Anatel corre para bloquear Rumble novamente após site burlar bloqueio no Brasil

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou nesta segunda-feira (9) que trabalha para restabelecer o bloqueio do Rumble no Brasil. A plataforma de vídeos voltou a funcionar no país de maneira irregular, na última semana.

O Rumble foi suspenso no território nacional em fevereiro do ano passado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida se deve ao descumprimento de decisões judiciais relacionadas à circulação de fake news.

Estratégia semelhante à usada pelo X

Em comunicado enviado à AFP, o órgão explicou que o serviço de vídeos popular entre conservadores utilizou a infraestrutura de uma empresa diferente para alterar seus endereços de IP. Dessa forma, o site ficou novamente acessível no Brasil.

Os novos IPs usados pela plataforma para voltar ao ar já foram identificados pela agência;Imediatamente, começaram a ser implantadas as medidas de bloqueio, junto às principais operadoras brasileiras;Conforme o órgão, o sistema terá monitoramento contínuo para garantir que o bloqueio seja restabelecido da maneira adequada;A Anatel não especificou exatamente quando ocorreu a mudança, mas disse que o Rumble deve ser bloqueado novamente nos próximos dias, em todo o país.O Rumble teria usado uma manobra técnica parecida com a do X para burlar o bloqueio no Brasil. (Imagem: ronstick/Getty Images)

Uma estratégia semelhante foi adotada pelo X em 2024 para driblar as sanções impostas pelo STF. Na época, a rede social de Elon Musk teve o bloqueio reativado após ação da Anatel, ficando mais de um mês indisponível, até cumprir as ordens da justiça.

Tais bloqueios foram alvo de críticas do governo dos EUA no ano passado. O presidente Donald Trump chegou a mencionar essas restrições ao justificar o tarifaço imposto ao Brasil, alegando que o país atacava empresas de tecnologia americanas.

Por que o Rumble está suspenso no Brasil?

Segundo a ordem emitida pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, o Rumble deixou de cumprir várias determinações do órgão. Entre elas, há a não suspensão da conta de um usuário brasileiro acusado de espalhar desinformação.

A empresa também não indicou representante legal no Brasil, como solicitado pelo tribunal, gerando uma espécie de “terra sem lei” nos ambientes digitais, como disse Moraes à época. Para voltar ao ar legalmente, a rede precisa cumprir todas as ordens.

Com funcionamento semelhante ao YouTube, a plataforma se diferencia pelas regras de moderação brandas, possibilitando a postagem de vídeos barrados em serviços concorrentes. A empresa afirma valorizar a liberdade de expressão.

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