União Europeia pressiona Google a abrir Android para rivais de IA e amplia disputa no setor

A União Europeia enviou na segunda-feira, 27, orientações para que o Google abra o Android a serviços concorrentes de inteligência artificial (IA), em um movimento que pode mexer diretamente na forma como usamos nossos celulares.

Segundo a Comissão Europeia, as medidas “visam garantir que os serviços de IA concorrentes possam interagir eficazmente com as aplicações nos dispositivos Android dos utilizadores”, permitindo executar tarefas como mandar mensagens, pedir comida ou compartilhar arquivos sem depender das ferramentas do próprio Google.

Esse movimento faz parte da Lei dos Mercados Digitais (DMA), legislação que tenta limitar o poder das grandes plataformas digitais, as chamadas “gatekeepers”. A regra obriga empresas dominantes a abrirem espaço para concorrência, especialmente em áreas consideradas estratégicas, como busca, aplicativos e agora IA.

Do lado do Google, a reação veio rápida e em tom crítico. Em resposta às propostas da Comissão Europeia, a empresa classificou a iniciativa como uma “intervenção injustificada” e afirmou que ela pode “aumentar desnecessariamente os custos, ao mesmo tempo que compromete proteções essenciais de privacidade e segurança para usuários europeus”.

O embate também ganhou um componente político, considerando que o governo do presidente Donald Trump já criticou duramente tanto a DMA quanto outras regras digitais europeias, acusando Bruxelas de mirar desproporcionalmente empresas americanas de tecnologia.

Apesar disso, o processo ainda não é uma investigação formal, as medidas fazem parte de conclusões preliminares iniciadas em janeiro deste ano, e agora entram em fase de consulta pública. Empresas e interessados têm até maio para enviar sugestões antes de uma decisão final, prevista para os próximos meses.

Se a Comissão Europeia entender que o Google não cumpriu as exigências, o caso pode escalar. Violações da DMA podem levar a multas de até 10% do faturamento global da empresa, valor alto para uma gigante que já acumula histórico de punições, incluindo uma multa de 2,95 bilhões de euros aplicada em 2025 em outro caso de concorrência.