
14 maio Review: Forza Horizon 6 mantém a franquia como referência no gênero em um match perfeito com o Japão
Forza Horizon 6 é o novo capítulo da franquia de corrida que se tornou referência no gênero. Mais uma vez o game traz um imenso mapa aberto, desta vez situado no Japão, onde é possível vagar livremente em busca de corridas e outras atividades para se tornar uma lenda sobre quatro rodas.
O novo jogo aposta em uma progressão mais real, onde é preciso vencer provas para ganhar veículos compatíveis com seu nível, além de uma integração maior com os modos online. Mas será que tudo isso é suficiente para agradar os fãs do gênero e ampliar o seu público? Confira o review completo!
Japão é o palco perfeito para o jogo
Desde o primeiro game, Forza Horizon usa uma determinada localidade para servir de palco para suas corridas. Com o passar dos anos, e com o crescimento dos jogos, a solução foi incluir todo um país, mesmo que de uma forma reduzida, para ser a base para as suas provas e atividades.
O sexto capítulo finalmente chega ao aclamado Japão, país onde não é preciso nenhuma pesquisa ou algo do tipo para descobrir que é um dos locais mais desejados pelos fãs da franquia. E o motivo são vários, desde a sua ligação com a cultura local, até por ser o país de onde surgiram dezenas de marcas famosas e seus icônicos carros.
Diante disso, me arrisco a dizer que foi a aposta mais segura de todos os games da série. Afinal, não faltaram referências a outros jogos, filmes e séries, para preencher todo o universo do título. Por exemplo, duvido você não se lembrar de Velozes & Furiosos: Desafio em Tóquio durante as corridas noturnas em Tóquio, ou nos desafios de Drift. Isso sem falar da representação quase perfeita de locais icônicos, como o cruzamento de Shibuya que, pelo menos no game, nunca fica com sinal aberto.
Além disso, o mundo urbano combina muito com a proposta do jogo. Algo que me incomodou no último título foi justamente a escolha do México como o universo do game. Por mais que a cultura local seja rica, ela não tem tanta ligação com um game de corrida, trazendo uma atmosfera mais “irreal” onde era preciso explorar templos e outras localidades que nada tem a ver com o mundo do automobilismo, como por exemplo as avenidas movimentadas, circuitos rurais, e até mesmo estradas cheias de curvas do dia a dia do Japão.
Sendo assim, até o momento não faço ideia do que um provável Forza Horizon 7 nos reserva, mas a Playground Games terá pela frente uma enorme dor de cabeça para encontrar um país, ou uma localidade maior, que se encaixe tão bem como o Japão neste sexto capítulo da franquia.
De turista à lenda local
Mais uma vez o game te coloca no controle de um piloto aspirante, cujo objetivo é se tornar uma lenda do tradicional festival Forza Horizon. Entretanto, dessa vez você chega com um ar de turista, dividindo sua atenção entre vencer corridas e outras provas, com a de explorar toda a rica região do Japão. Porém, na prática, nada muda, seu foco continua sendo vagar livremente pelas estradas, e disputar todo tipo de atividade que surge pelo caminho.
Dessa vez, é possível notar uma certa “dificuldade” para evoluir no game, principalmente no que diz respeito a preencher a sua garagem. O principal ponto é a ausência da chuva de sorteios que eram comuns nos últimos games da franquia. Eles ainda estão lá, mas são conquistados de uma forma mais progressiva.
Em outras palavras, é preciso correr muito para conseguir rodar as famosas roletas, que por sua vez dão carros, dinheiro, ou itens de personalização. Vale ressaltar que a sua garagem não ficará vazia, mas a frequência com que os veículos são distribuídos está mais justa, obrigando você a cumprir mais tarefas adicionais, do que esperar para ser contemplado em algum sorteio que, como dito anteriormente, estão mais raros.
Fora isso, as novidades em relação aos outros jogos não são muitas. Há o sistema de pulseiras, como se fossem níveis, que precisam ser conquistadas para assim liberar novas corridas e atividades. Entretanto, esse sistema se mostrou um pouco frustrante na parte final do jogo, mais precisamente da pulseira Laranja para Roxa. Assim como boa parte dos jogadores, optei por seguir meu progresso nas corridas tradicionais, ou eventos similares, como provas de drift e arrancadas. Porém, ao liberar a pulseira roxa fui obrigado a cumprir uma série de desafios, sem qualquer corrida nova.
Ou seja, tive que ficar um bom tempo cruzando radares de velocidade, saltando de precipícios, fazendo pontos de drifts em curtas distâncias, para assim conseguir uma nova pulseira, e por sua vez ter novas corridas para serem disputadas além das que já tinha vencido. Essa pode ser uma linha de corte grande, principalmente para quem não tem paciência com esse tipo de tarefa, já que você é obrigado a cumprir dezenas delas. Faltou um equilíbrio entre a obrigatoriedade desses desafios, já que, assim como boa parte dos jogos parecidos, o foco são as corridas e não esses passatempos, que na minha opinião são excessivos ao longo do jogo.
Mas não se preocupe, pois até chegar a este momento o que não faltam são corridas. E elas mais uma vez são as estrelas do jogo, principalmente pela variedade de provas ao longo da jornada. Embora basicamente elas se resumem em chegar na frente depois de algumas voltas, ou completar 100% de um trajeto, ainda sim o tipo de circuito e os carros relacionados agradam bastante. Foram poucas as vezes em que disputei corridas similares em sequência, mesmo com sempre quatro opções de prova seguintes como sugestões para serem escolhidas.
E se não bastasse, ainda há uma série de minigames que podem ser feitos a qualquer momento do jogo. Destaque para o trabalho como entregador, no melhor estilo Uber Eats e plataformas similares. Nele, você precisa conduzir um pequeno carro de entregas, para levar comida de um restaurante até o seu destino. E se no começo do trabalho tudo é simples e básico, à medida com que você progride, o game traz atividades bem divertidas para o seu trampo.
Elas variam, desde conduzir a entrega com cuidado para não danificar a comida, até “meter o louco” e destruir o máximo possível de coisas até o seu destino, ou fazer uma pontuação alta de drift no trajeto entre o restaurante e o cliente. Esse é de longe o trabalho mais divertido do game, mas há outros que também merecem destaque, como o de tirar fotos para uma revista especializada, que variam desde um simples registro na praia, até a foto perfeita de um veículo em altíssima velocidade.
Já a parte de personalização, também ganhou novidades. O seu personagem continua tendo um bom leque de acessórios para o dia a dia, o que inclui até mesmo itens inusitados, como um capacete de astronauta. Mas a grande novidade são as residências e suas garagem. Agora é possível personalizar todo o local, tirando e colocando objetos para expor os seus veículos.
E pelo que vi nos modelos disponíveis de outros jogadores no modo online, o que não falta é criatividade para desenvolver esses locais. Há desde garagens dignas de uma equipe de corrida, até outras inusitadas que parecem um quarto de uma criança, com direito a dinossauros de plástico. Embora curioso, confesso que este modo não me pegou, e foi pouco o tempo que perdi personalizando algo.
No modo online, há o Horizon Play, que traz uma série de corridas e gincanas para disputar com outros jogadores online. Destaque para o modo Esconde Esconde que, como o nome sugere, é preciso se esconder com seu carro, enquanto outro jogador tenta te encontrar. De resto, há os mesmos modos, que continuam dando uma liberdade enorme em relação à criação de corridas. Por exemplo, é possível marcar o ponto de início e fim de uma prova, além de determinar as regras para a realização da mesma, e compartilhar com amigos ou outras pessoas.
A junção perfeita entre arcade e simulação
Forza Horizon nasceu como a versão arcade da sua franquia mãe, Forza Motorsport. Entretanto, diferente de outros jogos similares, como GRID e Need For Speed, o título da Playground Games permite configurar a sua jogabilidade para níveis que deixam tudo ainda mais real. O sexto capítulo da série não foge dessa linha. Muito pelo contrário, graças às tecnologias atuais, é possível alterar de uma forma muito significativa como você irá pilotar os seus carros, seja no mais alto nível de realismo, beirando a simulação, ou em elementos totalmente voltados para o arcade, onde bater no muro é mais vantajoso do que pisar no freio.
E ainda sobre pilotar, essa também é a versão onde fica mais nítida a diferença de um carro para outro. Por exemplo, a categoria A foi uma das que mais utilizei ao longo da minha trajetória no game, e ficou fácil de notar as particularidades de cada veículo, mesmo que do mesmo nível. Enquanto o Dodge Viper GTS 1999, desliza facilmente de traseira, sendo ideal para provas de rally e drift, o Range Rover Sport é muito mais estável. Embora ele não chegue perto da mesma velocidade, é perfeito para corridas em meio a florestas cujas estradas são de terra e repletas de rampas de saltos.
Essa mecânica me obrigou a experimentar uma série de carros diferentes até encontrar meus favoritos para cada prova, também servindo como desculpa para ampliar a minha garagem na busca por encontrar substitutos para os atuais queridinhos da minha lista. Além disso, as opções de tunagem também continuam disponíveis para quem deseja fazer alterações mais profundas em seus carros.
Tive um Mitsubishi Eclipse de 1995, o famoso “carro do Brian” de Velozes e Furiosos, cuja velocidade não era uma das melhores. Depois de fazer algumas alterações, e sacrificar a sua aderência nas pistas, finalmente tive um carro competitivo para as provas da sua categoria. Porém, leva um tempo até você encontrar o ponto ideal, sendo necessário repetir boa parte de algumas provas para ir testando as modificações, o que não é recomendado para os menos pacientes que só querem correr e nada mais.
Vale destacar também o quanto os diferentes tipos de relevos, pistas e condições climáticas afetam a jogabilidade. As corridas na neve são um show à parte, tanto no quesito visual, que darei mais detalhes ao longo do texto, como na pilotagem. Há uma série de corridas em meio ao gelo, onde o seu carro simplesmente desliza, te deixando sem qualquer controle sobre ele. Embora seja um tanto traiçoeiro, o trecho passa uma sensação absurda de realidade, e ao mesmo tempo faz com que você redobre a atenção ao se deparar com ele.
Já as provas de Drift são mais acessíveis que outros jogos do gênero. Ainda é preciso ter um bom controle do carro para que ele não saia rodopiando ao invés do balé clássico da derrapagem. Porém, esse tipo de manobra é mais fácil de ser realizada em Forza Horizon 6 tornando-a mais acessível, já que ainda há uma parcela grande de jogadores que não gostam dessa parte inserida em jogos do gênero.
Para completar vale destacar também o quanto a transição de pistas é muito bem realizada. O maior exemplo é quando você disputa uma prova que passa da estrada para o asfalto. A sensação é quase de alívio ao sair de um piso deslizante para algo mais aderente. Isso também vale para pistas molhadas, seja pela chuva ou pela passagem no entorno de lagos, etc. Um verdadeiro show de realismo que agrada qualquer.
Visual realista, imersivo e impressionante
Não é exagero algum dizer que Forza Horizon 6 é um dos games mais lindos que já joguei. Desde a famosa introdução ao game, com uma volta de carro por alguns dos principais pontos do Japão, já é possível ter noção do quanto o título impressiona do início ao fim.
Antes é preciso dizer que a versão utilizada para a produção do review rodou em um PC com a seguinte configuração:
Placa Mãe: Asus Rog Strix Z790-h Gaming Wifi
Placa de Vídeo: GeForce 4090 Processador: Intel i7 14700k Memória RAM: 32GB Kingston Fury Renegade
Com isso, pude jogar o game com todas as opções visuais no Extremo, que é a configuração mais alta de gráficos. E dessa forma pude usufruir de um Forza Horizon 6 que faz questão de mostrar que, além de um divertido game de corrida, é um belo exemplo do que as tecnologias atuais são capazes de proporcionar. A começar pelos astros do jogo: os carros. O nível de detalhes de cada um deles chama muito atenção, desde a parte interna, seja carregada de aparatos inovadores como telas e velocímetros digitais, até os painéis icônicos de décadas atrás que são inconfundíveis em diversos modelos.
No PC, as tecnologias das placas da NVIDIA dão um brilhantismo a mais. No game, é possível alternar entre ativar a tecnologia de reflexos das estradas e outras partes dos cenários, como lagos e vidros de residências e lojas, ou optar por centralizar esses reflexos no seu carro. Em ambas as opções é impossível não se impressionar com o quanto tudo é muito real. Difícil é escolher entre uma delas, já que não é possível ter as duas ao mesmo tempo em funcionamento.
E ainda sobre a versão para PC, o desempenho também foi algo que me impressionou. Durante mais de 50 horas de corridas e outras atividades pelo Japão, o jogo foi reproduzido sempre em torno de 220 fps, e sem qualquer problema de queda de frames ou travamentos. Para efeito de comparação, cerca de uma semana atrás, o mesmo PC sofreu para rodar Crimson Desert em “apenas” 120 fps.
Por fim, como nem tudo são flores, é preciso também criticar um problema que vem se arrastando desde o primeiro título da franquia: a falta de capricho com alguns elementos do cenário. Para ser mais preciso, me incomoda muito o fato do jogo prezar pelo realismo de mínimos detalhes, e abrir mão de algo banal que é a presença de “humanos” no game.
Todo título é sempre a mesma plateia que parece de papelão, e que quebra um pouco daquele brilhantismo da parte visual. Em um momento específico do game, é preciso saltar de uma rampa, e tirar uma foto, no famoso cruzamento de Shibuya, um dos mais movimentados do mundo. Ao registrar o momento fica nítido o quanto aquela cena poderia ser melhor produzida, com elementos mais reais do que simples personagens que sequer possuem um olhar para a cena principal. O mesmo vale para corridas, onde ficam observando uma estrada vazia, cujos carros já partiram.
Isso compromete o jogo? De forma alguma! Mas ainda sim incomoda, principalmente por se tratar de um game que será referência na parte visual por boa parte desta atual geração de consoles e PC.
Vale a pena?
Forza Horizon 6 deu o match perfeito com o Japão e se tornou o melhor capítulo da franquia. Nunca foi tão divertido gastar horas e horas percorrendo o imenso e imersivo mapa do game, com centenas de atividades para serem completadas. Tudo isso com um visual de tirar o fôlego, e uma jogabilidade que agrada aqueles que não possuem tanta intimidade com o volante, e que ao mesmo tempo traz uma cardápio enorme de elementos personalizáveis para deixar o jogo com cara de simulador.
Mesmo que o game ainda cometa erros do passado, como não dar qualquer protagonismo ao protagonista, ou insistir em elementos irreais para compor o que deveria ser a parte “viva” dos cenários, ainda sim é quase um jogo perfeito, o que o torna obrigatório para todos os fãs do gênero e amantes do automobilismo.
NOTA FINAL: 95
Pontos positivos (Prós):
O Japão foi o cenário perfeito para o jogo Jogabilidade traz a junção perfeita entre o arcade e a simulaçãoGráficos ultrarrealistaCentenas de atividades divertidas Variedade de personalização de carros, personagens e garagem
Pontos negativos (Contras):
Protagonista continua irrelevante Alguns elementos dos cenários são artificiais demais Obrigatoriedade de concluir dezenas de atividades além das corridas
E você, está ansioso por Forza Horizon 6? Conte para a gente aqui nos comentários!