Review: Mario Tennis Fever conquista um set especial no Switch 2

Há uma verdade incontestável nos videogames: Mario é o mascote mais versátil e onipresente de todos. Afinal, o bigodudo já mostrou que leva jeito como médico e professor, além de ser um atleta de várias competências, demonstrando ser um craque no futebol, no golfe e no tênis, só para citar algumas modalidades. Não há nada que Mario não seja capaz de fazer. 

No tênis, inclusive, Mario teve uma longa trajetória de sucesso, com números dignos de Novak Djokovic, e atua no esporte desde o Virtual Boy, isto é, desde o início dos anos 1990. Sua conquista em Roland Garros, digamos assim, só veio anos depois, com Mario Tennis de Nintendo 64, meu favorito até hoje: um jogo à prova do tempo e benchmark do console à época. 

Mais de 30 anos após o lançamento do primeiro spin-off, Mario Tennis Fever chega ao Nintendo Switch 2 com a missão de provar que o personagem está no auge de sua forma física e consegue se reinventar com novos saques. Mais do que ser um game de esporte casual, Tennis Fever almeja se tornar aquele tipo de jogo que a Nintendo sabe fazer muito bem: o que testa amizades. 

Novos truques na manga, meu Gustavo Kuerten 

Se você não entende bulhufas de tênis, não se preocupe: a modalidade em si é apenas um pretexto para o pau quebrar dentro das quatro linhas. Naturalmente, ainda é necessário aprender as regras básicas e saber como marcar pontos ao arremessar a bola na quadra do adversário sem que ele consiga rebatê-la. 

Também é preciso assimilar o conceito de topspins, slices e lobs, que são técnicas estratégicas do tênis da vida real, mas nada que você não domine depois de algumas sessões de treinamento. Eu diria que Mario Tennis não é exatamente um jogo sobre tênis, e sim uma experiência que usa o esporte como base para criar um híbrido de duelo de raquetes, brawler e party game. 

Para começar, um dos objetivos durante a partida, além de marcar pontos e ganhar sets, é causar dano ao oponente. Você pode usar diferentes equipamentos esportivos, cada qual com um poder específico herdado do universo de Mario, para instaurar o caos na arena, seja reduzindo pontos de vida, seja gerando desafios ambientais que atrapalhem o rival na execução de suas jogadas. 

A raquete Flor de Fogo ateia chamas em posições-chave do campo, enquanto a Tinteira espalha um jato escuro de Blooper por todos os cantos, reduzindo a faixa de visão do jogador. Uma questão a ser observada (e presumo que será corrigida) é que certos tipos de item são consideravelmente mais fortes que outros, o que tende a ser um problema no balanceamento do multiplayer.

As quadras cumprem um papel igualmente importante ao das raquetes e têm capacidade de reverter placares, para o bem ou para o mal. Há cenários em que o terreno faz a bola quicar de maneira imprevisível, desacelerar ou até mesmo impedir que o personagem se mova com precisão, como no piso de gelo. 

Os mais de 30 personagens jogáveis também têm características próprias e são divididos em classes. Donkey Kong, por exemplo, pertence à categoria Potência, então seus arremessos costumam ser firmes e velozes. Yoshi, por outro lado, não tem força suficiente para projetar lances longos, mas sua velocidade alta permite que ele busque a bola onde quer que seja.

Personagens, arenas e pistas são destravados à medida que progredimos, num esquema à la Super Smash Bros. e Mario Kart. Quanto mais você joga, mais Mario Tennis Fever se expande em conteúdo. Apesar de ser um tanto lenta, a progressão nos mantém presos no loop de gameplay e, acima de tudo, incentiva a experimentar todos os modos de jogo. Vai por mim: você vai querer colecionar todos os equipamentos e mascotes, de tão legais e diversificados que são. 

Uma aula prática de tênis 

Confetes à parte, poucos games capturam a satisfação de bater numa bola amarela com tanta gostosura e crocância quanto Mario Tennis. Você sempre estará pronto para uma nova disputa, já que o estímulo sensorial é, sem exagero, fora de série. O feedback do joystick é agradável demais, e é difícil querer parar de jogar. 

Seja com um Pro Controller ou com os Joy-Cons, o controle reage às ações do jogador, com respostas táteis diferentes para cada tipo de saque ou rebatida. Você ainda pode bancar o Roger Federer em um Modo Realista, no qual é possível habilitar os controles de movimento dos Joy-Cons 2 ou dos Joy-Cons tradicionais para dar uma exercitada nos braços, reproduzindo gestos autênticos do tênis. Jogar assim também é uma delícia, mesmo que algumas técnicas não sejam reconhecidas com total exatidão. 

Parte do prazer de jogar Mario Tennis Fever se deve às animações impecáveis da Camelot, desenvolvedora da franquia desde os primórdios. Sem brincadeira: há momentos em que o game se transforma em uma animação jogável, com ambientes vibrantes, personagens expressivos e movimentos tão fluidos que lembram o cuidado da Illumination no filme do bigodudo. É impossível não se deixar envolver pelos detalhes. 

A campanha vai bem, mas não empolga sempre

Antes que você se pergunte: sim, Mario Tennis Fever tem uma campanha e, não, não é bem o que eu esperava – e talvez não seja bem o que você imagina. O modo história, aqui nomeado de Aventura (quem conhece a franquia vai saber), não é da boca para fora: há uma narrativa a ser seguida, que se inicia quando Mario, Luigi e seus amigos partem em uma jornada para encontrar um remédio para a princesa Daisy. 

Os heróis, então, chegam a uma ilha remota e são transformados em versões miniaturizadas de si mesmos. A partir daí, Mario Bebê e sua trupe, incluindo os vilões Wario e Waluigi, são recrutados pela Academia de Tênis Cogumelo, cuja função é prepará-los para a grande aventura que os aguarda pelo mundo. 

Com requintes de RPG, Mario sobe de nível e aumenta seus atributos conforme avança e ganha pontos de experiência. A estrutura engloba conversar com NPCs, concluir extensos tutoriais, confrontar adversários em partidas de tênis e participar de minigames únicos e cativantes – que, a meu ver, são a melhor parte de tudo. 

Minha ressalva em relação à campanha é o seu ritmo moroso no início. As explicações dos macetes de tênis são excessivamente longas e parecem não confiar na capacidade do jogador de absorver o que foi aprendido: a lição precisa sempre ser reforçada duas ou três vezes, às vezes até mais. Em muitos momentos, isso se mostrou frustrante e me desencorajou a permanecer no modo por várias horas seguidas. 

 

Entre idas e vindas de muitos diálogos com Toads, ao menos somos agraciados com minigames que parecem ter saído de um Mario Party de tão divertidos. Em um deles, conduzimos uma canoa rio acima enquanto rebatemos os peixes que vêm em nossa direção. Em outro, controlamos um avião que precisa coletar bolas de tênis diante de obstáculos aéreos. 

Mesmo que seja um tanto cansativo, o modo história faz valer a pena por proporcionar lapsos de diversão em seus desafios e, sobretudo, por ter uma narrativa capaz de convencer até o fã mais saudosista de Mario e da Nintendo em geral. Em resumo, serve para quebrar a dinâmica acelerada dos demais modos e funciona como um meio intuitivo de adquirir conhecimento sobre as mecânicas e minúcias do game.  

Modos de jogo: sim, por favor

À procura de mudanças em relação ao irmão mais novo, Mario Tennis Aces, o título se entrega a uma enxurrada de modos, suponho, com a intenção de se firmar como o principal spin-off de Mario em muito tempo. Além da já mencionada Aventura, Mario Tennis Fever ostenta os clássicos torneios, simples e de duplas, nos moldes das copas de Mario Kart, e um modo livre para confrontos casuais: online, em cooperativo local ou solo. 

Já o modo Missões coloca o jogador para enfrentar os mais variados duelos de tênis até que consiga alcançar o posto mais alto de uma torre. As Gincanas, por outro lado, promovem testes nos quais não necessariamente a meta é superar um adversário. No Tiro ao Aro, por exemplo, um submodo dentro de Gincanas, você deve acertar golpes pelos aros para pontuar, ao passo que o Autotênis pede que bolas sejam lançadas em áreas específicas da quadra.

O leque de opções de jogo de Mario Tennis Fever está, sem dúvida, entre os mais completos, mesmo se considerarmos os spin-offs de golfe, futebol e por aí vai. Tenha a certeza de que você raramente vai ser pego pelo desinteresse, visto que, volto a repetir, o tênis é apenas o meio pelo qual somos introduzidos aos party games. 

Por fim, se você busca um desafio à altura de atleta profissional, experimente se arriscar na Copa Estrela, leia-se o “torneio em que Rafael Nadal seria massacrado pela Bebê Peach”. A dificuldade é absolutamente insana e rende situações de genuína tensão, papo de ficar com a mão toda suada. É sempre bom ver um game que consegue equilibrar acessibilidade, para quem busca diversão casual, e rigor técnico, para quem quer competição em nível hardcore. 

Vale a pena? 

Mario Tennis Fever vence sem tie-break e se torna uma experiência definitiva de esporte para o encanador bigodudo. Indo além de apenas manter o que funcionou em Mario Tennis Aces, o título refina sua jogabilidade com novos truques e introduz uma variedade de jeitos divertidíssimos de competir no tênis, sendo um ótimo crossover de esportes, pancadaria e minigames. É aquele tipo de jogo que todos nós vamos continuar jogando até o fim da geração do Switch 2, no mínimo.

Notado Voxel : 85

Pontos Positivos (prós):

A jogabilidade incorpora novos truques de tênis;Variedade de personagens, equipamentos e quadras;Modos de jogo para todos os gostos e conteúdo expansivo;Qualidade visual digna de uma animação;Textos e vozes em português do Brasil.

Pontos negativos (Contras):

Falta de balanceamento em algumas raquetes;Campanha com ritmo moroso.

Uma cópia de Mario Tennis Fever foi gentilmente cedida pela Nintendo para o propósito de análise no Nintendo Switch 2. O jogo chega com exclusividade para o console.