Lula defende proibição ao uso de IA nas eleições

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a proibição ao uso de inteligência artificial nas eleições deste ano, apoiando as restrições anunciadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Referindo-se às deepfakes, ele disse que a tecnologia pode acabar “servindo aos mentirosos”.

Dessa forma, comentou que não aceitará a utilização dessas ferramentas na sua campanha em busca da reeleição. A fala aconteceu durante o evento de entrega de novas unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em Camaçari (BA), nesta quinta-feira (14).

Promovendo conteúdos falsos

Lembrando os benefícios que a IA traz para a saúde, a educação e a ciência, Lula apontou que a tecnologia pode não ter os mesmos efeitos positivos no contexto da disputa eleitoral. O problema está na facilidade de criar e disseminar conteúdos falsos.

Com as ferramentas inteligentes mais recentes, é possível manipular imagens para gerar cenas que não existiram, enganando muitas pessoas, como disse o petista;”Se a gente quiser, a gente poder fazer o Lula artificial. Fazer comício em 27 estados no mesmo dia e no mesmo horário. Eu estou lá, mas não estou”, comentou, destacando os avanços tecnológicos;Na sequência, o presidente argumentou que a política deve ser baseada em “olhar nos olhos do povo”, para que o eleitor saiba se o candidato está mentindo, o que a IA não permite;Ele também afirmou ter ficado sabendo das restrições que serão impostas pelo TSE na terça-feira (12).Segundo Lula, a IA pode ter efeitos negativos na campanha eleitoral. (Imagem: Joa_Souza/Getty Images)

“Eu estava na posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (Kássio Nunes Marques) e ele disse uma coisa assim: ‘Eu vou proibir inteligência artificial dois dias antes das eleições’. E eu achei maravilhoso”, contou.

Lula ressaltou, ainda, que é necessária uma discussão mais ampla sobre o assunto, envolvendo o Poder Legislativo, para regulamentar o uso da IA nas campanhas eleitorais.

Proibição à IA nas eleições

As restrições citadas pelo presidente estão na resolução aprovada pelo TSE sobre as regras de propaganda eleitoral para o próximo pleito. Entre elas, há a proibição de publicar, republicar ou impulsionar materiais feitos por IA nas 72 horas anteriores ao dia da votação.

O mesmo vale para as 24 horas seguintes, com o descumprimento podendo levar à remoção imediata do conteúdo e até à indisponibilidade da plataforma. Além disso, há restrições quanto ao ranqueamento, recomendação, priorização e sugestão de tais materiais.

Vale lembrar que as Eleições 2026 estão marcadas para o dia 4 de outubro, quando acontecerá o primeiro turno. Se necessário, o segundo turno ocorrerá no dia 25 do mesmo mês.

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