Motorola Signature deixa ‘fantasmas’ do passado para trás: testamos o novo celular

Não é sempre que uma marca de smartphones lança uma nova linha de ponta no mercado. A Motorola, por exemplo, hoje em dia tem o Moto G, o Edge e o Razr aqui no Brasil. Mas agora inaugura a linha Signature e promete um grande destaque ao smartphone.

Ele deixa alguns problemas que a gente já criticou várias vezes no passado. As câmeras são realmente as melhores da marca, a política de atualizações agora é muito maior e o desempenho é de ponta.

A Motorola vem com um celular firme e de ótima construção, mas ao mesmo tempo esbarra em problemas que a gente já viu a concorrência ultrapassar. Será que o Signature é o suficiente pro consumidor brasileiro deixar de olhar pro iPhone ou pro Galaxy? Eu estou usando o novo celular da Motorola desde janeiro e te conto a seguir.

Design “fininho”

O Signature é um smartphone especial para a Motorola. Ele não cria uma nova categoria no mercado, mas deixa claro que quer apostar em sofisticação. Por isso que o design é um dos seus pontos altos e é muito bem construído.

O acabamento da traseira é inspirado em texturas de tecidos como sarja e linho, com cores em parceria com a Pantone (verde oliva e linho). É um acabamento bem macio e que repete a fórmula que a empresa vem investindo nos últimos anos.

Mas o Signature também é um smartphone mais fino. Ele tem somente 6,99 mm de espessura e 186 gramas, ganhando do Galaxy S26 Ultra (7,9 mm, 214g) e do iPhone 17 Pro (8,8 mm, 233g) nesse quesito. A Motorola também promete resistência com o Gorilla Glass Victus 2 na frente, proteção IP69 e certificados de resistência militar contra quedas e até temperaturas extremas.

Eu gostei bastante do design do Signature. As laterais em alumínio, por exemplo, têm cantos arredondados, mas elas são mais retas. Juntando isso com a espessura e o peso, o celular acaba sendo bem grande, mas confortável de usar.

O módulo de câmeras é outro destaque. Ele fica em um quadrado “separado” e um pouco saltado. Esse desnível deixa ele balançando na mesa se você encostar na tela, mas não me pareceu muito desigual. Fora isso, o aparelho traz um botão extra no lado esquerdo para acionar o Moto AI.

O ponto é que, apesar de bonito, o acabamento que simula o tecido pode sujar facilmente. Apesar da promessa de durabilidade, é bom tomar cuidado para não acabar desgastando esse material com o passar do tempo.

O acabamento do Motorola Signature imita tecidos. (Foto: Felipe Pedro/TecMundo)

Uma escolha interessante de design foi a posição das saídas de som. Uma delas fica no lado esquerdo da parte de cima, e a fica no lado direito da parte inferior. Isso faz com que seja mais difícil abafar o som quando você segura o celular na horizontal para jogar ou assistir, por exemplo. Por sinal, ele também tem assinatura da Bose e um som que é muito bom e alto, além de graves que não decepcionam.

Tela de 6.200 nits

Já houve um tempo em que as telas curvas dos smartphones eram um negócio bem cobiçado entre as marcas. Esse tipo de detalhe é bem elegante, mas ele tem seu preço, já que aumenta as chances do vidro rachar ou até quebrar de vez numa queda.

O Signature faz uma aposta firme: os quatro cantos da tela são levemente curvos. Não é o meu tipo preferido, eu ainda acho as telas planas melhores. Isso porque, assim como em outros do tipo, o Signature ainda me fez esbarrar nos cantinhos e acabar voltando páginas sem querer, por exemplo.

Em termos de qualidade, a Motorola também aposta alto. O painel AMOLED tem 6,8 polegadas de tamanho e resolução “Super HD”, que é só um pouco acima do Full HD convencional. Mas existem dois bons destaques:

Brilho alto: até 6.200 nits, mas ele raramente vai operar neste modo porque gasta muita bateria. Ainda assim, é um brilho muito bom e que não impede a visualização em locais abertos;Taxa de atualização de 165 Hz: é um negócio bacana, mas que tem poucos jogos compatíveis. Esse recurso só parece ser ativado pelo Gametime, que é uma ferramenta bem completa para mostrar o uso do celular e controlar esses ajustes.6.200 nits é o pico de brilho do novo Signature. (Foto: Felipe Pedro/TecMundo)

É uma tela que, sem sombra de dúvidas, fica na “prateleira de cima”. Ela ainda tem 10-bit de coloração, é compatível com HDR10+ e até Dolby Vision. A experiência geral é de alto nível mesmo, há bem pouco do que reclamar.

Eu senti falta do acabamento antirreflexo que a gente vê em outros smartphones caros. O S26 Ultra e o iPhone 17 trazem esse recurso e isso ajuda na visibilidade — inclusive, o Ultra agora até tem um modo novo de privacidade.

Vale notar que o aparelho também tem um leitor de impressão digital ultrassônico sob a tela. É um leitor muito, muito rápido e que raramente dá dor de cabeça, até porque está em uma posição bem confortável.

Software com 7 anos de atualizações

Essa é a primeira vez que a Motorola estica a sua política de atualizações até chegar no nível da Apple e Samsung. O Signature é o primeiro celular da marca que terá sete anos de atualizações de sistema e de segurança. É o tipo de coisa que eu espero que a Motorola leve também para todas as outras linhas de smartphones que ela tem, faz uma boa diferença.

Ele traz o Android 16 e uma série de bons recursos. Muita coisa é similar, então se você já usa smartphones da Motorola não vai “se perder”. Se você está apostando pela primeira vez, vai encontrar um sistema mais limpo e com uma sensação de “calma”, já que ele não vem lotado de apps pré-instalados e nem com uma infinidade de recursos extras — o que é bom e ruim ao mesmo tempo.

A interface Hello UI é organizada e deixa praticamente todas as configurações em um app só chamado “Moto”. É lá que você escolhe os gestos que quer usar, personaliza a interface, ajusta opções de segurança, de jogo e muito mais.

Como ele é bem próximo do Android 16 padrão, a gente tem animações muito sutis e bonitas. E a abordagem da Motorola para a inteligência artificial (IA) também é diferente. Eles têm o Moto AI, que é um assistente padrão do celular. Ele é mais contextual e fica alinhado à rotina e ao que você está fazendo no celular.

O celular da Motorola tem assistente pessoal baseado em IA. (Foto: Felipe Pedro/TecMundo)

Por exemplo, se você acionar a IA da Motorola em uma notícia do TecMundo, ele vai analisar o contexto e sugerir ações. Ou, se você recebe muitas notificações, pode pedir ao assistente para resumir tudo e te atualizar do que rolou.

Eu tenho achado bem interessante. Se você está em uma conversa do WhatsApp e aciona o Moto AI, ele vai ver se tem algum convite e adicionar às “memórias” para te lembrar depois. Acho que aqui falta uma integração com o calendário e outros apps, mas já é alguma coisa. Outra coisa que senti falta é de seguir fazendo perguntas à IA sobre o que está na tela, já que agora as opções ainda são limitadas. Ele também cria playlists e até pode gerar imagens usando IA, tudo com base no que aparece na tela do celular.

A Motorola também tem uns recursos adicionais de IA, como um que faz gravações de áudio e depois faz a transcrição de tudo. Inclusive, você também pode usar as IAs da Microsoft e da Perplexity, além do próprio Gemini. Todas vêm instaladas no celular.

Desempenho

O desempenho do Motorola Signature é outro ponto importante. Ele tem o Snapdragon 8 Gen 5, 16 GB de RAM e até 1 TB de armazenamento. É uma ficha técnica de respeito, mas é preciso notar o “detalhe” aqui: esse é o segundo melhor chipset da Qualcomm.

No papel, o Signature é menos potente que o Galaxy S26 Ultra e o iPhone 17 Pro, sim. Mas essas diferenças só ficam mais perceptíveis em cenários mais intensos, como ao jogar algum game mais pesado por um tempão. Fora isso, na rotina, é muito difícil apontar alguma diferença gritante.

Com os jogos, por exemplo, o Signature pode esquentar e perder desempenho em longas partidas. (Foto: Felipe Pedro/TecMundo)

O Motorola Signature é muito rápido e a multitarefa se beneficia bastante da quantidade de RAM disponível. É o tipo de desempenho que a gente espera de um top de linha. Só que ele sofre, como eu falei, mais que os seus rivais em tarefas exigentes.

O negócio é que o Signature fica esquentado, principalmente quando você está jogando. E isso, a longo prazo, vai reduzindo o desempenho do aparelho. Não é muito incomum vê-lo dropando alguns frames em Tomb Raider ou em Genshin Impact, por exemplo. Esse mesmo comportamento é mais raro nos novos modelos da Apple e Samsung.

Bateria

Já a bateria do Signature tem sido confortável, mas também um pouco intrigante. Ele usa a tecnologia de silício-carbono, mas sem ir muito além: são “apenas” 5.200 mAh de capacidade. Até parece pouco, mas não é, até pela espessura dele. Já o carregamento por fio tem 90 watts e demora somente 50 minutos para devolver uma carga completa.

Normalmente, em uso moderado, ele rende um dia inteiro sem preocupação nenhuma. Para a maioria das pessoas é uma autonomia boa e a velocidade de carregamento ajuda. Mas se você for mais exigente quanto isso, e principalmente se costuma jogar com mais frequência ou usar a câmera, aí a bateria pode pedir socorro antes de acabar o dia.

Tomb Raider, por exemplo, consumiu 10% por hora. Já com vídeos e streaming é mais tranquilo, ele costuma gastar somente 6% da energia por hora.

Câmeras renovadas

Outra promessa do Signature é entregar a melhor experiência de câmeras da Motorola até então. Tanto que ele tem quatro câmeras e todas elas são de 50 MP, inclusive a frontal. Isso ajuda a manter o equilíbrio quando a gente olha pra nitidez das imagens. Mas o conjunto traseiro é bem familiar: uma câmera principal, uma telefoto com zoom de 3x e uma ultra-angular.

Principal: 50 MP (f/1.6), Lytia 828, OISUltra-angular/macro: 50 MP (f/2.0), 122°Telefoto (3x): 50 MP (f/2.4), Lytia 600, OISFrontal: 50 MP (f/2.0), Lytia 500Motorola Signature é compatível com Dolby Vision para gravação de vídeos. (Foto: Felipe Pedro/TecMundo)

A Motorola também traz novos sensores e lentes mais claras. Uma coisa que eu notei é que ele faz o desfoque de fundo de um jeito sutil, sem ficar muito artificial. A grande maioria das fotos que eu fiz com ele, principalmente com a lente principal, ficaram ótimas. Até mesmo em lugares de baixa luminosidade o aparelho tende a manter cores bonitas e detalhes.

Eu diria que ele é um aparelho bem competente nessa faixa do mercado e não faz nada feio perto dos concorrentes. Mas se você observar bem, vai ver que alguns objetos ficam com uma nitidez mais artificial. Isso ocorre com uma certa frequência na câmera ultra-angular.

Naqueles dias mais ensolarados e até em cenas nubladas com um certo contraste, as câmeras do Signature fazem imagens muito boas. A lente de zoom, inclusive, faz um baita trabalho em 3x e até 6x. Já usando os algoritmos da Motorola para melhorar imagens com zoom ele funciona bem e tende a preservar mais os detalhes. Mas não se engane: essa técnica funciona legal até 30x de zoom digital; o celular chega em até 100x, mas as fotos assim não ficam boas.

Talvez as câmeras do Signature sejam um grande fator de escolha pro consumidor. Ele tem ótimo alcance dinâmico, as cores também são bastante saturadas e as imagens têm apresentado boa nitidez.

O ponto de menor vantagem dele é nas fotos e vídeos em baixa luz. O sensor principal é o que mais se destaca, mas as câmeras de ângulo mais aberto e a de zoom óptico podem sofrer um pouco. Isso causa ruídos e a perda de detalhes nas imagens, além de cores não muito envolventes.

Só uma coisa que eu achei um tanto inconsistente. O modo Night Vision, aparentemente, não é compatível com a câmera frontal. O que acontece aqui é que o celular aumenta o brilho da tela na região do rosto e ele fica bem forte mesmo.

Uma das grandes novidades é a compatibilidade com o formato Dolby Vision, que funciona até na resolução 8K com 30 fps. Os vídeos que eu fiz com ele também ficaram ótimos, mas diferente das fotos o celular parece dar uma exagerada extra na saturação. Não é incomum ver o verde das plantas muito mais esverdeado, ou o céu com aquele tom de azul bem mais forte.

Eu também gostei da estabilização. Boa parte dos vídeos que eu gravei foi quando estava andando de skate e achei as imagens que fiz com as câmeras traseiras bem convincentes.

Um detalhe a se notar é que a resolução 8K só está disponível na câmera traseira. Usando a frontal, você ainda consegue gravar em 4K com até 60fps. Ainda assim, no geral, os novos S26 Ultra e iPhone 17 Pro ganham do Motorola quando a gente fala de vídeo.

E eu não sei se vocês estão ligados, mas a Motorola tem um modo de estabilização horizontal desde 2023. Esse recurso voltou à tona agora no Galaxy S26, que pode filmar em 4K com esse recurso ligado. No caso do Signature, ele continua limitado à resolução Full HD.

Vale a pena?

O Motorola Signature pode ser o primeiro de uma nova linha, mas ele reúne os acertos da marca nesses últimos anos em um único lugar. As câmeras são realmente ótimas e superam o resultado do Edge 50 Ultra, a tela é muito boa e o desempenho não deixa a desejar, ainda que não seja o melhor do mercado.

A aposta da empresa no design também é firme. A Motorola vem trabalhando há um bom tempo nisso e já encontrou uma identidade bacana. Mas, agora, a Motorola precisa trabalhar em outra coisa: consistência.

Esse lançamento não vem para “derrubar” Apple e Samsung, mas sim para voltar à briga. No ano passado a Motorola não lançou nenhum “Edge Ultra”, por exemplo, limitando o seu topo de linha do dobrável Razr 60 Ultra e que é muito bom, por sinal. E para isso ela vai precisar continuar apostando no segmento e lançando as próximas gerações do Signature.

Sobre o atual Signature, eu senti falta de algumas coisas que gostaria de ver no próximo. Talvez uma tela com acabamento antirreflexo, desempenho mais eficiente em termos de arrefecimento (que também afeta a eficiência energética) e mais recursos extras de software. A interface da Motorola é boa, mas peca em detalhes que a concorrência já ultrapassou.

Uma outra coisinha que me bateu foi o uso da bateria de silício-carbono. Se já usa a tecnologia, por que não trazer logo uns 7.000 mAh?

Enfim, o Signature chega agora nessa briga como um bom aparelho. O que vai diferenciar ele é, justamente, o preço. O valor sugerido é de R$ 9 mil e não é nada baixo, porém é “melhor” do que a concorrência — neste caso, R$ 2,5 mil a menos que o Galaxy S26 Ultra e o iPhone 17 Pro, já que ambos custam a partir de R$ 11,5 mil.

O preço cheio dificilmente fará com que usuários da Samsung e Apple façam uma “migração em massa”, já que esses outros dois são tão caros quanto. A diferença é que o Motorola tem mais chances de ter seu preço reduzido num futuro próximo, como já aconteceu em outros lançamentos. Eu não duvido que em poucos meses ele passe a custar R$ 6 ou R$ 6,5 mil, sendo esses valores bem mais agradáveis.

Abaixo disso, por cerca de R$ 5,5 mil, o Signature já seria um flagship muito interessante justamente para quem busca um celular premium e com boas câmeras entre as opções.