Globo, Google e juristas discutem os limites da IA e dos direitos autorais no SPIW

A palestra “IA e entretenimento – deepfakes, treinamento de ia e direitos autorais” que aconteceu no São Paulo Innovation Week trouxe nomes como Flavio Lucas (Desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região), Luiz Fernando Moncau (Gerente de Políticas Públicas da Google), Gustavo Surerus (Gerente Jurídico das Organizações Globo) e Carlos Affonso Pereira de Souza (Diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro) para discutir sobre os limites do uso da IA em relação a direitos autorais.

Durante o debate, o público pôde entender tanto o lado jurídico em si, o das empresas de IA e até mesmo de quem já incluiu a ferramenta no dia a dia. Além de problemas enfrentados e casos curiosos.

Flávio Lucas trouxe uma reflexão sobre como a lei pode mediar o choque entre o passado e a inovação, e começou a conversa com um paralelo entre como os conteúdos eram copiados antigamente e como são hoje, “copiados” com a IA. O desembargador citou o PL 2338/2023, que fará com que os autores protejam suas obras e tenta se posicionar entre o cenário atual e a proteção absoluta.

“Agora não são mais cópias idênticas, não são o a questão não é mais a disseminação dessas cópias geradas, mas justamente a geração de um conteúdo próprio que pode ou não ser derivado de obras existentes e que leva a questões como, por exemplo, a quem pertence, né, a quem é o autor dessas obras geradas através de ferramentas de inteligência artificial.” ele comentou.

Já Moncau alegou que o debate é muito mais amplo que os chatbots e que afetam a sociedade como um todo. Ele também comentou que o Google entende que tudo o que é ilegal sem a IA continua sendo ilegal com a IA e que a empresa não trabalha contra normas de regulamentação. Por último, reforçou que essa é uma tecnologia que ainda está em fase de muita experimentação e aprendizado.

Carlos Affonso trouxe uma experiência pessoal, onde escreveu uma coluna sobre os riscos de usar o ChatGPT entrevistando a própria e ainda a creditou como co-autora. Ele defendeu o aprendizado sobre como usamos a inteligência artificial e que “as ferramentas de IA vão se transformar em um Microsoft Word da vida”. Além disso, também comentou sobre como a IA pode se tornar uma  das portas de entrada mais importantes para o ser humano entender o que está acontecendo no mundo.

Por fim, Gustavo falou sobre como a Globo vem testando e utilizando uma série de IAs como Veo3, Nano Banana, ChatGPT, Runway, Elevenlabs e outras em suas produções. Isso tem evitado uma série de problemas com burocracia, principalmente ao substituir bebês e animais reais por versões criadas com inteligência artificial.

Por outro lado, com isso, todos têm acesso às imagens da Globo em qualquer lugar. O diretor comentou sobre casos como o uso da imagem de William Bonner para divulgar um restaurante e um perfil indiano usando imagens do cast para a venda de produtos. Outro caso mais problemático é o uso de imagens de profissionais da empresa em ocasiões vexatórias e até mesmo pornográficas nas redes sociais e como a companhia toma as devidas providências.

O TecMundo está no São Paulo Innovation Week! O SPIW 2026 começa nesta quarta-feira (13), na capital paulista, reunindo líderes de grandes companhias brasileiras e globais, empresas e startups. Centros de pesquisa, investidores e governos também estarão presentes, participando de debates em tecnologia, ciência, educação, saúde, finanças e muitas outras áreas. Para todos os detalhes acesse o site oficial do evento.