
02 jun Final Fantasy VII Rebirth mostra potencial e limitações do Nintendo Switch 2
Desde seu lançamento no PS5 em 2024, Final Fantasy VII Rebirth coleciona estatuetas e uma boa recepção do público. O título da Square Enix foi indicado ao prêmio de jogo do ano no The Game Awards e conquistou fãs com seu gameplay variado e história marcante.
Agora, depois de meses como exclusivo de PC e PS5, a história de Cloud e seus amigos chega também para o Xbox e o Switch 2. A disponibilidade no console da Nintendo, inclusive, desperta curiosidade desde seu anúncio.
Afinal, o console consegue rodar bem um RPG com mundo aberto e muitos elementos gráficos? A boa notícia é que, sim, o Nintendo Switch 2 consegue segurar a onda e entrega uma experiência decente com o jogo da Square Enix. Ainda assim, a versatilidade do console exigiu grandes sacrifícios na jornada em busca de Sepiroth.
A seguir, confira como foi minha experiência com o jogo no console da Nintendo.
Sacrifícios técnicos são visíveis em Rebirth no Switch 2
Em alguns casos, as texturas são visivelmente afetadas no Switch 2.
Desde as primeiras prévias de Final Fantasy VII Rebirth no Switch 2, a grande preocupação sempre girou em torno do aspecto de desempenho do game no console. Considerando o poder do dispositivo, os cortes eram inevitáveis, mas quanto eles afetam na experiência?
As respostas começaram a aparecer com o lançamento da demo de Rebirth no Switch 2. Durante os dois primeiros capítulos, jogadores já começaram a perceber alguns dos problemas, incluindo pop-ins de texturas, 30 frames que nem sempre são estáveis e gráficos consideravelmente abaixo do padrão visto no PS5 – como visto nesta análise do Digital Foundry.
Na versão final do game no Switch 2, tudo isso também está presente. Seja no dock ou no modo portátil, o jogo roda com visuais que parecem um “modo baixo” no PC em alguns momentos, com as texturas do ambientesendo afetadas. Elementos como pedras e água, por exemplo, ocasionalmente apresentam um visual perceptivelmente abaixo da média.
Apesar dos problemas visuais, toda a experiência que tive foi jogável, sem a performance atrapalhar o combate, por exemplo.
Além disso, existem inconsistências na taxa de quadros em cenas muito carregadas, como em combates com vários inimigos em áreas mais abertas e densas. Isso ocorre, principalmente, no modo portátil, mas toda a experiência que tive com o título foi jogável, sem a performance atrapalhar o combate, por exemplo.
Outro ponto visível envolve a iluminação. Em alguns casos, as cenas parecem estouradas, enquanto certas cenas contam com bugs e artefatos visíveis em sombras no ambiente e nos personagens.
No entanto, talvez o sacrifício gráfico mais perceptível seja o pop-in de texturas. No Switch 2, Rebirth carrega elementos como pedras e plantas enquanto o jogador anda, o que faz com que os artefatos apareçam enquanto você está explorando áreas mais abertas.
Em ambientes fechados, o efeito acaba sendo reduzido, mas o pop-in de texturas também existe, afetando até mesmo algumas cenas do jogo. Em um momento curioso, por exemplo, lenços usados por Aerith e Tifa começaram a pular durante cutscenes. Outra cena também contou com os seios da lutadora saltitando enquanto ela estava deitada.
O pop-in de texturas não afetou meu gameplay de forma ativa, mas mostra, claramente, as limitações do hardware do Nintendo Switch 2. Pessoalmente falando, acho que seria melhor simplesmente deixar o ambiente menos denso do que colocar elementos que ficam surgindo na tela, mas isso é uma escolha criativa feita pelos desenvolvedores.
É válido ressaltar que o jogo não conta com uma seleção de modos visuais, como acontece em outras plataformas, mas utiliza nativamente a tecnologia DLSS para entregar upscaling de resolução. Com isso, mesmo com os cortes, a experiência permanece bastante competente para um hardware portátil e consegue preservar boa parte da identidade visual do RPG.
Veja também – Cyberpunk 2077 Ultimate Edition é benchmark do Nintendo Switch 2 – Review | Voxel
Versatilidade compensa cortes técnicos
Desde que Rebirth foi lançado, eu tive a chance de jogá-lo no PS5 e no PC por completo, mas fico feliz que acabei passando essa oportunidade. Mesmo com cortes visíveis, a versão de Switch 2 agrada pela versatilidade e, também, pelo conteúdo do jogo.
Apesar dos pontos que mencionei acima, Final Fantasy VII Rebirth entrega, no geral, uma experiência belíssima com sua direção de arte. Os personagens estão bem bonitos e o mundo do game segue bastante vivo – apenas com menos pixels do que em outras plataformas.
Como compensação, o Switch 2 me permitiu jogar longe da minha sala. Seja antes de dormir ou em um momento em que estava fora de casa, o modo portátil permite que você continue o gameplay que estava rolando no modo dock sem grandes sacrifícios.
Aqui, a experiência me lembrou a experiência que tenho com jogos no PC, onde eventualmente intercalo o gameplay entre o Steam Deck (gráficos limitados) e o meu computador principal (alta potência).
Dependendo do seu perfil, ter a possibilidade de levar o game para qualquer lugar, em um só dispositivo, é um grande diferencial. E no caso de Final Fantasy VII Rebirth, o jogo te conquista a ponto de você esquecer os cortes visuais.
História e gameplay cativantes
Quando comecei a jogar Rebirth no Switch 2 para esta review, minha cabeça estava totalmente focada na experiência de desempenho no console. No entanto, bastaram alguns minutos para o game já me conquistar com seu gameplay e narrativa.
A história continua a aventura de Cloud e seus companheiros após os eventos de Final Fantasy VII Remake. O jogo, inclusive, conta com um resumo que traz a história completa do título anterior para quem prefere embarcar direto na nova aventura.
Desta vez, o grupo deixa Midgar para explorar regiões inéditas e perseguir os rastros de Sephiroth. Ao longo da jornada, acompanhamos o aprofundamento das relações entre os personagens, descobrimos mais sobre o passado de Cloud e vemos a ameaça da Shinra e do lendário SOLDIER crescer de maneiras inesperadas.
Sem entrar em spoilers, Rebirth faz um excelente trabalho ao equilibrar momentos leves, cenas emocionantes e grandes revelações. Além de expandir o universo de Final Fantasy VII, o jogo também dá mais espaço para personagens como Tifa, Aerith, Barret, Red XIII e Yuffie brilharem individualmente, tornando a aventura ainda mais envolvente para veteranos e novatos.
Trazendo gameplay de ação, o RPG capricha na experiência de combate, trazendo diferentes protagonistas e inimigos variados. Não só isso, a jogabilidade também muda bastante, incluindo exploração, missões secundárias e minigames – garantindo um pacote completo de conteúdo.
O sistema de combate continua sendo um dos grandes destaques da série remake. A mistura entre ação em tempo real e o tradicional sistema ATB cria batalhas dinâmicas, permitindo alternar entre personagens durante os confrontos e utilizar habilidades, magias e estratégias diferentes de acordo com cada situação.
Outro ponto que merece destaque é a variedade. Além dos combates, Rebirth oferece um mundo aberto recheado de atividades opcionais, desafios de exploração, caçadas, missões secundárias e uma enorme quantidade de minigames. Em alguns momentos, parece que a Square Enix decidiu colocar um pouco de tudo no pacote, mas o resultado funciona justamente por manter a aventura constantemente renovada durante dezenas de horas.
Para quem está interessado em mais detalhes, a dica é conferir a review completa de Rebirth feita pelo Bruno Magalhães aqui no Voxel. No entanto, em suma e sem spoilers, posso dizer que a experiência que tive com o jogo no Switch foi ótima, mesmo com os sacrifícios feitos pela Square Enix na parte do desempenho.
A versão atual do jogo mostra não só as limitações do console, mas também o seu potencial. Afinal, estamos falando de um game feito para PS5 rodando em um hardware leve e que pode ser carregado para qualquer lugar.
Com a atenção dos desenvolvedores e o apoio de empresas como a Square Enix, o Switch 2 pode acabar com a principal lacuna deixada pelo seu antecessor: a ausência de grandes jogos AAA. Os títulos chegarão com sacrifícios gráficos no console? Certamente, mas é algo que pode ser contornado com otimizações, atenção dos desenvolvedores e, acima de tudo, qualidade do produto.
Vale a pena?
Final Fantasy VII Rebirth traz uma experiência única e peculiar no Switch 2. Enquanto os sacrifícios gráficos são visíveis, a versatilidade do console e a experiência entregue no game ainda seguram o título como uma ótima pedida para fãs de RPGs.
Se você tem a chance de jogar no PS5, Xbox ou PC em uma qualidade maior, vale a pena investir nestas plataformas para aproveitar o jogo com todo o seu esplendor. Por outro lado, quem possui um Switch 2 também pode entrar de cabeça em um jogo épico, mas com cortes já esperados – e com a opção de levar o gameplay para qualquer lugar.
Mesmo com eventuais bugs e um visual aquém do merecido, Final Fantasy VII Rebirth é uma experiência indispensável para quem curte RPGs, entregando uma história e gameplay de alto nível no portátil, desde que você aceite suas limitações.
Nota: 85
Pontos positivos:
História emocionante e bem desenvolvidaSistema de combate excelente e estratégicoGrande variedade de conteúdo, missões e minigamesMundo aberto rico e cheio de atividadesPossibilidade de jogar um dos melhores RPGs da geração em modo portátil
Pontos negativos:
Pop-in de texturas frequente e bastante perceptívelQuedas ocasionais de desempenho em áreas mais exigentesQualidade visual significativamente inferior às versões de PS5, Xbox e PCAlguns bugs visuais durante exploração e cutscenes
Uma cópia de Final Fantasy VII Rebirth foi cedida pela Square Enix para a realização desta review.