
08 jun Geração Z perde espaço no mercado enquanto IA elimina 11 mil empregos por mês nos EUA
A inteligência artificial (IA) continua eliminando postos de trabalho nos EUA, especialmente entre profissionais em início de carreira, e os jovens da Geração Z aparecem como os mais vulneráveis a essa transformação, segundo a Fortune. Embora o ritmo de perdas tenha desacelerado nos últimos meses, economistas do Goldman Sachs alertam que a melhora observada nos indicadores pode ser apenas temporária.
Segundo o relatório AI Adoption Tracker, divulgado pelo banco na última semana, a IA passou de uma perda líquida estimada de 16 mil empregos por mês para cerca de 11 mil vagas mensais. A redução, no entanto, não está relacionada a uma desaceleração da automação em escritórios, mas ao avanço das obras de infraestrutura necessárias para sustentar os sistemas de IA.
A construção de data centers, instalações que armazenam e processam grandes volumes de dados para operar ferramentas de IA, criou cerca de 212 mil empregos desde 2022. Atualmente, o segmento gera aproximadamente 9 mil novas vagas por mês, principalmente para eletricistas, técnicos de climatização, operários da construção civil e profissionais ligados à expansão da rede elétrica.
Especialistas, porém, avaliam que boa parte dessas oportunidades tem prazo de validade. Após a conclusão das obras, os data centers exigem equipes reduzidas para operação e manutenção. Estimativas do American Edge Project indicam que o atual ciclo de investimentos poderá gerar 4,7 milhões de empregos temporários na construção, mas apenas 697 mil vagas permanentes voltadas à operação das instalações.
Enquanto isso, os setores mais impactados pela IA seguem registrando cortes. Áreas como marketing, design gráfico, atendimento ao cliente, processamento de documentos e desenvolvimento de software concentraram aproximadamente 21,9 mil demissões atribuídas diretamente à IA apenas em abril, o maior volume mensal registrado pelo Goldman Sachs desde o início do monitoramento, em 2023. No acumulado de três anos, as dispensas associadas à tecnologia somam cerca de 136 mil trabalhadores.
O banco também identificou uma correlação crescente entre a adoção de IA e o desemprego entre profissionais com menos de 30 anos. Embora ainda não seja possível afirmar que existe uma mudança estrutural no mercado de trabalho, os dados sugerem que trabalhadores mais experientes têm sido os principais beneficiados pelos ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia.
Estudos compilados pela instituição apontam que a IA generativa aumenta a produtividade em média 23%, favorecendo profissionais capazes de utilizar as ferramentas para ampliar sua produção.
Apesar das mudanças, economistas do UBS estimam que foram criadas cerca de 95 mil vagas fora do setor agrícola em maio, com taxa de desemprego próxima de 4,33%. Para as instituições financeiras, a disputa entre destruição e criação de empregos deve se intensificar nos próximos anos, à medida que a IA avança para novos segmentos, incluindo indústrias químicas e fabricantes de equipamentos elétricos.
Nesse cenário, a principal dúvida é se os novos postos de trabalho vão surgir com velocidade suficiente para compensar as funções que estão sendo automatizadas.