Manifesto Palantir: o que diz o texto da empresa que defende o uso militar da IA?

Um manifesto publicado pela empresa de tecnologia Palantir acendeu um alerta no Reino Unido ao defender o poder militar, uso de inteligência artificial (IA) em armas e até sugerir hierarquias culturais, tudo isso em meio a contratos milionários com o governo britânico.

A história começa com um daqueles textos que fazem a internet parar por alguns minutos. A Palantir, empresa americana conhecida por trabalhar com dados e segurança, publicou um manifesto no X (ex-Twitter) de 22 tópicos exaltando o poder dos EUA e defendendo ideias que, digamos, não passaram despercebidas. 

Entre as declarações, a empresa afirmou que algumas culturas seriam “disfuncionais e regressivas”, além de defender o retorno do serviço militar obrigatório nos EUA. Também sugeriu que democracias precisam de “poder coercitivo” para sobreviver, e a cereja do bolo foi a defesa de armas com IA, que, segundo o texto, são inevitáveis.

Não demorou para que parlamentares britânicos reagissem.

O fator Alex Karp

Boa parte da controvérsia gira em torno do CEO da empresa, Alex Karp, que já vinha dando declarações fortes nos últimos meses. Ele tem defendido uma maior colaboração entre empresas de tecnologia e governos, especialmente na área militar, e também critica o que vê como uma falta de ambição no setor.

Para o executivo, muitos engenheiros estariam focados em criar aplicativos do dia a dia, como redes sociais, em vez de atuar em projetos mais estratégicos, ligados a defesa e segurança.

Em uma entrevista à CNBC em março, Karp também sugeriu que a IA pode mudar o equilíbrio político, afetando diferentes grupos de eleitores. Essas falas ajudaram a construir a imagem de que ele não se vê apenas como executivo, mas como alguém opinando sobre o rumo da sociedade.

A Palantir tem mais de £ 500 milhões em contratos no Reino Unido, incluindo um acordo de £ 330 milhões com o sistema público de saúde, o NHS, além de parcerias com a polícia e o Ministério da Defesa.

Com o manifesto, parlamentares passaram a questionar se uma empresa com esse tipo de posicionamento deveria ter acesso a dados tão sensíveis e alguns defendem até o rompimento dos contratos, o que, claro, não é uma decisão simples nem rápida.

Críticos argumentam que o problema não é só o tom do manifesto, mas o que ele revela sobre a visão da empresa. Para eles, há um risco em concentrar tanto poder tecnológico , e acesso a dados, em uma companhia com posicionamentos ideológicos tão explícitos.

A Palantir, por sua vez, tentou puxar a conversa para outro lado e, em resposta às críticas, destacou que seu software ajuda a melhorar diagnósticos no sistema de saúde, apoiar operações militares e até combater violência doméstica.

A empresa também ressaltou sua presença no Reino Unido, dizendo que parte significativa de sua equipe está baseada no país.