
29 abr Só Elon Musk pode se demitir da SpaceX, mostra documento
Ninguém pode demitir Elon Musk dos cargos de CEO e presidente do conselho da SpaceX sem que o próprio bilionário autorize. É o que mostra um documento elaborado pela empresa em preparação para a sua abertura de capital, revelado pela Reuters nesta quarta-feira (29).
De acordo com o texto, qualquer tentativa de remoção do empresário de suas posições de liderança precisa passar por votação que apenas ele tem poder para autorizar. Isso faz parte da estrutura que a companhia aeroespacial pretende adotar a partir do IPO, previsto para acontecer ainda em 2026.
Poder concentrado em Elon Musk
A ideia da SpaceX é seguir um modelo com duas classes de ações, como detalha o documento obtido pela agência de notícias. Esse sistema normalmente é adotado em empresas de tecnologia gerenciadas por seus fundadores.
Uma delas consiste nas ações comuns, destinadas aos investidores do mercado, com menor peso em votações;Já a segunda classe, que inclui ações especiais, é para pessoas que possuem ligação com a organização, oferecendo poder muito maior de voto;Como Musk controla a maioria das ações que dão direito ao “supervoto”, terá a possibilidade de concentrar o poder em si mesmo;Dessa forma, conseguirá escolher a maioria do conselho e influenciar decisões estratégicas, inclusive sobre a sua continuidade à frente da companhia.Elon Musk terá ainda mais poder a partir da abertura de capital da SpaceX. (Imagem: Michael Gonzalez/GettyImages)
O documento cita que a estrutura poderá limitar ou até impedir, em certos casos, a capacidade de participar de definições corporativas e na eleição de diretores. Trata-se de um alerta às pessoas que tenham interesse em adquirir os papéis.
Na prática, investidores que queiram demitir Musk da SpaceX não teriam votos suficientes para formar maioria. Embora o modelo seja comum, o nível de controle é considerado extremo, como aponta a reportagem.
Casos semelhantes
A estrutura de ações descrita pela empresa aeroespacial se assemelha à adotada pelo Facebook. Em 2012, quando entrou na bolsa, a rede social negociou ações com maior poder de voto para investidores ligados a ela.
Com a venda dos papéis ao longo do tempo, Mark Zuckerberg passou a concentrar ainda mais o poder que já possuía. A abertura de capital da Figma também envolveu um modelo parecido, valorizando os fundadores.
Questionados, Musk e a SpaceX não se pronunciaram a respeito do sistema descrito no documento.
Siga no TecMundo e saiba como a empresa está se preparando para realizar o “maior IPO da história”, segundo documentos anteriores.