
27 fev Venda global de PCs e celulares vai cair até 13% em 2026, revela estudo
Um novo relatório da empresa de consultoria e análise de dados IDC reforçou que o cenário da indústria de eletrônicos em 2026 não é nada favorável. Em especial pela crise no fornecimento de chips de memória, os setores de PCs e celulares terão uma queda brusca no volume de vendas.
A nova previsão da IDC é de que o mercado de computadores vai encolher 11,3% neste ano em quantidade de dispositivos comercializados.
Já o setor de smartphones sofrerá um baque ainda maior, com uma redução de 12,9% — a maior da história segundo os analistas, superando até outra crise recente durante a pandemia da covid-19. Neste caso, as receitas também devem cair em 0,5%.
As previsões da IDC para PCs e celulares, com reajustes ficando mais pessimistas ao longo dos meses. (Imagem: Reprodução/IDC)
A única boa notícia aqui é para as marcas e não para os consumidores: há expectativa de um aumento de 1,6% na receita gerada com a venda de PCs — afinal, mesmo com um menor volume de vendas, os preços estão subindo de forma considerável e muitas empresas e pessoas precisam trocar de modelo eventualmente.
A crise de memórias
O principal motivo para a atual crise de chips de memória já é bem conhecido: uma escassez no fornecimento de componentes DRAM e NAND para eletrônicos de consumo como smartphones, computadores, consoles portáteis e outros equipamentos similares;Fabricantes responsáveis por esses semicondutores estão priorizando encomendas de empresas que lidam com infraestrutura de inteligência artificial (IA), como data centers;
Dessa forma, não há espaço para acomodar a demanda desses dois mercados, com as fábricas aceitando as encomendas de maior escala e margem de lucro vindas do setor de IA;No fim de 2025, a venda avulsa de memórias para PC disparou e já indicava o que aconteceria nos meses seguintes. Aos poucos, fabricantes confirmaram que iriam mesmo subir os preços de seus produtos para acomodar o maior custo de produção e estoque reduzido.
Normalização e risco para marcas menores
Ainda segundo a IDC, a normalização das duas indústrias pode levar algum tempo: a escassez vai ultrapassar 2026 e deve também impactar o ano seguinte. Só mesmo em 2028 é que o volume de vendas deve acelerar novamente, ainda em índices tímidos.
Além disso, o ecossistema do mercado pode se transformar bastante ao longo dos dois próximos anos. Isso porque fabricantes de pequeno porte ou mais voltadas para dispositivos de entrada serão as mais prejudicadas pela atual crise — muitas podem mudar a forma de operação ou até fechar as portas.
Isso porque elas terão ainda menos prioridade na busca por estoque de componentes e pagarão mais caro por eles, sendo que esse tipo de companhia sempre opera com baixas margens de lucro e focada em alta quantidade de vendas.
Fabricantes de grande porte, por outro lado, terão mais chances de conseguir um estoque de chips de memória antes de aumentos ainda maiores ou conseguirão pagar o preço elevado da atual produção.
Fabricantes de menor porte podem ter problemas no lançamento de novos smartphones. (Imagem: gorodenkoff/Getty Images)
Outra mudança esperada está nas especificações técnicas de aparelhos: é possível que vários dispositivos lançados a partir do próximo mês tenham menor capacidade em RAM e SSD — seja para não gerar um grande reajuste ou preço ou porque o uso de componentes antigos é uma alternativa contra a atual falta de chips.
A IDC reconhece que os números podem ser menos apocalípticos caso a China demonstre que consegue atender ao menos parte dessa demanda. Isso faria o país se tornar uma nova referência na indústria.
Quais os impactos do novo aumento de imposto de importação no Brasil? Entenda aqui o que pode mudar!