
03 jun ‘Corte nem pensar’: Amazon Brasil descarta demissões e projeta expansão de longo prazo
Enquanto as principais big techs globais enfrentam ondas de demissões em massa e reestruturações corporativas severas, a Amazon aparentemente caminha no sentido oposto no mercado brasileiro. Pelo menos é o que garante a presidente da Amazon Brasil, Juliana Sztrajtman, em evento da marca em Londres. Ela reforçou o viés de crescimento contínuo do ecossistema local e descartou qualquer plano de redução de pessoal no país.
“O Brasil é uma grande prioridade e temos total clareza que a Amazon está só começando por aqui”, afirmou a executiva. Segundo Sztrajtman, a operação nacional vive um cenário de expansão que une investimentos massivos em infraestrutura logística à incorporação de novas tecnologias.
O avanço na contramão das demissões globais
O posicionamento seguro da liderança brasileira contrasta com as recentes notícias vindas dos mercados globais, como os Estados Unidos, onde grandes companhias de tecnologia anunciaram cortes drásticos em suas forças de trabalho. No Brasil, contudo, os números contam uma história de desenvolvimento de carreira e geração de empregos.
A empresa saltou de 36 mil postos de trabalho diretos e indiretos no ano passado para a marca atual de 55 mil profissionais atuando em sua rede. De acordo com a liderança, as vagas corporativas puras já somam cerca de 2 mil colaboradores no território nacional, evidenciando que o crescimento engloba tanto o chão de fábrica quanto os escritórios.
Inteligência artificial como aliada da carreira
Um dos principais temores do mercado de trabalho contemporâneo — a substituição de mão de obra humana por Inteligência Artificial (IA) — foi desmistificado pela liderança da empresa. Sztrajtman pontuou que a IA é usada para tornar o trabalho mais produtivo e melhorar a rotina dos funcionários e dos mais de 100 mil vendedores parceiros da plataforma.
“Investimos em tecnologia para servir melhor o cliente e acelerar os processos”, explicou a presidente. Complementando a visão de mercado, o diretor de operações Ricardo Pagani rechaçou qualquer possibilidade de cortes motivados pela automação: “Corte nem pensar. Se não tivéssemos processos otimizados nos armazéns, dar conta do volume de expansão seria muito complicado. Continuaremos contratando e utilizando a IA para promover esse crescimento”.
Logística acelerada e investimentos bilionários
Para sustentar esse contingente de trabalhadores e manter o ritmo de entregas rápidas, o aporte financeiro da companhia tem sido agressivo. A Amazon consolidou um investimento acumulado de mais de R$ 75 bilhões nos últimos anos no Brasil. Somente no último período reportado, foram direcionados R$ 19 bilhões para o país — o equivalente a cerca de R$ 52 milhões investidos por dia.
Esse dinheiro se traduz empiricamente na abertura de novos complexos operacionais. O ritmo atual de inaugurações atinge a impressionante marca de três novos centros logísticos por semana, superando a média do ano anterior. Atualmente, a rede já ultrapassa 300 centros espalhados por todos os estados brasileiros e pelo Distrito Federal.
Perspectivas para o mercado nacional
O otimismo da Amazon em relação ao futuro profissional e comercial no Brasil é amparado por dados macroeconômicos do próprio varejo nacional. Sztrajtman destacou que o comércio eletrônico representa apenas 14% das vendas totais do varejo no país.
Essa vasta avenida de crescimento justifica o planejamento de longo prazo da corporação, estruturado para os próximos 15 a 30 anos. Para os profissionais que buscam colocação no setor de tecnologia e logística, o cenário sinaliza estabilidade e forte demanda por novos talentos nas mais diversas regiões do Brasil.
O jornalista viajou para Londres a convite da Amazon.