
17 jun Clima na Meta está ruim após demissões e pressão por IA, revela site
Ao menos uma das divisões atuais da Meta passa por problemas internos que incluem um ambiente de pressão e o descontentamento de funcionários. De acordo com uma reportagem da Wired, a situação envolve uma das equipes de inteligência artificial (IA) montadas pela empresa. Contatada pelo site, a Meta se recusou a comentar o caso.
Segundo a matéria, há um clima de frustração no Applied AI, o time da Meta formado em março deste ano para servir de apoio à divisão Superintelligence Labs. Os colaboradores estariam insatisfeitos com vários elementos da rotina, desde a formação do grupo de 6,5 mil pessoas até o “trabalho árduo” de trabalhar com o treinamento intenso de modelos de IA.
As tarefas são descritas como “mecânicas e não criativas“, além de prazos serem curtos demais para atender os objetivos ousados da companhia no setor. Um dos funcionários que conversou com a reportagem original comparou o ritmo e o ambiente de trabalho a um gulag — os campos de trabalho forçado da União Soviética mantidos durante parte do século XX para abrigar criminosos e opositores.
“De repente, você não tem mais propósito na vida, mal interage com alguém, só tem essas tarefas toda semana“, reclamou. Outro funcionário anônimo citou que há descontentamento geral por causa das tarefas e que o trabalho é tido por quase todos como “devastador“.
Impactos da demissão em massa
Para além do trabalho intenso nas divisões de IA, que é a atual área de aposta da empresa, a recente demissão em massa que envolveu cerca de 7,8 mil pessoas foi mal recebida em várias divisões.
Além do método escolhido para o corte, com o anúncio do layoff e a divulgação dos nomes afetados tendo um intervalo de um mês, a demissão teria gerado “trabalho extra e estresse” em setores como engenharia de data centers e até no Instagram.Outro fator que gerou descontentamento foi a iniciativa de monitorar cliques e conteúdos digitados dos usuários para treinar modelos de IA. A ação rendeu um abaixo-assinado de funcionários que pediram o fim da ação, mas ela até agora só teve alguns elementos flexibilizados.Segundo outra fonte, em uma reunião por videochamada, um dos funcionários interrompeu uma apresentação ao vivo para fazer um desabafo repleto de palavrões e, ao ser direcionado para falar com um executivo específico sobre o caso, também ofendeu o superior;
Gerentes reconhecem erros e ambiente difícil
Segundo mensagens vistas pela Wired, o gerente de produto da Meta, Chris Cox, foi um dos executivos que reconheceu a necessidade do time de líderes da marca “entrar em contato novamente com a empresa” e “não ser excessivamente otimista” sobre o poder da IA.
Ainda segundo a matéria, um memorando do cofundador e CEO, Mark Zuckerberg, indica que ele compreende o cenário difícil e promete mudanças, além de ao menos não realizar mais demissões este ano. “Dada a complexidade dessas mudanças, cometemos erros e provavelmente cometeremos mais. Enquanto navegamos por este período, também estou focado em proporcionar o máximo de estabilidade possível daqui para frente”, escreveu.
Ainda assim, uma das propostas de Zuckerberg para melhorar o ambiente também foi considerada de mau gosto: ele sugeriu a realização de uma hackathon dedicada ao campo da IA em julho deste ano, mas várias respostas indicaram a falta de clima e outras prioridades mais urgentes como motivos para cancelar ou não participar do evento.
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