CPUs para IA agora são tão cruciais quanto GPUs e podem sofrer com escassez

O mercado de processadores entrou na mira dos data centers por conta da evolução das IAs Agênticas e empresas como a Intel esperam ganhar muito dinheiro com isso. Servidores para esse tipo de tecnologia exigem uma quantidade absurdamente maior de CPUs e isso deve encarecer o mercado doméstico.

Em uma reunião sobre resultados financeiros, o CFO da Intel David Zinsner comentou a respeito sobre o aumento na proporção de CPUs para data centers de IAs Agênticas. Antes, o treinamento de IAs “normais” poderia exigir um processador para um rack com oito placas de vídeo, mas nesse novo formato o número de CPUs necessário pode ser igual ao de GPUs.

Isso significa que se antes um data center tinha 100 processadores para 800 placas de vídeo, agora será preciso de 800 processadores para lidar com essas 800 placas. Como essas IAs são muito mais complexas, a proporção pode convergir em algo perto de 1:1 nos servidores ou até mesmo pender mais para o lado dos processadores.

Linha Intel Xeon se torna o carro-chefe da Intel. (Imagem: Intel/Divulgação)

O motivo para essa necessidade aumentada é que modelos agênticos precisam executar tarefas e não apenas responder a uma pergunta. Mesmo que as GPUs, como os modelos da Nvidia, sejam extremamente potentes, é preciso que os processadores acompanhem o ritmo para não desacelerar o sistema.

Intel ganha mais receita com IA, mas preço de chips sobe

Para a Intel e sua grande concorrente, a AMD, essas são ótimas notícias. O próprio time azul anunciou uma receita de US$ 13,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano, principalmente graças aos seus chips para servidores. Em outras palavras, essa alta demanda por IAs está impulsionando a retomada de mercado da Intel.

Informações do Commercial Times apontam que o preço de CPUs para data centers aumentou entre 10% e 20% em março deste ano, enquanto para PCs domésticos o reajuste foi de até 10%. Também é dito que a Intel irá priorizar a fabricação dos processadores Xeon para data centers em relação aos processadores para uso diário.

A companhia espera que a venda total de unidades de computadores reduza em dois dígitos percentuais para 2026 e aposta as fichas no mercado de IA. “Ao analisarmos a taxa de crescimento daqui para frente, a demanda por CPUs se tornará uma parte significativa do mercado total de IA”, explicou Zinsner.

Com a alta nas receitas recentes nos dois últimos trimestres, a Intel volta a ocupar uma posição de maior destaque no cenário global. Dado o aumento de envios de processadores Xeon ao longo do ano, a expectativa é que a empresa tenha maior estabilidade, já que perdeu bastante terreno para a AMD desde o início da década.

Na semana passada, a Intel revelou os processadores Wildcat Lake para integrarem notebooks mais baratos com funções de inteligência artificial, em um plano para driblar a crise de componentes. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.