VAR 2.0: Copa do Mundo 2026 terá Avatar 3D dos jogadores para usar como ‘tira-teima’

A Copa do Mundo de 2026, que começa nesta quinta-feira (11), deve contar com um número muito menor de discussões e polêmicas de bar. Pelo menos é o que se espera, já que o evento contará com uma espécie de VAR 2.0, que tem acesso a uma “cópia” digital de todos os 1.248 atletas inscritos no torneio.

A novidade é um lançamento da Lenovo, que será a primeiro parceira de tecnologia da história da FIFA. Com isso, a empresa fornecerá vários tipos de soluções como data centers, data storage, cloud e aplicações de inteligência artificial (IA) que serão utilizadas não somente por quem vai trabalhar no evento, mas também pelo público. 

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Em entrevista ao TecMundo, Valerio Mateus, que é gerente geral de Serviços e Soluções América Latina da Lenovo, explicou um pouco sobre como será a experiência da “Copa mais tecnológica da história”.

A Lenovo capturou cada detalhe dos jogadores para reconstruir jogadas polêmicas. (Imagem: YouTube Lenovo/Reprodução)

Falando sobre os Avatares 3D, ele comentou que os 26 jogadores das 48 seleções participantes passaram por um processo de captura de imagens feita por 17 câmeras. Uma espécie de cabine fez o registro de vários ângulos e depois as imagens foram computadorizadas para criar a versão digital. Após a captura das imagens, em um processo que leva poucos minutos, uma IA ajuda a reconstruir o tamanho dos braços, pernas e até mesmo as articulações.

“Nós temos uma cópia digital milimetricamente construída do Neymar, por exemplo”, conta Mateus. “No jogo, a bola tem um sensor e nós sabemos o momento exato do passe. Depois disso, a Lenovo vai pegar essa imagem congelada e trocar os jogadores pelos avatares, que é quando a jogada passa a ser 100% digital. Nesse momento, os árbitros terão acesso e poderão movimentar o lance da maneira que quiserem para conseguir descobrir se houve ou não o impedimento”, explica.

A tecnologia gera um salto na capacidade atual do VAR, já que além de rever tudo o que aconteceu em campo, os assistentes na cabine poderão movimentar cada centímetro para descobrir se o atacante ou o zagueiro estão mais próximos da linha de fundo.

Os jogadores entrarão em uma cabine com diversas câmeras. (Imagem: YouTube Lenovo/Reprodução)

E além dos envolvidos na partida, torcedores que estiverem nos estádios também poderão testar a tecnologia. As arenas da Copa do Mundo 2026 terão tablets espalhados por alguns setores para que o público reveja os lances e teste os Avatares 3D.

FIFA AI Pro e Referee View

Enxergando o principal torneio esportivo do mundo como uma vitrine, a ideia da Lenovo é mostrar que ela também tem soluções de software, além das soluções de hardware, caso dos celulares da Motorola.

E em um contexto que atrai bilhões de olhos ao redor do mundo, o desafio da marca acaba sendo a escala. Valerio Mateus diz que o fato de o evento ocorrer em três países ao mesmo tempo, em 16 estádios e com 48 seleções participando, aumenta a complexidade do trabalho.

“A gente está falando de data center, processamento, integração de câmeras, devices e mais coisas que estão disponíveis em alguns lugares do estádio. Cada jogo tem 90 minutos, mais ou menos, e nesse tempo se gera um volume de dados gigantesco. Então, você tem o desafio de capturar todos esses dados e alguns deles você tem que armazenar e processar em tempo real”, lembra. “E toda essa tecnologia não pode falhar, porque o jogo não vai parar para que você coloque um servidor novo para funcionar”, acrescenta.

Confira: Motorola Edge 70 Fusion da Copa do Mundo chega no Brasil por R$ 3,8 milA Copa do Mundo 2026 será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá. (Imagem: Carl Recine/Getty Images).

Para tentar mostrar essa capacidade, a Lenovo aposta forte em outras duas soluções tecnológicas que têm conexão direta com o jogo dentro de campo: o FIFA AI Pro e Referee View.

O FIFA AI Pro foi resumido por Mateus como uma espécie de “ChatGPT do futebol”. Ele é uma inteligência artificial generativa que aprendeu modelos táticos – o representante cita que a IA sabe a diferença entre um 4-4-2 e 4-3-3 – e funciona como um auxiliar técnico para as comissões das seleções.

A tecnologia funciona de maneira conversacional e responde o mapa de calor dos atacantes de determinada equipe, por exemplo. “Todas as informações da IA estão em um tutorial que as comissões podem acessar para entender como utilizar. Se alguém tiver alguma dúvida, a gente tem uma equipe que dá o suporte”, afirma.

No caso do Referee View, ele é como o nome sugere uma câmera com visão em primeira pessoa do árbitro em campo. O gerente geral de Serviços e Soluções América Latina da Lenovo lembra que a tecnologia já foi utilizada no Mundial de Clubes do ano passado, mas que a experiência não foi agradável e por isso dessa vez houve um aprimoramento.

“[No Mundial de Clubes 2025] a imagem tremia muito, porque o juiz está correndo no campo junto com os jogadores. Então a Lenovo criou um algoritmo de IA que estabiliza a imagem em milissegundos depois que a captura foi feita pela câmera. A imagem é gravada, estabilizada e depois enviada para o broadcast (emissoras que transmitem a partida), tudo em tempo real”.

Transmissão sem delay?

E um aspecto bastante relevante para o torcedor brasileiro nesta edição da Copa do Mundo são as transmissões. Pela primeira vez na história é um canal de YouTube, no caso a CazéTV, que conta com o direito de transmissão de todos as partidas do torneio, diferentemente de anos anteriores quando a TV Globo tinha essa exclusividade.

Com a crescente popularidade da CazéTV, os torcedores acabam se vendo em um cenário de que apesar de os jogos poderem ser assistidos gratuitamente, eles terão um atraso relevante na comparação com a TV aberta. E essa diferença pode ser de mais de 10 segundos.

Valerio Mateus explica que a Lenovo também será a responsável pela geração e transmissão das imagens para as operadoras no modelo de IPTV (transmissão de sinal de televisão pela internet). Essa primeira parte do processo será feita com latência hiperbaixa e a promessa é que a imagem será entregue com delay de menos de 5 segundos.

Ou seja, a garantia da Lenovo é que a primeira parte do processo será rápida, mas do estádio para fora não há garantia dessa mesma velocidade.

“A entrega do sinal para o streamer será praticamente imediata. Então eu consigo essa sincronização. Mas depois disso obviamente entra um mundo de possibilidades. [O tempo de transmissão] vai depender se você está conectado em 5G ou 4G, em uma área de boa cobertura etc”, finaliza.