Que fim levou a JVC, pioneira dos aparelhos de VHS e inventora da vitrola?

O mercado japonês de eletrônicos de áudio e vídeo sempre foi bastante competitivo e recheado de empresas de renome, como Sony e Panasonic. Outro nome que se destacou tanto localmente quanto em outras partes do mundo é a JVC, que construiu uma reputação de respeito ao longo de décadas de atuação.

Famosa também no Brasil, a marca virou sinônimo apenas de nostalgia e passou a ser cada vez menos lembrada a partir da década de 2010 — justamente quando os segmentos em que ela era mais forte foram substituídos por outros produtos, como smartphones. Mas você sabe por onde anda essa fabricante?

A seguir, confira em detalhes a história da JVC, os eletrônicos mais famosos da companhia e também qual a situação atual da empresa no Brasil e no mundo.

O começo de uma gigante

O nome JVC é uma sigla para Japan Victor Company. A empresa foi criada em setembro de 1927 como uma sede regional da Victor Talking Machine Company, uma companhia dos Estados Unidos que ficou famosa em especial como gravadora e fabricante de gramofones e fonogramas.

A logo da marca, com um simpático cachorro em frente a um gramofone, ficou marcada na memória de muitos consumidores junto ao slogan “His Master’s Voice” — “A Voz do seu Dono”, em tradução direta e se referindo ao conteúdo que era tocado no aparelho para o animal.

A Victrola, que no Brasil virou praticamente sinônimo de qualquer modelo de toca-discos antigos e foi abrasileirado para “vitrola”, foi um dos seus primeiros sucessos.

No Japão, a marca começa mais discreta e focada em equipamentos de áudio, como gravadores e rádios. Já em 1943, no pico da Segunda Guerra Mundial, a agora RCAVictor, que era o braço norte-americano e principal do conglomerado, encerra os vínculos com a JVC.

A marca tem a maior parte das ações compradas em 1954 pela Matsushita, que é a Panasonic, e passa a se tornar especialista também em equipamentos de vídeo. Esse foi o segmento em que ela mais se popularizou entre o consumidor padrão, com itens como filmadoras de mão e aparelhos de VHS — inclusive lançando o primeiro reprodutor desse formato no mundo.

A linha GR de filmadoras de mão foi um sucesso inclusive no Brasil. (Imagem: Reprodução/OLX)

A JVC não teve tanto sucesso em outras áreas que tentou explorar, como no lançamento de computadores e na publicação de games e filmes. Mais tarde, ela também experimentou com DVDs, televisores de alta definição, projetores e câmeras digitais.

A companhia também ficou famosa no meio esportivo: ela foi a principal patrocinadora do clube de futebol inglês Arsenal entre as décadas de 1980 e 1990.

Em 2007, porém, outra mudança corporativa balança a marca. A Panasonic vende o controle da JVC para a Kenwood e, no ano seguinte, ela muda de nome em definitivo e se torna JVCKenwood.

A JVCKenwood, atual configuração da empresa. (Imagem: Divulgação/JVCKenwood)

A partir deste ponto, ela começa a perder relevância no segmento de filmadoras de vídeo com a melhoria gradual em câmeras de celulares, além de não acompanhar o mercado hoje também enfraquecido de reprodutores de mídias físicas.

Os produtos mais importantes da JVC

Entre os eletrônicos lançados pela JVC ao longo das décadas, é possível destacar alguns deles pelo pioneirismo ou sucesso comercial:

O primeiro televisor fabricado totalmente no Japão, sob supervisão do renomado engenheiro Kenjiro Takayanagi (1939);Uma TV circular de aspecto futurista conhecida como Videosphere (1970);A Videosphere. (Imagem: intOndo/Reprodução)O HR-3300, primeiro aparelho gravador de videocassete no formato VHS (1976);O primeiro gravador de VHS do mundo. (Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução)O DD-9, um deck de fitas cassete no formato estéreo com um inovador sistema de redução de ruído (1981);A GR-C1, câmera de fita nas cores vermelha e preta que foi usada pelos personagens principais em “De Volta para o Futuro” (1984);A filmadora usada até mesmo por Marty McFly. (Imagem: Divulgação/JVC)A GR-DV1, uma filmadora portátil no formato MiniDV que cabia no bolso (1996).

A JVC ainda existe?

A empresa que contribuiu tanto para o mercado de eletrônicos não existe mais de forma independente, mas a marca segue ativa em diversas regiões a partir do uso em produtos próprios ou licenciamentos. Estados Unidos, Europa e Japão seguem como áreas fortes da JVC.

A partir da fusão com a Kenwood, ela se especializou em segmentos como TVs, monitores ou projetores, equipamentos de áudio variados (como alto-falantes e fones de ouvido) e produtos automotivos, como sistemas de infotenimento para carros.

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No mercado profissional, ela atua comercializando telas para uso específico, como na saúde, além de filmadoras, switchers e outros equipamentos audiovisuais.

A situação aqui no país, porém, é diferente. A JVCKenwood do Brasil encerrou as vendas diretas em 2018 e só atua como uma “entidade legal ativa” — ou seja, ainda é uma empresa registrada, mas sem atuação no comércio e hoje voltada para o suporte para sons automotivos.

As Smart TVs licenciadas com o nome da empresa no Brasil. (Imagem: Divulgação/JVC)

Televisores 4K com o nome JVC foram lançados oficialmente por aqui entre 2020 e 2021, mas eles saíram a partir de um licenciamento da marca com a Shenzhen MTC, sendo a Musa do Pacífico Representação Comercial de Eletro e Eletrônicos a representante nacional de manutenção e suporte.

Hoje em dia, quem deseja ter no Brasil um produto novo e ainda feito pela própria JVC precisa recorrer a importações.

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