeiro de 2025 por causa de duas denúncias, uma delas apontando a possível manipulação do algoritmo do X para interferir na política local.Porém, a operação foi encorpada e acelerada depois das atividades criminosas do chatbot de inteligência artificial (IA) Grok, que pertence à mesma empresa de Musk e atua de forma incorporada no X.A ferramenta de IA se envolveu em uma série de escândalos nos últimos meses, incluindo postagens de cunho antissemita (de negação do Holocausto até publicações com apologia ao nazismo) e a capacidade de fazer edições em fotos de qualquer usuário, incluindo remover ou trocar roupas por peças íntimas sem precisar de qualquer tipo de autorização.Os crimes atribuídos ao X incluem cumplicidade na criação e disseminação de imagens de menores com caráter sexual e atentado à representação de pessoas por meio da produção de deepfakes.

O CEO do Telegram, Pavel Durov, criticou as buscas no X em seu perfil. Ele mesmo chegou a ser preso no país europeu e segue investigado também por atividades ilícitas que acontecem na plataforma, somadas com a falta de cooperação do mensageiro com as autoridades locais em investigações.

“A França é o único país do mundo que persegue criminalmente todas as redes sociais que oferecem às pessoas algum grau de liberdade (Telegram, X, TikTok…). Não se enganem: este não é um país livre”, escreveu o executivo.

Musk recentemente incorporou a xAI, dona do X e do Grok, junto da empresa de exploração espacial SpaceX. Entenda aqui como foi essa movimentação.