
15 maio Animes no Brasil: será que ainda é um conteúdo de nicho?
Você assiste anime? Por muitos anos os desenhos japoneses foram julgados como infantis e considerados de nicho. O cenário atual no Brasil já é bem diferente: de acordo com o National Research Group (NRG), 59,8% dos brasileiros assistem anime semanalmente. Essa informação reforça que a categoria já deve ser vista como estável e relevante no mercado de entretenimento.
Para falar sobre o Anime como movimento cultural, o São Paulo Innovation Week trouxe Roberta Fraissat, diretora de marketing na Crunchyroll, e Raphael Severo, criador de conteúdos sobre anime.
Brasil no centro da conversa
A plataforma de streaming Crunchyroll é a maior responsável por trazer animes ao público brasileiro, com mais de 70 títulos já previstos para a próxima temporada. Um dos grandes diferenciais é que muitas dessas produções chegam simultâneas com o Japão.
“O Brasil é hoje o 2º maior mercado na Crunchyroll, sendo a maior parte do público os millennials e a geração Z”, contou Roberta.
Para quem acompanha animes há muitos anos, como Raphael, a facilidade que a marca traz é um alívio: “A Crunchyroll chegou para facilitar o acesso aos animes.”
Muito desse sucesso no país também se deve à grande influência que o Japão tem no país, e vice-versa. É a combinação perfeita para que os fãs consigam entender um pouco mais sobre a cultura que é retratada nas narrativas.
“O Brasil é o país que mais tem japoneses fora do Japão. É a maior diáspora japonesa (…) A gente vê o anime não só no ‘assistir’, mas na moda, no futebol, na comida”, comentou Roberta.
Por que assistir animes?
Para quem não assiste pode até parecer estranhos, mas os animes conseguem provocar uma conexão às vezes até mais próxima que os filmes e séries com pessoas reais. O que pode ser considerada uma fraqueza para muitos, na verdade é uma fortaleza: a animação. Quando não precisamos lidar com as limitações do mundo real, tudo é possível.
“O anime é ilimitado. É onde a gente consegue de fato encontrar a imaginação com a arte.”, explicou Raphael. “Quando falamos de Frieren, por exemplo, falamos de traumas, medos, luto, tempo (…) Se a gente souber enxergar um pouco da narrativa do autor, percebemos que são histórias profundas. Não é apenas pela nostalgia ou algo infantilizado”, continuou.
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Roberta complementou falando sobre os neurônios-espelho que nos ajudam a sentir empatia e identificação com aqueles personagens: “Quando você está assistindo, você também sente que está vivenciando.”
Dublagem nota 10
Outro fato que ajuda a aproximar o público dos animes são os dubladores. Já popular há muito tempo, a dublagem brasileira é muito reconhecida, fazendo com que, de acordo com Roberta, mais de 50% do público a prefira em relação ao áudio original. Mas esse não é um luxo apenas restrito ao nosso país:
“A pré-estreia de Demon Slayer no México no ano passado atraiu 30000 pessoas só para ver os dubladores da animação original e da versão mexicana.”, revelou a diretora de marketing.
A empresa também começou a montar estúdios de dublagem em grandes eventos para trazer essa proximidade com o público, que é um dos maiores propósitos da empresa: “Os dubladores são nossos rockstars, que nos aproximam do público (…) Todos os eventos onde levamos o estúdio de dublagem nós vemos que é lá onde os fãs se conectam mais.”
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