Fox anuncia compra da Roku por US$ 22 bilhões e cria nova gigante do streaming

A Fox surpreendeu o mercado nesta segunda-feira (15) ao anunciar a aquisição da Roku em um acordo avaliado em aproximadamente US$ 22 bilhões. A transação une uma das maiores produtoras de conteúdo ao vivo dos Estados Unidos com uma das plataformas de streaming mais populares do mundo.

Pelos termos do acordo, a Fox pagará US$ 160 por ação da Roku em uma combinação de dinheiro e ações da companhia. Após a conclusão da operação, os atuais acionistas da Fox devem controlar cerca de 73% da empresa combinada, enquanto os investidores da Roku ficarão com os 27% restantes.

Por que a Fox comprou a Roku?

O negócio acontece em um momento em que o consumo de televisão continua migrando para o ambiente digital. Com a compra da Roku, o objetivo da Fox é fortalecer sua presença no streaming e reduzir sua dependência dos modelos tradicionais de distribuição por cabo.

Um exemplo disso pode ser visto, inclusive, na Copa do Mundo 2026. Enquanto a TV aberta no Brasil conta com uma apresentação com menos delay e renome, emissoras como Globo e SBT possuem a exibição de menos jogos da competição que a CazéTV, que conseguiu quebrar um recorde histórico de audiência do streaming no fim de semana.

A aquisição representa mais um passo da estratégia adotada pela Fox nos últimos anos para expandir seus negócios digitais. Desde a compra da Tubi em 2020, a companhia vem investindo em plataformas de streaming como forma de acompanhar as mudanças nos hábitos dos consumidores.

Segundo Lachlan Murdoch, CEO da Fox, a união das empresas combina um dos portfólios mais valiosos de conteúdo ao vivo com uma plataforma que já faz parte da rotina de milhões de espectadores. A executiva acredita que o movimento permitirá à empresa ampliar sua presença em segmentos de alto crescimento ligados à publicidade digital e à TV conectada.

O que é Roku e o que vai acontecer com o serviço de streaming?

Fundada há mais de duas décadas, a Roku foi uma das pioneiras em levar aplicativos como Netflix e YouTube para televisores conectados. Atualmente, a plataforma alcança mais de 100 milhões de residências ao redor do mundo por meio de dispositivos de streaming, sistemas operacionais para smart TVs e do serviço gratuito The Roku Channel.

No Brasil, a companhia vende dispositivos que trazem apps de streaming para TVs mais antigas, além de oferecer televisões com seu sistema embarcado. A companhia conta, por exemplo, com parcerias que incluem Multilaser, Philco e AOC no país.

Além da enorme base de usuários, a Roku possui uma operação publicitária robusta. Apenas no primeiro trimestre deste ano, a empresa registrou US$ 613 milhões em receita com publicidade, crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar da compra, a Fox afirma que não pretende transformar a Roku em um ecossistema fechado. As empresas reforçaram que a plataforma continuará trabalhando com diferentes provedores de conteúdo e mantendo sua estratégia de distribuição ampla para consumidores e parceiros.

Anthony Wood, fundador e CEO da Roku, permanecerá na companhia e também passará a integrar o conselho de administração da Fox. Segundo o executivo, a operação abre caminho para acelerar a inovação da plataforma e ampliar sua capacidade de crescimento nos próximos anos.

Quando a aquisição será concluída?

O acordo ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores dos Estados Unidos e de outras etapas formais do processo. A expectativa das empresas é concluir a transação durante o primeiro semestre de 2027.

O movimento acontece em paralelo a outra grande negociação do mercado de mídia: a Paramount está comprando a Warner por US$ 111 bilhões. Recentemente, o negócio foi aprovado pela Comissão de Justiça dos Estados Unidos.

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