
14 maio Samsung e sindicato não chegam a acordo e greve se aproxima
As negociações entre a Samsung Electronics e o sindicato que representa os funcionários da empresa na Coreia do Sul chegaram ao fim sem acordo, na quarta-feira (13), aumentando as chances de greve. A paralisação está prevista para começar no próximo dia 21.
De acordo com o The Chosun Daily, as conversas se estenderam por 17 horas, deixando os participantes exaustos. Mesmo assim, as partes não conseguiram superar as divergências relacionadas ao método de cálculo do bônus de desempenho, o que pode levar 50 mil trabalhadores a cruzarem os braços.
Produção de chips ameaçada
Queixando-se de receberem bônus inferior ao pago pela SK Hynix, concorrente na produção de semicondutores, os funcionários da Samsung na Coreia do Sul pedem o fim do teto atual. Ele é limitado a 50% do salário-base anual.
Os trabalhadores também querem o repasse de 15% do lucro operacional anual para o bônus e maior transparência na maneira de realizar esses cálculos;No entanto, a gigante da tecnologia rejeitou as solicitações para alterar o sistema de pagamento, segundo o representante sindical, Choi Seung-ho;Com o impasse, as chances de retomada das negociações antes da data marcada para o início da greve são remotas;Por outro lado, o líder sindical disse que não descarta avaliar novas propostas da contratante, desde que sejam adequadas.A possível greve nas fábricas da Samsung na Coreia do Sul pode afetar a indústria global. (Imagem: SweetBunFactory/Getty Images)
Já a Samsung lamentou a falta de acordo com o sindicato. A fabricante dos dispositivos Galaxy comentou que espera solucionar o caso com um “diálogo sincero”, para evitar o pior cenário possível.
A empresa se refere às perdas potenciais de até 43 trilhões de wons coreanos para a economia sul-coreana, o equivalente a R$ 172 bilhões pela cotação do dia, se a paralisação durar 18 dias. A greve também pode trazer sérias consequências para as cadeias de suprimentos globais.
Possibilidade de intervenção do governo
Diante dos impactos estimados, o governo da Coreia do Sul pode acionar o “poder de mediação de emergência”, como aponta a reportagem. Prevista em lei, a medida obriga a suspensão de greves se elas trouxerem riscos significativos para a economia local.
Se acionada, ela determina que paralisações causadas por conflitos trabalhistas sejam interrompidas durante 30 dias. Neste caso, a Comissão Nacional de Relações Trabalhistas faz a mediação, podendo emitir decisão arbitral com força de acordo coletivo.
O mecanismo foi acionado em pelo menos duas ocasiões para evitar a paralisação industrial. Em 1993, solucionou a greve da Hyundai Motor Company, e 12 anos depois a que causou a crise da aviação no país.
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