
07 maio Brasileiro descobre possível ‘corta caminho’ para chegar até Marte
O astrônomo brasileiro Marcelo de Oliveira Souza pode ter encontrado a solução para um dos principais problemas que dificultam as missões tripuladas para Marte. Ele sugere um “atalho” capaz de reduzir a viagem pela metade, ou até mais, a partir de trajetórias de asteroides.
Detalhes da proposta estão em um estudo publicado recentemente na revista Acta Astronautica, no qual ele apresenta duas opções de rotas que durariam, no máximo, 226 dias, considerando a ida, a estadia e a volta do Planeta Vermelho. No momento, missões completas podem durar até três anos.
Chegando em Marte em apenas 33 dias
Analisando trajetórias de asteroides que cruzam as órbitas dos dois planetas para descobrir novos atalhos orbitais, o especialista da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) focou em uma rocha espacial específica. O 2001 CA21 chamou a atenção por seguir caminhos incomuns.
Enquanto se aprofundava nas trajetórias do objeto, durante 10 anos, Souza identificou “configurações orbitais” que encurtam o caminho entre a Terra e Marte;Tais configurações são como rotas naturais no espaço que se baseiam na dinâmica gravitacional para tornar as viagens muito mais rápidas do que a partir de cálculos convencionais;Seguindo o conceito, uma das propostas exploradas pelo autor afirma ser possível chegar ao Planeta Vermelho em até 33 dias após o lançamento da missão;Neste cenário extremo e de alto gasto energético, os astronautas ficariam 30 dias em solo marciano e gastariam 90 dias para retornar à Terra, totalizando uma missão de 153 dias.O astrônomo brasileiro calculou as trajetórias mais rápidas para Marte após 10 anos de análises. (Imagem: UENF/Divulgação)
Já em outra alternativa hipotética abordada no estudo, mais realista e considerando gastos reduzidos de energia, a viagem de ida demoraria 56 dias. Por sua vez, o tempo total da missão seria de 226 dias, incluindo a estadia e a volta para casa.
De qualquer forma, as propostas do cientista brasileiro superam, e muito, o tempo de viagem das missões não tripuladas mais recentes. Apenas a ida costuma durar de seis a nove meses, dependendo da mecânica orbital, do gasto de combustível e outros fatores.
Benefícios para os astronautas
A realização de viagens espaciais mais rápidas para Marte oferecem vários benefícios para os astronautas, o que viabilizaria tais projetos. Um deles é a redução da exposição à radiação.
Os viajantes também enfrentariam um tempo de isolamento muito menor, diminuindo os riscos de problemas psicológicos, e sofreriam menos com os impactos físicos causados pela microgravidade. Por outro lado, as missões curtas podem depender do desenvolvimento de novas tecnologias.
No estudo, o brasileiro propõe até uma data de lançamento para aproveitar o alinhamento perfeito entre os dois planetas e condições favoráveis para encurtar a viagem, em relação aos planos orbitais: 20 de abril de 2031.
“Missões tripuladas provavelmente devem acontecer nas próximas décadas. O que pesquisas como a minha mostram é que existem maneiras de tornar essas viagens mais rápidas, o que pode reduzir os riscos para os astronautas”, comentou Souza, ao site da UENF.
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