
23 fev Jessie Buckley: a trajetória até a indicação ao Oscar
Jessie Buckley é uma das atrizes mais talentosas e versáteis da sua geração. Irlandesa de Killarney, ela construiu uma carreira marcada por escolhas corajosas, do teatro shakespeariano em Londres a séries aclamadas como Chernobyl, passando por filmes que a colocaram no centro das conversas sobre os maiores prêmios do cinema mundial.
Neste artigo, você vai conhecer a trajetória de Jessie Buckley desde os primeiros passos na carreira até a indicação ao Oscar, além de curiosidades sobre sua vida pessoal e os papéis que definiram quem ela é hoje.
Jessie Buckley em Hamnet, filme que lhe rendeu uma indicação ao Oscar (Foto: Divulgação/Universal Pictures/IMDb).
Quem é Jessie Buckley?
Há quem descubra Jessie Buckley pelo Oscar. Há quem a tenha encontrado antes, em alguma série da BBC ou num teatro do West End londrino. Mas independentemente do caminho, a conclusão costuma ser a mesma: a atriz é diferente.
Tem algo que escapa à definição fácil, uma intensidade que o diretor Michael Pearce, do filme A Fera, descreveu como “um nervo exposto que sente tudo intensamente e tenta o tempo todo manter isso sob controle”.
Nascida em 28 de dezembro de 1989, em Killarney, no condado de Kerry, na Irlanda, Jessie Buckley cresceu numa família sem televisão.
Filha mais velha de cinco irmãos, ela foi criada entre escola de freiras, musicais escolares e aulas na Royal Irish Academy of Music (RIAM), onde aprendeu harpa, piano, saxofone e clarinete.
Aos 11 anos, foi escolhida entre cerca de 40 mil candidatos para receber o prêmio de High Achiever da RIAM. O talento estava ali desde o começo.
Primeiros trabalhos na TV e cinema
A grande virada pública veio em 2008, quando Buckley, então com 17 anos, participou do reality show da BBC I’d Do Anything, que buscava uma atriz para interpretar Nancy no musical Oliver! no West End.
Ela ficou em segundo lugar, perdendo para Jodie Prenger. Recentemente, a atriz descreveu a experiência como “brutalizante”, citando pressões estéticas e o que chamou de “escola de feminilidade” imposta pela produção.
Mesmo assim, foi dali que saiu o convite de Andrew Lloyd Webber e Cameron Mackintosh para que ela ingressasse na Royal Academy of Dramatic Art (RADA), onde se formou em 2013.
Nos anos seguintes, Buckley construiu uma carreira sólida no teatro londrino. Interpretou Miranda em A Tempestade no Shakespeare’s Globe, atuou ao lado de Jude Law em Henrique V no West End e apareceu em O Conto de Inverno ao lado de Judi Dench em 2015.
Na televisão, ganhou visibilidade com papéis em War & Peace (2016), Taboo (2017) e, principalmente, na aclamada minissérie Chernobyl (2019), que a colocou no radar internacional.
Sua estreia no cinema foi no thriller psicológico A Fera (2017), mas foi em As Loucuras de Rose (2018) que o mundo prestou atenção de verdade.
No filme, ela interpreta uma mãe escocesa que sai da prisão e persegue o sonho de se tornar cantora country. A performance rendeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Atriz e mostrou que Buckley era capaz de carregar um filme inteiro nas costas e ainda cantar ao vivo enquanto fazia isso.
Hamnet: o papel que levou à indicação ao Oscar
Em 2025, Jessie Buckley protagonizou Hamnet, dirigido por Chloé Zhao e baseado no romance homônimo de Maggie O’Farrell.
No filme, ela interpreta Agnes, esposa de William Shakespeare (vivido por Paul Mescal), enquanto o casal enfrenta a morte do filho de 11 anos. Se você quer entender melhor a história real que inspirou o longa, este artigo explica quem foi Hamnet Shakespeare e o que se sabe sobre sua vida.
A atuação de Buckley foi descrita pelo crítico Peter Bradshaw, do The Guardian, como “inconscientemente cativante”. A Rolling Stone previu que “o público vai falar sobre a performance de Jessie Buckley por anos”.
Há uma cena em particular que resume tudo: quando Agnes percebe que Hamnet morreu em seus braços, Buckley solta um grito que a diretora Chloé Zhao descreveu como vindo “de além do passado, do presente e do futuro”.
Não é exagero dizer que é um dos momentos mais devastadores do cinema recente.
O filme venceu o Prêmio do Público no Festival de Toronto em setembro de 2025 e recebeu seis indicações ao Globo de Ouro, vencendo dois, incluindo Melhor Filme.
Buckley levou o prêmio de Melhor Atriz em Drama. Em 2026, veio a indicação ao Oscar. Para quem quer saber mais sobre o impacto artístico do longa, a crítica de Hamnet no TecMundo aprofunda essa discussão.
Concorrentes ao Oscar de Melhor Atriz
A disputa pelo Oscar de Melhor Atriz em 2026 é acirrada. Buckley concorre ao lado de Chase Infiniti, indicada por Uma Batalha Após a Outra, e Renate Reinsve, por Valor Sentimental, entre outras.
Se quiser conferir a lista completa de indicados, o TecMundo reuniu todos os nomeados do Oscar 2026.
Caso vença, Buckley se tornará apenas a quinta atriz irlandesa a levar o prêmio para casa, seguindo os passos de Barry Fitzgerald, Brenda Fricker, Daniel Day-Lewis e Cillian Murphy.
Principais filmes e séries da carreira
A carreira de Buckley é marcada por escolhas que fogem do óbvio. Ela raramente repete fórmulas.
De Chernobyl a Fargo
Na minissérie Chernobyl (2019), ela interpretou Lyudmilla Ignatenko, esposa de um bombeiro que lutou contra a radiação após o desastre nuclear soviético de 1986. A performance foi elogiada pela contenção emocional e pela precisão.
Em 2020, apareceu na quarta temporada de Fargo como Oraetta Mayflower, uma enfermeira assassina, papel que exigiu meses de preparação para dominar o sotaque do Meio-Oeste americano e um trabalho com coach de movimento para criar a forma de andar da personagem.
A Filha Perdida e a primeira indicação ao Oscar
Em 2021, Buckley estrelou A Filha Perdida, dirigido por Maggie Gyllenhaal e baseado no romance de Elena Ferrante.
Ela interpretou a versão mais jovem da personagem de Olivia Colman e foi a própria Colman quem a sugeriu para o papel.
A performance rendeu sua primeira indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. Buckley também ganhou o Prêmio Olivier de Melhor Atriz em Musical pelo espetáculo Cabaret no West End, no mesmo ano.
Entre Mulheres, Men: Faces do Medo e Pequenas Cartas Obscenas
Os anos seguintes consolidaram sua posição como uma das atrizes mais versáteis de sua geração. Em Entre Mulheres (2022), atuou ao lado de um elenco de peso num drama sobre mulheres de uma comunidade religiosa que decidem seu próprio destino.
Em Men: Faces do Medo (2022), de Alex Garland, foi a protagonista de um horror folclórico perturbador. Já em Pequenas Cartas Obscenas (2023), dividiu a tela novamente com Olivia Colman numa comédia de época britânica.
Jessie Buckley também já foi a Julieta do Romeu
Pouco comentado fora dos círculos teatrais, há um capítulo curioso na carreira de Buckley: em 2021, ela interpretou Julieta numa adaptação televisiva de Romeu e Julieta ao lado do ator britânico Josh O’Connor.
A produção foi filmada durante a pandemia, com equipe reduzida, e circulou em festivais antes de chegar ao público mais amplo. É mais uma prova de que Buckley e Shakespeare têm uma relação longa e que vai muito além de Hamnet.
Essa conexão com o universo shakespeariano não é coincidência. Desde os primeiros anos na RADA, ela foi moldada por esse repertório. Interpretou Miranda, Katharine, Perdita. E agora Agnes. Cada personagem, uma camada diferente do mesmo compromisso com a verdade emocional.
A versatilidade de Jessie Buckley lhe rende uma carreira repleta de sucessos (Foto: Joe Maher/Getty Images)
Curiosidades sobre Jessie Buckley
Buckley cresceu sem televisão em casa. Sua mãe, Marina Cassidy, é coach vocal e musicoterapeuta; seu pai, Tim Buckley, é gerente de bar e poeta publicado.Ela toca harpa, piano, saxofone e clarinete, e lançou em 2022 o álbum For All Our Days That Tear the Heart com o ex-guitarrista do Suede, Bernard Butler. O disco foi indicado ao Mercury Prize.Casou-se em 2023 com Freddie, um profissional de saúde mental, numa cerimônia em casa com cerveja Guinness e torradas de queijo do café favorito do casal em Londres.Em 2025, deu à luz sua primeira filha. Ela filmou Hamnet antes de se tornar mãe, mas disse que “desejava profundamente ser mãe” durante as gravações.Ao aceitar o Globo de Ouro, Buckley destacou a diversidade do set: “Estávamos contando a história do britânico mais famoso que já existiu, com uma diretora chinesa, muito irlandeses, uma equipe majoritariamente polonesa, ao lado de nossa família britânica.”
A indicação ao Oscar não é o fim de nada, é mais um ponto numa linha que começou numa escola de música em Killarney e passou por palcos, câmeras e personagens que poucos atores teriam coragem de encarar.
Para saber mais sobre a cerimônia e o que está em jogo, o TecMundo tem um guia completo sobre a história do Oscar e seus maiores vencedores. E se você ainda não viu Hamnet, saiba quando o filme chega ao streaming, porque essa é uma performance que merece ser vista.
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