
25 abr Que fim levou o Koo, rede social indiana que conquistou os brasileiros?
É tarefa difícil uma rede social emplacar de repente em um mercado tão difícil quanto o atual, mas uma plataforma indiana tentou disputar o setor com uma ajuda inusitada do Brasil. É o Koo, um serviço similar ao Twitter em formato e funcionamento.
Durante poucos anos, o Koo virou piada no país, mas os acessos foram tantos a ponto de encher uma pequena empresa de esperanças de que ela poderia fazer frente a um nome forte da internet. Com o tempo, porém, a dura realidade do setor bateu à porta.
Você sabe exatamente o que era e o que aconteceu com o Koo, a rede social “abraçada” de forma temporária pelo brasileiro? A seguir, conheça ou relembre essa história e descubra qual o atual paradeiro desse serviço de nome tão peculiar.
O início das atividades do Koo
O Koo nasceu em março de 2020 na Índia, já como uma rede social de microblogs nos mesmos moldes do Twitter. A ideia desse novo serviço era inicialmente se estabelecer como uma alternativa local à plataforma mais famosa.
Criada por Aprameya Radhakrishna, que foi o CEO do empreendimento, a plataforma usava como logo uma ave amarela, remetendo ao passarinho azul do rival.
Um ano depois do lançamento e até então discreto no mercado, o Koo ficou repentinamente popular na Índia por abrigar uma migração de integrantes do governo do primeiro-ministro do país, Narendra Modi.
Na época, a administração entrou em conflito com o Twitter e houve o risco de bloqueio do site no país, o que gerou uma saída em massa para o Koo. Como consequência, usuários antigos reclamaram da falta de moderação da rede, que passou a amplificar discursos de ódio e preconceito contra populações como a ala muçulmana do país.
A rede social no Android. (Imagem: Google Play Store/Reprodução)
O funcionamento da rede social era muito similar à inspiração original. Ela permitia desde o início a publicação de textos, imagens, GIFs animados e vídeos de curta duração, além da realização de enquetes.
Porém, o limite era de até 500 caracteres para qualquer usuário — praticamente o dobro do rival famoso — e com possibilidade de publicar threads (fios ou sequências de postagens de um mesmo tema).
Outro destaque era a opção de editar as publicações, porém apagando curtidas e comentários feitos na versão original da postagem. Essa funcionalidade só apareceu no X mais tarde e restrito para assinantes pagos.
A explosão no Brasil
A segunda onda de popularização do Koo aconteceu por causa do Brasil. Em 2022, quando Elon Musk adquiriu o Twitter por US$ 44 bilhões, trocou o nome da empresa para X e passou a promover várias mudanças nas operações, parte da comunidade ficou descontente com as políticas da nova gerência.
A escolha do Koo em vez de outro serviço não foi por acaso. O nome, que é “o som de um pássaro cantando” de acordo com o cofundador Mayank Bidawatka, virou uma grande piada no país pela similaridade com outro termo em português.
Felipe Neto foi uma das várias celebridades a brincar com a rede social. (Imagem: Reprodução/Poder 360)
Foram muitas as postagens de duplo sentido envolvendo criar, atualizar ou conferir o perfil de outras pessoas na plataforma. A própria companhia entendeu o bom momento de popularidade e passou a fazer piadas em uma conta do Twitter dedicada ao Koo no Brasil.
Em novembro de 2022, o Koo ganha uma versão em português e uma equipe de comunicação é contratada para lidar diretamente com os novos usuários. A alta quantidade de acessos aqui do país fez até a plataforma passar por instabilidades nos servidores durante algumas horas, algo então inédito para o serviço.
O que aconteceu com o Koo?
Toda a empolgação do Koo em virar uma alternativa viável ao Twitter em locais como o Brasil durou pouco. O público nacional se cansou das piadas com o nome ao passar das semanas e abandonou as contas criadas na rede social, frustrando a equipe indiana.
A companhia até passou por rodadas de investimento que levantaram fundos suficientes para gerar empolgação com uma expansão, mas não para manter as operações a longo prazo. Nesse período, ele ganhou até uma integração com o ChatGPT.
Além da dificuldade na retenção de usuários, a companhia tinha dificuldade de gerar receita — ela não era grande o suficiente para atrair anunciantes ou para lançar um plano de assinatura.
Os investimentos não foram traduzidos em ganhos na prática e novos interessados em injetar dinheiro na plataforma não chegaram quando ficou nítido que o momento do serviço era passageiro. Até a venda para outra empresa foi considerada, mas isso não se concretizou.
Ela foi obrigada a realizar demissões para se ajudar à nova realidade em 2023 e, em 2 de julho do ano seguinte, o Koo encerrou as atividades em definitivo pelos problemas de caixa.
A postagem de espedida do Koo. (Imagem: Reprodução/X)
A despedida para o público brasileiro foi amigável: “Não se preocupe. Sempre teremos boas lembranças um do outro. Interagir com sua positividade, por mais curta que tenha sido, foi um romance que sempre valorizaremos. (…) Nós amamos vocês“, disse o perfil do Koo no X.
No auge do funcionamento, o Koo acumulou alguns números interessantes para uma plataforma em fase de consolidação:
mais de 60 milhões de downloads, sendo 2 milhões de downloads só em uma semana quando virou febre no Brasil;aproximadamente 8 mil VIPs, que eram perfis de influenciadores;cerca de cem contas de jornais e outros veículos de comunicaçãoo equivalente a R$ 330 milhões em investimentos para expandir e manter as operações;
O fim do Koo ainda ficou marcado por uma uma mudança no ecossistema das redes sociais. Nem mesmo a continuidade da gestão de Musk ou o bloqueio do X por um mês no Brasil fez alternativas ao Twitter decolarem de fato. Concorrentes como Mastodon e Bluesky seguem nichados e menos conhecidos, enquanto o Threads acumula muitos downloads pela ligação com o Instagram, mas sem tanto engajamento quanto o desejado pela Meta.
Já o Koo, que não sobreviveu ao mercado duro das redes sociais, hoje é lembrado pelo brasileiro como piada, apesar de ter sido um empreendimento sério e cheio de potencial.
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