‘Kit Hacker Coruna”: Apple corrige falhas em iPhones antigos após ataques

A Apple lançou atualizações de segurança para iPhones e iPads mais antigos. As melhorias são uma resposta a descoberta de pesquisadores do Google, que identificaram um kit de exploração chamado Coruna.

O Coruna é capaz de comprometer dispositivos com iOS entre as versões 13.0 e 17.2.1. As correções chegam nos formatos iOS 15.8.7 e iOS 16.7.15, para aparelhos que não conseguem instalar as versões mais recentes do sistema.

O que é o Coruna

O kit foi descoberto em fevereiro de 2025 pelo Grupo de Inteligência de Ameaças do Google (GTIG). Trata-se de um um conjunto de ferramentas prontas para invadir dispositivos, que reúne 23 brechas de segurança diferentes, organizadas em cinco cadeias de ataque.

A descoberta aconteceu quando os pesquisadores do Google interceptaram um ataque em andamento. Um JavaScript disfarçado estava sendo entregue a usuários por um cliente de uma empresa de vigilância comercial.

Em seguida, o mesmo kit foi identificado em campanhas de “watering hole” na Ucrânia, técnica em que criminosos infectam sites legítimos frequentados pelas vítimas. Mais tarde, um grupo financeiro chinês rastreado como UNC6691 também usou as mesmas ferramentas em ataques em larga escala.

Como o ataque funciona

O Coruna verifica se o dispositivo está no Modo de Bloqueio ou em uma aba de navegação privada e, se estiver, simplesmente não age. Isso reduz o risco de ser detectado. Se o alvo for considerado vulnerável, o kit dispara uma sequência de ataques. O golpe começa no navegador e vai abrindo caminho até o núcleo do sistema operacional.

Ao final da cadeia de infecção, um componente chamado PlasmaLoader assume o controle. Ele se injeta em um processo com permissões de administrador e instala um malware voltado para crimes financeiros.

O que o malware faz

O programa vasculha o aparelho em busca de carteiras de criptomoedas, frases de recuperação de senhas e dados bancários. As informações são enviadas para servidores remotos de forma criptografada. 

O malware usa um algoritmo que gera automaticamente novos endereços. Isso garante que a conexão com os servidores se mantenha mesmo se alguns deles forem derrubados. A semente usada para alimentar esse algoritmo é a palavra “lazarus”.

O nome não é coincidência. O Lazarus Group é um conhecido coletivo de hackers associado à Coreia do Norte, famoso por ataques a plataformas de criptomoedas. A presença da palavra como semente do algoritmo é um dos elementos que os pesquisadores do GTIG analisaram ao investigar a origem do kit.

Como se proteger

O Coruna não funciona contra as versões mais recentes do iOS. Os aparelhos que conseguem instalar o iOS 17.3 ou superior já estavam protegidos desde janeiro de 2024. O problema é que nem todo iPhone consegue atualizar para essas versões. É para esse público que a Apple preparou os patches lançados agora.

A atualização iOS 15.8.7 corrige quatro das vulnerabilidades exploradas pelo kit, incluindo falhas nos componentes WebKit. O motor de renderização de páginas web do iPhone, e no kernel – o núcleo do sistema operacional – também estão seguros na atualização.

Já o iOS 16.7.15 endereça uma vulnerabilidade adicional no WebKit. Usuários com aparelhos compatíveis com essas versões devem aplicar as correções o quanto antes, em Ajustes, depois em Geral e, por fim, em Atualização de Software.