
12 jun História da Polaroid: a câmera que revolucionou a fotografia
A fotografia se transformou ao longo das décadas em um dos meios mais versáteis para comunicação, registro de memórias, informação e lazer. Entre todas as tecnologias que derivam dessa técnica, porém, uma se destaca pelo uso curioso: a Polaroid, mais famosa marca de fotos instantâneas.
Ao permitir que você confira em poucos minutos o resultado de um retrato revelado, esse dispositivo praticamente criou um mercado próprio e foi referência nele por vários anos: a Polaroid era sinônimo de fotografia instantânea e vice-versa.
Apesar de seguir viva na memória de muitos consumidores, esse nome hoje é cada vez mais parte da memória do que uma realidade de mercado. O que aconteceu para que esse ícone sumisse das casas e prateleiras? A seguir, conheça ou relembre a história.
Edwin Land, o fundador da câmera instantânea
Edwin Herbert Land foi um físico norte-americano nascido em 1909. Ele chega a ser estudante universidade em Harvard, mas abandona o curso para se dedicar a pesquisas próprias sobre a polarização da luz.
Esse é o efeito que ocorre quando a luz natural, que se propaga em todos os planos e direções, passa por uma substância e acaba filtrada, com a luz restante direcionada para um único plano.
Em 1929, Land registra a sua primeira patente de filtros de polarização de luz, que reduzem a intensidade luminosa de faróis de carros. Os filtros de plástico se chamavam polaroides e não foram usados comercialmente, mas indicava um futuro brilhante pela frente.
O cientista entra na indústria só em 1932, quando abre um laboratório em Boston, nos Estados Unidos, junto com o seu antigo professor de Física, George Wheelwright. Eles pesquisaram ainda mais a fundo a polarização, criando óculos de sol mais eficientes, máscaras de mergulho e lentes para microscópios.
Como surgiu a Polaroid?
Já em 1937, Land abre a empresa Polaroid, agora em Cambridge, Massachusetts, para vender essas criações.Durante a Segunda Guerra Mundial, os militares viram clientes fixos dele em equipamentos pra soldados. Óculos 3D pra cinemas também venderam muito na primeira onda dessa tecnologia.
O produto mais importante da companhia surge em 1943, quando Land estava de férias com a família. A filha ainda criança teria perguntado a ele por que não poderia naquele momento as fotos tiradas — o processo de revelação da fotografia analógica era complicado, levava mmuitas horas e feito em lojas especializadas.
Edwin Land e a primeira Polaroid. (Imagem: Harvard University/Reprodução)
Foram anos criando a tecnologia até a primeira demonstração de uma câmera instantânea em 21 de fevereiro de 1946, em um encontro da Sociedade de Óptica da América.
Em 26 de novembro de 1948, foi lançada a primeira câmera instantânea do mundo, que custava então caros noventa dólares. Ela era chamada de Land Camera Modelo 95 e só depois incorporou o nome da companhia. As vendas eram de poucas unidades por vez, porque ele não sabia se o projeto iria mesmo prosperar comercialmente.
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Como funcionavam as câmeras Polaroid
A câmera instantânea é uma espécie de laboratório de revelação de fotos em miniatura. A câmera abre o obturador por um tempo curto, para que o filme polarizado (com uma camada externa de grãos de prata e pigmentos sensíveis às cores primárias azul, verde e vermelho) capture a imagem.
Depois da captura da foto por exposição do filme à luz, pequenos pacotes contendo as substâncias químicas responsáveis por “fixar” o conteúdo do negativo em papel se abriam e começavam o processo dentro da câmera.
O descolamento da película sensível em uma das primeiras Polaroid. (Imagem: Reprodução/Los Angeles Public Library)
Em cerca de um minuto, o retrato só precisava ser “descolado” do papel‑foto, que era uma espécie de capa protetora, e estava pronto para ser visto. Neste ponto, todo o processo já estava finalizado e bastava proteger a foto da luz direta por mais alguns instantes até a fixação definitiva da imagem.
Em modelos futuros, os reagentes que fazem a revelação foram colocados na traseira do papel e eram ativados pelo mecanismo de “deslize” do filme pra fora da câmera.
Diferenças entre fotografia analógica e digital
A Polaroid faz parte da categoria de fotografia analógica, o processo mecânico de capturar e armazenar a imagem. Essa vertente, que foi a primeira a surgir, foi gradualmente substituída pelos procedimentos digitais.
Na fotografia analógica, a luz entra pela lente e atinge o filme sensível à luz. No caso da digital, esse encontro acontece em um sensor que converte a luz em sinais elétricos e transforma isso em dados para serem lidos por outro dispositivo.
Quando prontas, as fotos analógicas ficam em rolos de filme ou em impressões físicas, como no caso da Polaroid. Já a digital permite o armazenamento do arquivo em cartões de memória, discos rígidos ou na nuvem, com a impressão para uma foto física também é possível.
O sucesso da Polaroid ao longo das décadas
Na década de 1950, Land começa a desenvolver filmes melhores pras câmeras instantâneas. Acessórios proprietários e devidamente patenteados ajuduram muito a Polaroid a se estabelecer como praticamente o único nome do setor por décadas.
Nesse período, já com 1 milhão de unidades fabricadas e distribuição em 45 países, o portfólio da empresa começa a aumentar com novas câmeras:
O modelo 95a, que era um pouco menor e mais intuitivo para uso;O filme colorido Polacolor e o Modelo 100 de 1963, primeira câmera instantânea do mundo com obturador transistorizado pra controle automático da exposição;O Modelo 20 ou Swinger, sucesso em 1965 por ser estilosa e ao mesmo tempo a primeira realmente de baixo custo da marca;O SX-70, o modelo definitivo da Polaroid e o primeiro totalmente automático, motorizado e que soltava a foto revelada pronta, sem precisar abrir o compartimento.A icônica OneStep. (Imagem: Reprodução/FilmPhotography)A OneStep, de foco fixo e o design clássico com uma faixa colorida na frente, que foi a câmera mais vendida dos Estados Unidos por quatro anos consecutivos;A Polaroid 600 Sun, que tinha vários modelos diferentes com características únicas, como autofoco e luz embutida.
Com o passar do tempo, “tirar uma Polaroid” virou sinônimo cotidiano de foto que é revelada na hora: a marca investia pesado em marketing e na presença de celebridades, com esse dinheiro compensado nas vendas.
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A concorrência começa a aparecer
Ao longo das décadas, porém, empresas japonesas começam a pesquisar alternativas próprias da tecnologia. A gigante Kodak, que foi uma das primeiras clientes da Polaroid em lentes, ainda lançou produtos parecidos até demais com as da rival. Isso fez ela ser processada pela Polaroid por infração de patentes, perdendo a ação e tirando os produtos do mercado.
Por outro lado, ainda em 77 vem o primeiro grande fracasso da empresa. É o Polavision, um filme instantâneo de vídeo, lançado junto com uma fita cassete, uma filmadora de mão e um reprodutor que parecia uma TV comprida.
A crise da Polaroid e a chegada do digital
Em 1991, morre aos 81 anos o fundador da Polaroid, Edwin Land. Para muitos, isso também significou o fim do período de ouro da empresa, que passa a lançar produtos mais contestados e não acompanhar a evolução do mercado.
Os lançamentos de grande porte incluem a Polaroid Captiva, de 92, que encalhou nas lojas. Já em 2001, ela entra no mercado de impressoras portáteis, mas isso também não foi o suficiente para salvar a empresa — ela entra em processo de falência pela primeira vez ainda neste ano.
Em 2005, ela é comprada pelo grupo de investidores Peters Group Worldwide. Na última tentativa de diversificação, ela lança produtos como DVDs, TVs e MP3 com o nome Polaroid, mas feitos por outras empresas. Três anos depois, a falência é decretada com o fechamento das fábricas que fazem os filmes instantâneos.
O retorno das câmeras instantâneas
Por algum tempo, patentes, marcas e direitos da empresa foram incorporados na Polaroid Corporation, uma companhia de pequeno porte que sobrevive de vender uma impressora portátil, uma câmera digital e até uma action cam, a Polaroid Cube.
Em 2017, a empresa que gerenciava esses direitos troca novamente de dono, adquire uma fabricante de filmes instantâneos chamada Impossible Project e segue até hoje em operação. Novamente chamada de Polaroid, a marca atual fabrica e licencia produtos mesmo fora da fotografia instantânea.
Um dos modelos recentes da companhia. (Imagem: Divulgação/Polaroid)
Atualmente, câmeras instantâneas são um mercado próprio: elas não possuem a mesma força do digital, mas se consolidaram como um nicho nostálgico a partir de modelos como a Instax e câmeras‑impressoras.
O legado da Polaroid na fotografia moderna
Como aconteceu com a Kodak, que não conseguiu se adaptar ao novo mundo da fotografia, o digital e o uso de smartphones, a Polaroid hoje é uma sombra do que foi no passado em termos de tamanho dos negócios.
Ainda assim, ela segue como um verdadeiro ícone da tecnologia e referência para amantes de fotografia — tanto que foi a grande inspiração visual para a primeira logo e o funcionamento do Instagram no início da rede social.
Câmera Polaroid ainda é um bom investimento? Confira as dicas do TecMundo neste guia!