
14 mar Que fim levou o Picasa, popular programa de guardar fotos dos anos 2000?
Atualmente, são muitos os serviços encontrados para gerenciar e organizar fotos nos mais variados sistemas operacionais. Nomes como Google Fotos, o iCloud da Apple ou até o app nativo de galeria de imagens no celular ou computador são alternativas relativamente completas para essa tarefa.
Anos atrás, porém, outro programa era quase sempre tido como a resposta para quem buscava uma forma de lidar com os arquivos espalhados em múltiplas pastas no PC. Trata-se do Picasa, uma ferramenta que nasce independente, é comprada por uma gigante e perde força com mudanças na indústria.
Mas você sabe o que aconteceu com o Picasa, que passou a ser cada vez menos mencionado como alternativa desse setor ao longo dos últimos anos? A seguir, conheça ou relembre a trajetória do programa.
O que foi e para que servia o Picasa
O Picasa era um programa gratuito de gerenciamento e edição de fotos no computador. Ele foi lançado em 2002 por uma desenvolvedora até então pouco conhecida chamada Idealab.
Ele foi vendido desde o início como uma alternativa para Windows ao que o iPhoto da Apple oferecia: organização de imagens, recursos básicos de edição e compartilhamento desses arquivos. Ao longo dos anos, ele ganhou versões para macOS e uma adaptação para rodar em Linux.
A interface principal do Picasa. (Imagem: Reprodução/UpToDown)
O nome do software é uma mistura de influências: além de ser uma homenagem ao artista espanhol Pablo Picasso, ele mistura o começo de “picture“, que é imagem em inglês, e “casa“, que tem o mesmo significado em português e espanhol.
O diferencial do Picasa era a capacidade de organização e classificação de fotos no seu computador, ajudando a criar uma biblioteca de imagens com o que está armazenado em diferentes pastas da máquina.As pastas criadas pelo Picasa ou pelo usuário concentram as imagens com base em algumas variáveis, como data ou até localização, que poderia ser adicionada manualmente pelo usuário.De forma quase automática, ele ganhou ao longo do tempo filtros que identificavam elementos das suas imagens para fazer a classificação, como pessoas (via um elogiado reconhecimento facial) ou objetos em comum.As funções de edição mais simples e diretas no Picasa. (Imagem: Reprodução/Codecpack)A interface dele é datada hoje em dia, mas considerada intuitiva para a época pela organização em uma barra de pastas na lateral esquerda e a exibição dos arquivos ao centro da tela.Na parte inferior da janela, há atalhos para ações rápidas e bastante usadas, como imprimir, exportar e fazer colagens.Para além do gerenciamento, ele também oferecia um editor de imagens embutido. A função trazia apenas comandos simples, além de filtros para você fazer modificações menos elaboradas em fotos.
O destaque do Picasa no campo de organização de fotos fez ele chamar a atenção de gigantes. Em 13 de julho de 2004, dois anos após o lançamento, a ferramenta foi adquirida pela Google e passou a ser totalmente administrada pela empresa, ainda em fase de expansão dos seus negócios para além do buscador.
Já dentro da nova casa, em 2006 ele ganhou um aplicativo paralelo: o Picasa Web Albums (PWA), uma ferramenta que auxiliava na hospedagem e no compartilhamento de álbuns com outras pessoas e serviços, incluindo os já descontinuados Google+ e Blogger.
O que aconteceu com o Picasa?
Com o tempo, ficou evidente que a Google estava deixando o Picasa para escanteio: ele recebia cada vez menos novidades em recursos e interface, enquanto outros produtos da empresa eram priorizados.
Em 12 de fevereiro de 2016, ela confirmou o fim da linha do programa ao anunciar que o Picasa Desktop e o Picasa Web Albums seriam descontinuados — o programa principal depois de um mês e o outro, focado em compartilhamento de álbuns inteiros com outras pessoas, em maio do mesmo ano.
A ideia da companhia era concentrar os esforços apenas em uma plataforma que lida com imagens: o Google Fotos, lançado meses antes e até hoje a principal biblioteca da empresa para esses materiais.
Na época, quem tinha fotos ou vídeos em um Álbum do Picasa teve o conteúdo migrado automaticamente para a nova plataforma na nuvem. A concorrência hoje é grande, contra serviços como o OneDrive da Microsoft e o iCloud da Apple, além de plataformas específicas para edição — caso do Photoshop, o PhotoScape e alternativas no mobile, por exemplo.
O programa do Picasa para computadores até continua funcionando até hoje de forma offline para interessados, mas não está disponível para download no site do próprio Google — apenas em repositórios de software e que guardam versões antigas desses programas.
Quem quiser matar as saudades ou baixá-lo por curiosidade, porém, deve fazer isso sabendo que o Picasa não passa há anos por atualizações de otimização, adição de novos recursos ou segurança, o que significa que ele não é o mais indicado para armazenamento dos seus arquivos mais privados e que há poucos membros restantes na comunidade para tirar dúvidas.
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