
23 fev Brasil entra no top 3 global de ataques de ransomware
O Brasil consolidou-se como um dos alvos mais estratégicos e visados pelo crime digital em 2025. Segundo o “Relatório de Ameaças Cibernéticas da Acronis”, o país ocupa agora a terceira posição mundial em detecções de ransomware, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. No cenário da América Latina, a liderança brasileira é absoluta.
O estudo revela que o phishing continua sendo a porta de entrada favorita, sendo responsável por 52% dos ataques. O volume médio de tentativas por usuário cresceu 20% no último semestre, mostrando que as campanhas de engenharia social estão cada vez mais massivas e difíceis de ignorar.
O perigo mora em casa: o abuso do Windows
Um dado que chama a atenção no relatório é o uso de ferramentas legítimas do próprio sistema operacional para realizar os ataques. No Brasil, o PowerShell (uma ferramenta de automação do Windows) é o aplicativo mais abusado pelos hackers.
Essa técnica é extremamente eficaz porque:
Reduz a necessidade de arquivos maliciosos detectáveis por antivírus comuns;Dificulta o rastreamento, já que o criminoso usa funções “normais” do computador da vítima;Permite que o ataque passe despercebido por soluções baseadas apenas em assinaturas de vírus.
IA e plataformas de colaboração na mira
O crime organizado não ficou para trás na onda da inteligência artificial. O relatório documenta que grupos criminosos estão usando IA para automatizar extorsões simultâneas e criar conteúdos falsos (deepfakes) para golpes de sequestro virtual. Gerald Beuchelt, CISO da Acronis, alerta que estamos entrando em uma nova era onde os atacantes agem com muito mais escala e velocidade.
Além disso, ferramentas de trabalho em equipe (como Teams e Slack) viram sua superfície de ataque saltar de 12% para 31% em apenas um ano. Com o trabalho remoto e híbrido, essas plataformas tornaram-se o novo campo de batalha para a disseminação de links e arquivos infectados.
Quem são os alvos e os culpados?
Os setores de manufatura, tecnologia e saúde lideram a lista de vítimas devido à sua baixa tolerância a interrupções. Globalmente, mais de 7.600 vítimas tiveram seus dados expostos por grupos como Qilin, Akira e Cl0p. O relatório reforça que as empresas precisam, mais do que nunca, automatizar defesas e antecipar ameaças para resistir a essa evolução tecnológica do crime.