
15 maio A importância do incentivo nacional para o audiovisual no Brasil
Para que o Brasil alcance uma posição de relevância ainda maior na indústria do cinema é essencial que ele se preocupe com as leis de incentivo nacionais. Sem esse mecanismo, o alcance do audiovisual no Brasil é extremamente limitado, ficando para trás de outros países da América Larina, como Colômbia e México.
Para explicar sobre essa relevância, o São Paulo Innovation Week (SPIW) promoveu o painel Inovação e investimentos na indústria do cinema, moderado por José Maurício Fittipaldi, Sócio da Cesnik, Quintino, Salinas, Fittipaldi e Valerio, com participação de Steve Solot, Presidente da Latin American Training Center e Joana Braga, coordenadora de Economia Criativa da Porto Alegre Film Comission.
Onde o Brasil está posicionado?
Em resumo, antes de entrarmos no assunto: além de outros atributos, as Film Commissions são órgãos regulamentares ou entidades públicas que facilitam a produção de filmes nas regiões. Já as leis de incentivos, dependendo de suas condições, auxiliam em uma espécie de reembolso do valor investido nos filmes que forem gravados em território nacional.
Steve foi bem sincero ao dizer: o Brasil está muito mal posicionado. Na opinião do especialista, existe uma falta de atenção para colocar o Brasil em um lugar atrativo para os produtores. Essa atração só seria dada por meio de programas de atração de investimento, como as leis de incentivo nacionais.
Solot ainda deu um exemplo que ele mesmo viveu: ao participar de uma reunião em Los Angeles com o responsável pela locação das filmagens de Velozes e Furiosos 5, cuja narrativa se passa no Brasil, seu parceiro teve que responder que o país não possui leis de incentivo. O resultado? O filme acabou tendo boa parte gravada em estúdios.
Se até as maiores cidades do país têm poucos incentivos municipais, as cidades um pouco menores passam por mais dificuldades. Para Joana, o cenário acaba sendo ainda mais desanimador: “Não vamos conseguir competir com Rio de Janeiro e São Paulo. Precisamos de uma política estruturante e um incentivo nacional.”
Fonte: Diana Pordeus / TecMundo
A importância da transversalidade
Joana explicou que a movimentação atual consiste nas Film Commissions de diversos territórios do Brasil se unindo por essa política nacional. Para isso, elas estão em diálogo constante com a Embratur, ANCINE, além de outras faces do governo. Com a formação de uma Rede Brasileira de Film Commissions, elas pautam o Ministério da Cultura. Essa transversalidade é esperada dessa almejada política nacional.
Esse andamento inclusive pode acontecer paralelamente à outras iniciativas com o Governo Federal. Steve reforça que a regulamentação VoD acaba sendo uma distração para o governo, mas não precisaria ser. Uma iniciativa pode fortalecer a outra.
PL 1780/2026
Atualmente, existe um PL no Congresso que promove uma lei de incentivo nacional. A proposta é ousada e colocaria o Brasil à frente do país com a regulamentação mais vantajosa no momento: a Colômbia. A vantagem também estaria na competitividade em relação a outros territórios, já que existem empresas com políticas internas que promovem a filmagem apenas em locais com leis de incentivo.
Por fim, ficou claro que, mesmo com as indicações ao Oscar em dois anos seguidos, o Brasil acaba perdendo a chance de ser locação de muitas produções, internacionais e nacionais, por falta de políticas estruturantes. Ao comentar sobre a grade delegação que o país levou ao Festival de Cannes deste ano, Steve não segurou sua língua:
“Por que o Brasil está comemorando na praia sem ter o que realmente importa: um incentivo nacional concreto?”, finalizou o palestrante.
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