
19 abr ‘Bolha’ da IA ainda não estourou: empresas lucram cada vez mais e sem sinal de parar
A discussão sobre uma possível “bolha da inteligência artificial (IA)” não é nova, mas ganhou força nos últimos meses com o crescimento acelerado das big techs. Ainda assim, ao olhar para os resultados financeiros mais recentes, a sensação é outra: em vez de qualquer sinal de crise, o que aparece é um setor que segue entregando crescimento forte, consistente e acima das expectativas do mercado.
Esse cenário fica ainda mais evidente ao observar o valor de mercado das principais empresas envolvidas nessa corrida. A TSMC já alcança US$ 1,64 trilhão, enquanto a Nvidia soma cerca de US$ 4,82 trilhões. AMD e Intel também seguem com alto valor de mercado, na casa das centenas de bilhões de dólares.
Jensen Huang no discurso de abertura da Nvidia GTC Artificial Intelligence Conference. (Fonte: Getty Images)
Mais do que uma alta na bolsa, os resultados mostram que as empresas estão, de fato, ganhando dinheiro. Nos últimos trimestres, companhias do setor têm superado as previsões do mercado, puxadas por uma demanda forte por IA. Na prática, não há sinal de desaceleração: os números indicam que o crescimento segue em ritmo acelerado.
TSMC
A TSMC, maior fabricante de chips sob encomenda do mundo, é um dos principais exemplos desse crescimento. No primeiro trimestre de 2026, a empresa teve receita de US$ 35,9 bilhões e lucro de US$ 18,2 bilhões, o maior da sua história. O resultado foi puxado, principalmente, pela demanda por chips usados em IA.
Hoje, a área de computação de alto desempenho, que inclui IA, já responde por 61% da receita da companhia. Em 2024, essa fatia era de 46%, o que significa que esse segmento quase triplicou de tamanho em dois anos, passando de cerca de US$ 8,6 bilhões para quase US$ 22 bilhões.
A empresa mantém um tom otimista para os próximos anos e afirma que a demanda por chips de IA deve continuar crescendo. Para a TSMC, não se trata de um movimento passageiro, mas de uma mudança mais duradoura na indústria de tecnologia.
Esse crescimento também trouxe um problema: a empresa não está conseguindo produzir tudo o que o mercado pede. A própria TSMC afirma que a demanda por chips mais avançados continua maior do que a oferta.
Fachada da TSMC. (Fonte: Getty Images)
Para tentar dar conta disso, a companhia está acelerando investimentos e ampliando sua capacidade de produção. Entre os planos estão novas fábricas com tecnologia de 3 nanômetros em países como Taiwan, EUA e Japão, além de querer também adaptar fábricas já existentes para produzir chips mais avançados.
Apesar do cenário positivo, existem pontos de atenção. A TSMC alertou que o conflito no Oriente Médio pode impactar seus custos de produção, especialmente por causa do aumento nos preços de insumos essenciais, como gases e produtos químicos utilizados na fabricação de semicondutores.
Mesmo com esse alerta, a empresa mantém projeções otimistas para o ano. A expectativa é de crescimento superior a 30% na receita em 2026, o que indica que, até o momento, os riscos externos ainda não são suficientes para frear o ritmo da indústria.
Nvidia
Se a TSMC fabrica os chips, a Nvidia é quem mais se beneficia da demanda por IA. No último trimestre, a empresa teve receita de US$ 68,1 bilhões, alta de 73% em um ano. No acumulado anual, foram US$ 215,9 bilhões, um avanço de 65%.
A maior parte desse resultado vem da área de data centers, que sozinha gerou mais de US$ 62 bilhões no trimestre. É nesse segmento que estão os chips usados para treinar e rodar modelos de IA, hoje, o principal negócio da empresa (mais de 90% da receita da Nvidia vem dessa área).
Samsung Electronics
A Samsung Electronics também entrou com força nesse jogo. A empresa projetou lucro operacional de US$ 37,9 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 755% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem acima das estimativas do mercado e marca uma virada após um período mais fraco na divisão de semicondutores.
Katharina Mayer, Head do LifeStyle Lab Europe, fala sobre eletrodomésticos inteligentes com IA na apresentação da Samsung na IFA 2024. (Fonte: Getty Images)
Além do salto no lucro, a companhia atingiu um marco inédito ao ultrapassar, pela primeira vez, 50 trilhões de won em lucro operacional e 100 trilhões de won em receita em um único trimestre. O desempenho foi puxado principalmente pela divisão de semicondutores, com a alta na demanda por chips de memória usados em ferramentas de IA e data centers.
Resultados de Intel e AMD devem indicar próximos passos do setor
Enquanto isso, Intel e AMD seguem como peças importantes nesse mercado, ainda que em posições diferentes. A Intel continua enfrentando desafios para recuperar competitividade, especialmente na fabricação de chips mais avançados, mas tem mostrado sinais de melhora em seus resultados recentes.
Já a AMD mantém trajetória de crescimento, ampliando sua presença em data centers e ferramentas de IA. Ainda assim, a empresa depende da capacidade produtiva da TSMC, evidenciando o grau de concentração da cadeia global de semicondutores.
Os resultados das duas empresas devem ser divulgados nas próximas semanas, a Intel em 23 de abril e a AMD em 5 de maio. Mais do que números isolados, esses balanços funcionam como um parâmetro da demanda por chips e podem indicar se o ritmo acelerado de crescimento impulsionado pela IA deve se manter ao longo de 2026.