Tim Cook encerra última WWDC como CEO da Apple; relembre a trajetória

A conferência de abertura deste ano na Worldwide Developers Conferece (WWDC 2026) foi especial e não apenas pelos anúncios da Apple. A ocasião marcou a última grande apresentação de Tim Cook como CEO da companhia.

Principal figura dos eventos da empresa pelos últimos quinze anos, Cook deixa o cargo em setembro deste ano para se tornar presidente executivo do conselho de administração. O sucessor já está definido desde o anúncio: John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware.

O tom de despedida ficou evidente desde antes da transmissão. Na manhã de hoje (8), Cook divulgou um vídeo em seu perfil no X com a participação de várias celebridades dizendo “bom dia” de diferentes maneiras — uma marca registrada dele no início de todas as conferências.

No final da conferência, Cook chegou a mencionar as edições da WWDC como “alguns dos pontos altos” da gestão como CEO. “Compartilhar poderosas ferramentas novas com todos e ver o que vocês criam com eles tem sido um lembrete constante de que a imaginação não tem limites”, disse o executivo.

A marca e o legado de Tim Cook

Tim Cook começou sua jornada na Apple em 1998 já com um cargo alto: ele foi contratado para ser vice-presidente sênior de operações globais, depois de passar anos em duas outras empresas de tecnologia: a IBM e a Compaq;Formado em Engenharia de Produção, ele mais tarde alcançou o cargo de gerente de operações (COO) e virou o braço direito de Steve Jobs, que foi o responsável direto por sua contratação;Desde 2009, ele já participava ativamente de decisões diárias da companhia como substituto de Jobs, em licença médica. Em 24 de agosto de 2011, Cook iniciou oficialmente a gestão como CEO após o falecimento do cofundador da companhia;Cook em sua primeira WWDC como CEO, ainda em 2011. (Imagem: Reprodução/Apple)Momentaneamente em 2018 e em definitivo a partir de 2024, Cook tornou a Apple a primeira empresa privada e internacional a alcançar um valor de mercado de US$ 1 trilhão;Nos quinze anos no cargo, ele ajudou a elevar o valor de mercado da empresa de US$ 350 bilhões para os mais de US$ 4,6 trilhões atualmente. Outros números impressionantes incluem o lucro líquido de US$ 42,1 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2026;Cook foi o grande responsável por redirecionar a companhia para além do mercado de produtos, investindo em uma gama de serviços — como Apple TV, Apple Music e plataformas já existentes, como iCloud. Ele também foi o primeiro CEO de uma empresa da lista Fortune 500 a se assumir homossexual publicamente.

As polêmicas e os pontos baixos

Apesar tamanho sucesso e uma imagem no geral positiva, Cook também foi o responsável por alguns deslizes na gerência da empresa. O principal deles em termos estratégicos tem a ver com inteligência artificial (IA): a Maçã entrou tarde no mercado e bem atrás de rivais diretas, com ferramentas menos relevantes e o atraso de mais de um ano da nova Siri AI.

Nos últimos meses, Cook ainda foi criticado pelo envolvimento com a política estadunidense. Ele esteve presente na cerimônia de posse de Donald Trump e na pré-estreia do documentário “Melania” sobre a primeira-dama.

O envolvimento de Cook com a política dos EUA foi uma diferença em relação a outras gestões da marca. (Imagem: Win McNamee/Getty Images)

Ainda assim, o executivo foi duramente criticado mais de uma vez por Trump, que em uma ocasião anterior o chamou de “Tim Apple”. A Maçã foi acusada de não colaborar com os EUA ao não fabricar tantos aparelhos no país, o que levou o presidente a ameaçar a companhia com tarifas que nunca foram aplicadas.

Altos e baixos em produtos

Em termos de produtos, a Apple sob a gestão Cook ampliou o catálogo de eletrônicos para outros segmentos. Ele já era CEO no lançamento do relógio inteligente da empresa, o Apple Watch, que colocou a Apple na liderança do mercado de dispositivos vestíveis para saúde e bem-estar.

A companhia também virou referência no segmento de fones de ouvido sem fio com os AirPods e conseguiu melhorar até mesmo onde ela já estava presente de forma sólida: após um ano de atualizações sutis, a linha iPhone 17 foi bem recebida e teve ótima resposta em vendas.

Já o ponto negativo nesse quesito está em um produto que poderia representar um desses saltos ousados da companhia, mas hoje é pouco lembrado até mesmo pela marca: o headset imersivo Apple Vision Pro, um produto caro e de pouco apelo ao consumidor.

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