M&A global bate recorde histórico no 1º trimestre de 2026

Esta semana o PitchBook divulgou seu Q1 2026 Global M&A Report, e o número de destaque é difícil de ignorar. A atividade global de M&A atingiu um marco histórico, com o valor total de transações chegando a US$ 1,6 trilhão no primeiro trimestre — um novo recorde trimestral, com alta de 50,6% na comparação anual e 8,8% em relação ao trimestre anterior, distribuído em quase 13.900 transações.

Esse salto acontece apesar de um cenário marcado por tensões geopolíticas, incertezas comerciais e a disrupção crescente provocada pela IA — o que torna a força do mercado ainda mais notável.

América do Norte concentra o movimento (com asterisco)

A América do Norte voltou a dominar o cenário, respondendo por mais de US$ 1 trilhão em valor transacionado, um recorde absoluto e uma alta significativa tanto na base trimestral quanto anual. Vale o adendo: os números foram fortemente distorcidos por uma única transação — a aquisição de US$ 250 bilhões da xAI pela SpaceX, operação entre partes relacionadas que, sozinha, redesenhou os totais do setor de TI e escancara o quanto o mercado está concentrado em mega-deals.

Para além do efeito SpaceX–xAI, alguns movimentos estruturais chamaram atenção:

Consolidação em serviços financeiros segue ativa;Carve-outs corporativos continuam frequentes;Participação dos sponsors (private equity) permanece forte.

O private equity, aliás, segue como protagonista: respondeu por cerca de 40% do volume global de transações e 50% do valor total, com destaque para grandes take-privates e secondary buyouts em diversos setores.

E os valuations?

Os valuations contam uma história importante — e reforçam o quão seletivo o mercado se tornou. O múltiplo mediano global de EV/EBITDA expandiu para 10,7x em base de doze meses (LTM), o maior nível desde 2021 e acima das médias pré-pandemia.

Transações lideradas por corporates ficaram em média a 9,8x, alta expressiva ante 2024;Operações de private equity seguem em patamar elevado, a 12,6x.

A dispersão fica ainda mais clara quando olhamos por tamanho de transação:

Deals acima de US$ 5 bilhões negociaram em torno de 13,9x;Deals abaixo de US$ 100 milhões ficaram próximos de ~8x.

Ou seja: há um prêmio significativo para escala, qualidade e percepção de resiliência.

A leitura final

O recado é razoavelmente direto: M&A voltou — mas de um jeito muito específico. O capital está fluindo para ativos maiores, de alta qualidade e a valuations premium, com concentração crescente no topo da pirâmide, enquanto as transações menores seguem ficando para trás.

Em outras palavras: o mercado reabriu, mas a porta de entrada está mais estreita do que nunca.