
28 maio Invincible VS tem repertório para compor panteão dos jogos de luta modernos
Com o cenário de fighting games cada vez mais fortalecido em virtude do amparo de torneios importantes, como as múltiplas versões da EVO, era esperado que 2026 também fosse um ótimo ano para títulos de franquias emergentes ganharem espaço. E sim, podemos até incluir 2XKO na conversa, apesar das polêmicas e da redução da equipe de desenvolvimento poucos dias após seu lançamento.
Street Fighter 6, Guilty Gear -Strive- e Tekken 8 têm ainda muita lenha para queimar, sem contar Fatal Fury: City of the Wolves, os KoFs (que nunca saem de moda) e o imortal Dragon Ball FighterZ, então seria difícil vermos suas sequências em um futuro relativamente próximo. O portfólio de games competitivos, contudo, já precisava ser atualizado para movimentar a cena.
Em meio à promissora leva de jogos de luta para 2026, Marvel Tōkon: Fighting Souls, Avatar Legends: The Fighting Game e Invincible VS são, sem dúvida, os que mais se destacam. Produzido por veteranos do reboot de Killer Instinct e o primeiro a ser lançado do trio de ferro, Invincible VS me surpreendeu de um jeito que eu não esperava, trazendo boas lembranças dos meus tempos de Marvel vs. Capcom.
Fãs de Marvel vs. Capcom: o momento é nosso
Sem colocar o carro na frente dos bois, preciso começar pelo que realmente importa em um game de luta: a jogabilidade. Antes de tudo, devo dizer que a adaptação soube preservar de maneira exemplar a violência explícita e o humor sarcástico da série de Robert Kirkman, que levou muita gente a assinar o Amazon Prime Video. Se você não pôde assistir à produção animada, o jogo certamente será o incentivo que faltava para iniciar.
Durante minhas agradáveis horas ao lado de Mark Grayson e sua galera, não pude dissociar Invincible VS de Marvel vs. Capcom, o que cai, diga-se, como um baita elogio para as viúvas dos tag fighters. Sim, eu sei que Dragon Ball FighterZ herdou muito desse estilo, mas Invincible VS vai além e coloca os revezamentos e as assistências dos três personagens como protagonistas absolutos da trocação.
Saber o momento de recorrer aos seus outros bonecos é tão crucial quanto memorizar os golpes de cada um. Casual à primeira vista, o jogo deixa comandos que costumam ser mais complexos, tal como os especiais, ao alcance de um botão que costuma ser o mais apertado nos controles dos consoles. A dificuldade, portanto, não reside na execução de ataques complexos, mas sim em entender quando usar os recursos que se tem à disposição.
Trabalho verdadeiramente em equipe
Num primeiro momento, a impressão que se tem é a de que os combos são propositalmente curtos para dar mais chances de reação ao oponente. Ledo engano. As ofensivas apelonas acontecem quando realizamos a substituição de bonecos na hora exata, de modo que o novo lutador dê continuidade à porradaria iniciada pelo companheiro anterior.
Caso o adversário não saiba contra-atacar ou interromper sequências com o auxílio dos aliados, você pode literalmente derretê-lo com combinações brutais. Seu combo pode ser capaz de drenar a barra de vida do rival em poucos segundos, desde que você integre os três membros da equipe à mesma string. É lindo de ver, mas não ouse marcar bobeira: seu medidor também será sugado com técnicas articuladas pelo time do outro lado do ringue.
Da mesma forma que Invincible VS entrega um vasto leque ofensivo, sobretudo no que diz respeito aos ataques sincronizados, ele também é generoso quando se trata de recursos defensivos. Isso significa que seus parceiros podem ser acionados rapidamente para quebrar combos quase imparáveis, daqueles que custam a partida. Trazer lutadores de volta para o banco, inclusive, recupera uma parcela do HP, sendo uma ótima oportunidade para reavaliar a estratégia e tentar se recompor.
Conforme comentei anteriormente, saber gerenciar as idas e vindas dos personagens é a parte mais desafiadora do jogo, mas a que o torna mais gratificante quando dominada. Por sorte, há uma sessão de tutoriais bem completa para que você aprenda o timing das ações e repita o processo quantas vezes for necessário. Só não espere facilidade gratuita: o caminho para ficar realmente bom exige paciência, porém recompensa à altura quem consegue lidar com inevitáveis frustrações.
Multiplayer: fino do fino
Quando se fala em adquirir um jogo de luta no lançamento, ainda sem DLCs e sujeito a ajustes de balanceamento, o conteúdo tende a ser um dos principais fatores de decisão de compra, sobretudo entre jogadores casuais. Em geral, o multiplayer concentra o interesse do público competitivo, enquanto a experiência single-player é voltada a uma proposta mais acessível e de menor compromisso, para quem prefere “ligar e jogar”.
Nesse quesito, Invincible VS parece ter sido retirado do forno às pressas e, portanto, pode não agradar a todos os gostos. Para quem só joga online, está tudo certo: confrontos casuais e ranqueados se sustentam com um rollback netcode fino e um sistema de progressão individual para cada personagem, com muitas opções de personalização, especialmente no card de jogador exibido aos desafiantes.
O single-player satisfaz, mas merecia um pouco mais
Já na jogatina single-player, há basicamente uma campanha e o clássico arcade, que acabei jogando mais, com certas variações de dificuldade. Até dá para o gasto, mas eu esperava mais, considerando a qualidade do jogo em si e o conteúdo que seus “concorrentes” oferecem. Street Fighter 6, Tekken 8 e Mortal Kombat 1, por exemplo, todos têm amplas opções para jogar solo. É justamente isso que atrai públicos maiores.
A campanha pelo menos se esforça. Apesar de durar menos de uma hora, formatada como um episódio estendido da adaptação da Amazon, ela conta uma história original de Invencível. A trama, no entanto, não faz questão alguma de contextualizar personagens e parte do princípio de que você é um fã incondicional da franquia.
Mesmo assim, a história introduz um mistério que é divertido de acompanhar e que instiga o jogador a seguir até o final sem pular diálogos, ainda que você não saiba exatamente o que está rolando com cada personagem. No fim, o modo acaba servindo mais para apresentar as mecânicas dos 18 lutadores jogáveis disponíveis até então, por meio de sequências de batalha que não devem nada às cenas da série. É cinema puro.
Oportunidade: Invincible VS para PS5 já está disponível para compra na Amazon
Veredito: Vale a pena?
Invincible VS demonstra repertório para rivalizar com franquias consolidadas no gênero e, para a felicidade de muitos, recoloca os tag fighters em evidência. Brutal e com uma composição visual hipnotizante, características marcantes da obra que adapta, ele entrega um gameplay impecável de três contra três, que só melhora à medida que os sistemas de alternância de personagens são assimilados pelo jogador.
Nota do Voxel: 80
Pontos positivos (Prós):
Espetáculo visual, fiel à sérieGameplay impecável de 3 contra 3Multiplayer redondinhoSistema de progressãoMuitos itens desbloqueáveis
Pontos negativos (Contras):
Poucos modos single-playerCampanha com duração de um episódio
Uma cópia de Invincible VS foi gentilmente fornecida pela Skybound Games para o propósito de análise no PlayStation 5 Pro. O jogo também está disponível para Xbox Series X|S e PC.