
21 abr Review: Diablo 4 Lord of Hatred não atinge a perfeição, mas entrega a melhor versão do jogo
Quase três anos após seu lançamento, Diablo IV está prestes a receber sua segunda expansão, a Lord of Hatred. Anunciada no final de 2025, a chegada dessa DLC prometia novas classes, uma nova região, diversas mudanças no jogo geral e, é claro, a continuação da batalha contra Mefisto que estamos acompanhando desde o game base.
Por cortesia da Blizzard, tivemos a oportunidade de experimentar Lord of Hatred antecipadamente e te contamos tudo o que achamos na nossa análise a seguir. Confira!
O que chega para todos?
É costumeiro que ao lançar uma nova expansão como Lord of Hatred, a Blizzard também ofereça diversas melhorias e mudanças que chegam a todos os jogadores, mesmo aqueles que não adquiriram o DLC mais recente. Como isso vai afetar o seu gameplay de uma maneira ou de outra, achamos melhor falar brevemente sobre o que chega para todo mundo junto com a expansão.
É claro que Diablo 4 já teve diversas mudanças em seus sistemas desde o lançamento, mas agora temos a maior revisão que já vimos no game. Algumas simples como a inversão da ordem das recompensas das regiões (pontos de habilidade são dados primeiros e, depois, os pontos de Paragon) até outras estruturais como a dificuldade, que passa a ser dividida em 12 níveis de tormenta, semelhante ao que tínhamos em Diablo III. Seria difícil listar todos os sistemas, mas vou comentar os que senti que são mais importantes.
Para começar, agora não temos mais os aspectos lendários em dungeons, então só os encontramos através de itens. Embora eu ache isso uma mecânica interessante para não “forçar” jogadores a uma atividade específica (liberdade essa que parece ser o foco até no endgame), isso acaba deixando a transição do começo para o meio da jornada meio estranha se você não tiver sorte nos itens deixados por inimigos. Afinal, não é mais possível garantir pelo menos alguns bons aspectos para começar.
Já uma mecânica nova é o Talismã, uma das mudanças mais relevantes, já que isso também traz alterações à outros sistemas, como as poções. Com o update, temos uma nova aba no inventário: o talismã horádrico. Nele, podemos equipar selos (com bônus fixos de 2 a 5 espaços) e amuletos, que usam os espaços da relíquias para destravar variados benefícios: seja pontos em habilidades ou vida, até uso de poções extras. O mais interessante aqui é a existência de conjuntos de encantos, aumentando sua força baseado no número de peças que você usa, trazendo bônus incrivelmente fortes tanto em dano quanto em resistência. Se você, assim como eu, perdeu incontáveis horas em Diablo 3, verá rapidamente a semelhança com o sistema de itens do antigo jogo.
A árvore de habilidades, que já foi diversas vezes alvo de críticas dos jogadores, finalmente foi refeita. A partir do novo update, não contaremos mais com passivas, já que elas foram todas realocadas para o sistema de talismãs. Em vez disso, teremos múltiplos modificadores para cada habilidade. Embora eu sinta falta de mais variedade, algo que honestamente nunca foi o forte de Diablo 4, a customização permite usar a mesma habilidade em builds diferentes, pois somos capazes de alterá-las estruturalmente, desde a forma como funcionam até o tipo de habilidade que ela é (como uma magia de sombra virar de fogo demoníaco no bruxo por exemplo).
Isso é algo que sentiremos mais conforme builds de cada classe possam ser exploradas com mais cuidado, o que não foi possível fazer no curto período do review, mas é uma mudança bem interessante e que deve mexer bastante com a maneira que construímos nossos personagens em Diablo IV.
A grande “novidade” mesmo é a implementação do cubo horádrico, sistema já clássico na franquia. Se você é veterano, já tem uma noção do que se trata, mas para os novatos podemos dizer o seguinte: esse é um novo sistema que permite a realização de diversas “receitas” que te permitem desde adicionar ou remover afixos até transformar um item de raridade comum em único. Na minha opinião, essa é uma excelente adição mecânica e temática, algo que acredito que a maioria dos fãs de Diablo vai concordar.
Já em termos de melhorias de qualidade de vida, podemos dar destaque para adição de filtro de itens e, finalmente, a tão sonhada chegada da sobreposição do mapa na tela do jogo. Dessa forma, com um simples botão, você pode ver o mapa rapidamente enquanto continua realizando suas ações e sem ter que ir até o menu com o mapa completo. Para quem jogou qualquer outro jogo da franquia, sabe que essa sobreposição é extremamente útil e sempre foi algo tradição da série. Você ainda terá a opção de visualizar o mapa como antigamente, apenas terá a alternativa mais rápida à sua disposição.
O que Lord of Hatred tem para nos oferecer?
O primeiro elemento exclusivo que temos que falar sobre Lord of Hatred é a sua história, afinal, ela segue diretamente de onde paramos com a expansão anterior. É claro que não vamos dar spoilers, mas podemos dizer que vamos para Skovos, terra das amazonas e berço de nascimento da humanidade, onde Inarius e Lilith criaram Santuário. No geral, a campanha é realmente muito melhor do que a narrativa que vimos em Vessel of Hatred, então se você, assim como eu, não gostou da sequência narrativa do jogo base, pode ficar tranquilo.
Ainda assim, continuamos com a sensação da DLC passada, já que, em alguns momentos, a trama parece meio acelerada. Isso fica mais evidente da metade para o fim, mas pelo menos temos um um tema muito mais interessante e complexo do que antes. Até por isso, gostaríamos de ter visto um desenvolvimento melhor no geral, já que a história é promissora e traz vários boas menções e easter eggs bem legais sobre os outros jogos e do lore de Diablo.
Já a nova região, chamada Skovos, tem um visual de tirar o fôlego e uma trilha sonora belíssima para acompanhar. Os inimigos normais que encontramos pelo cenários não chamam tanta atenção, mas os chefes definitivamente são bem mais interessantes e possuem mecânicas bem legais. Na minha opinião, essa área é uma das mais interessantes que vimos no game até agora, pelo menos visualmente.
É claro que o grande destaque para quem se interessa mais em jogar as temporadas de Diablo IV não tem nada a ver com tudo isso que acabei de mencionar. Nesse caso, a atenção vai completamente para as duas novas classes que chegam de forma exclusiva para os jogadores de Lord of Hatred: Paladino e Bruxo. Quem adquiriu a expansão na pré-venda já pode jogar de Paladino há meses, então vamos focar no Bruxo, conhecido também como Warlock.
Como esperado, essa classe é extremamente divertida e segue a mesma estrutura básica do que vimos em Reign of Warlock de Diablo II: Resurrected. Assim como em sua contraparte no jogo anterior, o Bruxo é dividido em 3 grandes vertentes: Invocação de Fogo, Demoníaco e Ocultismo. Todas são fortes e possuem builds bem diferentes, o que torna o Bruxo algo perfeito para quem gosta de tentar coisas distintas mesmo ao usar a mesma classe múltiplas vezes. Além disso, o visual das habilidades e dos demônios estão excelentes, em especial dos 4 grandes demônios que podemos destravar na quest específica da classe.
Se o seu plano é simplesmente ter mais opções para se divertir nas temporadas do game, eu já poderia dizer que Lord of Hatred vale muito a pena. Tanto o Bruxo quanto o Paladino eram classes muito aguardadas e que entregaram resultados que cumprem as expectativas. É claro que essas classes podem sofrer alterações futuramente, então tenha em mente que essa é uma recomendação feita com base na versão de review, que pode ser diferente em balanceamento da versão final do título.
O temível endgame
O endgame de jogos como Diablo sempre são um dos aspectos mais difíceis de acertar e de manter interessante o suficiente para seus jogadores. Ainda no lançamento do jogo base, essa era uma das coisas mais fracas de Diablo IV, algo que só seria consertado após diversas mudanças e esforço por parte dos desenvolvedores. Com a chegada de Lord of Hatred e todas as alterações que já mencionamos, o endgame do game passa por uma renovação natural. Primeiro, temos algo que será familiar para os jogadores habituados com Path of Exile, já que agora cada atividade de endgame em Diablo 4 possui uma árvore de habilidades própria onde podemos adicionar modificadores para melhorá-las, normalmente ao custo de deixá-las mais difícil.
Isso é feito por meio da nova mecânica de planos de guerra, um mapa em que podemos encadear atividades específicas para realizar em ordem e ganhar pontos para melhorá-las posteriormente. As recompensas são muito boas e a adição é bem interessante à primeira vista, em especial as modificações para cada atividade, mas senti falta de algo mais único para a o plano em si. Afinal, acaba surgindo a sensação que é só uma ordem semi aleatória para fazer as atividades que já tinhamos à disposição.
Além do plano de guerra, também foi adicionada uma mecânica inteiramente nova, além de um uber boss que não iremos contar para evitar spoilers: O Ódio Ressonante. Esse é um evento extremamente raro onde enfrentamos ondas infinitas de inimigos em uma arena vazia que vão ficando mais fortes com o passar do tempo. Para acessá-lo, é necessário um drop extremamente raro, então essa não é uma atividade que o jogador irá enfrentar com frequência.
Embora a atividade em si conte com uma distribuição de loot em quantidades absurdas, em questão de jogabilidade, podemos dizer que houve uma certa decepção. Com a exceção de 4 pilares na arena, não existe muito planejamento além de só sair matando tudo o que vemos na tela, o que me pareceu uma versão mais sem graça e menos interativa do que as Hordas Infernais, um evento presente no game há bastante tempo. É claro que a Blizzard pode mudar isso no futuro, mas no estado atual, as peças adicionais de endgame que vêm com Lord of Hatred ainda deixam a desejar.
Vale a pena?
Diablo IV se consolidou como um dos grandes aRPGs do mercado, e por isso a expectativa em torno de Lord of Hatred é imensa. Essa antecipação se torna ainda mais significativa diante das análises mistas da comunidade sobre Vessel of Hatred, a última expansão lançada. Apesar de alguns tropeços, como uma narrativa um pouco apressada e a ausência de novidades marcantes no endgame, Diablo IV: Lord of Hatred representa o ápice da qualidade alcançada pelo jogo em seus três anos de constante evolução.
Se você liga apenas apenas para a trama e a nova região, não há problemas em esperar por uma promoção, mas se quiser partir para a nova temporada com as novas classes, então essa é uma expansão que não pode faltar em sua biblioteca. Por isso, Lord of Hatred definitivamente se firma como uma fácil recomendação para quem deseja, mais uma vez, mergulhar no sombrio e fascinante mundo do Santuário, mesmo que esse ainda esteja longe de ser o fim da nossa jornada com o game.
Nota do Voxel: 90
Pontos positivos:
História superior a Vessel of HatredSkovos e o visual de suas regiõesExcelentes classes Bruxo e PaladinoRenovação de sistemas e qualidade de vida
Pontos negativos:
Ritmo da história poderia ser mais lentoNovas atividades de endgame poderiam ser mais criativas
Um acesso antecipado de Diablo IV: Lord of Hatred foi cedido pela Blizzard para realização da review no PC.