EA Sports UFC 6 agrada com inovações pontuais, mas ainda apanha em erros do passado

EA Sports UFC 6 é o novo game da franquia baseada no maior evento de MMA do mundo. Assim como nas versões anteriores, o jogo busca reproduzir as emoções do evento, trazendo não apenas as principais arenas ao redor do mundo, mas também todo o seu cartel de lutadores, além de estrelas do passado.

Entretanto, o título tem uma missão um tanto árdua: convencer o seu público de que vale a pena investir em um game que não vem inovando faz bastante tempo. E para isso, uma série de novidades foram anunciadas, como um Modo Foco, e até uma campanha com uma história com personagens. Mas será que tudo isso é suficiente? Confira o review completo!

A eterna busca pela jogabilidade perfeita no grappling

Desde que a poderosa EA adquiriu os direitos para a produção dos jogos do UFC, há uma uma espécie de batalha interna para fazer com que um esporte de movimentos tão variados, se encaixe de uma forma realista dentro dos comandos dos joysticks. Mais precisamente o sistema de grappling (luta agarrada ou luta no chão), e suas complexidades.

O sistema já tentou se reinventar diversas vezes. Desde uma espécie de “pique-pega” entre os jogadores, até uma mecânica que premiava quem era mais rápido no controle do que o seu lutador dentro do octógono virtual. Por conta disso, esse sistema de luta no chão sempre foi o calcanhar de Aquiles do game.

Um novo jogo chegou e posso adiantar: o problema não foi resolvido. Entretanto, parece que há uma luz no fim do túnel. Em outras palavras, o game ainda adota um sistema de posicionar o direcional para as funções desejadas, ou seja, para tentar uma finalização, passar a guarda, ou até mesmo levantar. Embora a velocidade com que isso é feito esteja longe do real, não vou entrar nesse ponto, afinal, é um jogo de videogame.

Contra a CPU, dependendo da dificuldade, é possível obter sucesso ao insistir em uma finalização, principalmente diante de um adversário mais exausto ou até mesmo mais ferido pelo decorrer da luta. Porém, quando o adversário é um jogador de verdade, é uma eterna briga de quem é mais rápido no joystick.

E isso acaba sendo injusto até mesmo com os lutadores do game. Por exemplo, em uma luta clássica entre Jon Jones contra Daniel Cormier, o primeiro finalizou com um certa facilidade seu oponente, justamente por estar no controle de um jogador com mais agilidade aos comandos. Algo que dificilmente aconteceria na vida real por conta de se tratar de estilos de luta totalmente opostos.

O jeito é torcer para que a próxima versão do game, ou até mesmo uma atualização nos moldes da franquia EA F1, faça com que um dos maiores diferenciais do esporte seja reproduzido de uma forma satisfatória. Nós, os fãs de MMA, merecemos. 

Trocação continua afiada (e complexa)

Em contrapartida, o sistema de luta em pé, popularmente conhecido como “trocação”, continua sendo a parte mais realista do jogo. A mecânica imposta no game ainda se mantém bem acessível, onde um botão é direcionado para chutes, outro para socos, e por aí vai. Somado a isso, basta movimentar o direcional para uma certa posição para que os mesmos sejam desferidos de maneiras variadas, ou seja, na parte inferior, na altura do tronco, ou na cabeça de seu adversário.

Somada a essa mecânica, houve um trabalho de mapeamento dos movimentos de cada lutador, pelo menos dos mais populares. Ainda pegando Jon Jones como exemplo, as famosas cotoveladas giratórias saem com mais facilidade, assim como os socos fortes e preciso de Alex Poatam. É possível arriscar esses movimentos com outros atletas, mas tanto a força como a precisão não são como os “originais”.

Além disso, agora é possível ativar o Modo Foco durante as lutas, que é uma espécie de “especial” onde o lutador ganha mais precisão e velocidade por um curto momento. Para isso, é preciso encher uma barrinha, que por sua vez vai sendo preenchida à medida com que seus golpes são desferidos de forma certeira no adversário.

Mas, como nem tudo são flores, há também pontos que precisam ser criticados. O principal deles é o delay que ainda existe entre o acionamento do movimento no botão do joystick, e a aplicação do golpe. Mesmo já acostumado com esse problema, ainda sim isso gera um incômodo enorme, principalmente em momentos mais tensos do combate, como uma trocação franca, ou tentativa de nocautear seu oponentes. 

Já outro problema que incomoda bastante, e que darei mais detalhes adiante, é em relação a plasticidade dos movimentos. Por exemplo, por muitas vezes, ao desferir um soco no oponente prestes a cair ou em posição defensiva, o mesmo esbarra em partes do corpo, fazendo com que o golpe saia “torto”. Embora quebre um pouco do realismo, pelo menos na jogabilidade eles não são afetados, ou seja, não perdem intensidade por ter esse contato. Mas a parte visual desliza bastante. 

Visual com altos e baixos

Pegando o gancho do tópico anterior, EA Sports UFC 6 tem seus altos e baixos no que diz respeito aos gráficos. No modo geral, o game impressiona ao levar a ambientação do evento para os videogames. Desde a primeira luta, repleta de animações que replicam cenas que realmente aconteceram no octógono de verdade, até as expressões faciais e ferimentos dos atletas, tudo impressiona demais. E não seria exagero da minha parte dizer que nesse quesito o título é um dos mais realistas já visto entre os games de esporte. 

Outro ponto que ajuda bastante é a reprodução de arenas reais ao redor do mundo, que incluem até mesmo a Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, e palco frequente do evento no Brasil. Entretanto, praticamente todas são recicladas de versões anteriores, e continuam com um número limitado de locais. Confesso que fiquei esperando pela inclusão da Sphere, de Las Vegas, e até mesmo uma reprodução do evento do UFC na Casa Branca, realizado no último domingo (14).

Já a parte negativa, começa com o problema citado anteriormente: a falta de plasticidade dos movimentos. Se na jogabilidade eles não interferem, na parte visual chegam a ser cômicos. A todo momento você vai se deparar com replays que mostram em câmera lenta socos desviando em ombros e outras partes do corpo do seu oponente, ao invés de irem diretamente de encontro ao adversário. Replay esse que também estraga a experiência de alguns movimentos, como cortes no rosto do lutador, que crescem de uma hora para a outra. 

Para completar, EA Sports UFC 6 usa uma mesma estratégia controversa de outros jogos da empresa: privilegiar demais os astros da competição. Em outras palavras, enquanto Alex Poatam, Max Holloway, Jon Jones e outras estrelas do UFC possuem até mesmo suas tatuagens de forma ultra realista, outros lutadores e lutadoras foram criados sem capricho. Um dos maiores exemplos é brasileira Mackenzie Dern, atual campeão e detentora do cinturão do Peso Pena feminino, e que está irreconhecível no game. 

Não sou lutador profissional, mas imagino o quanto deve ser frustrante estar no game oficial do seu esporte, e não terem tido um cuidado maior para reproduzir seu personagem no game. Além disso, se em EA Sports FC há uma “desculpa” de ser um game com um elenco grande demais para tanto cuidado com todos, o mesmo não podemos dizer de EA Sports UFC 6, cujo todo cartel de lutadores não chega nem perto da metade de atletas de qualquer liga de futebol licenciada pela mesma empresa. 

Modos voltados para os fãs do UFC

Em relação aos modos de jogo, a grande novidade dessa versão é o Hall das Lendas. Como o próprio nome sugere, nele você percorre um cenário temático contando a historia de lendas do UFC que estão em atividade. Até o momento, apenas três lutadores aparecem nele: Max Holloway, Alex Poatan Pereira e Zhang Weili, mas me arrisco a dizer que é uma questão de tempo até que outros atletas sejam adicionados. 

Além de funcionar como um museu e mostrar a história de vida de cada um deles, no fim de cada cenário é possível reviver uma luta história e adquirir itens extras, como roupas e acessórios para o Modo Carreira. Entretanto, para os fãs do UFC não há nada tão novo que outros documentários, ou reportagens pré-luta, já tenham mostrado sobre os lutadores. 

EA Sports UFC 6 também conta com um mod0 chamado O Legado. Nele você controla Chris Carter, um lutador cujo pai foi muito famoso, e agora busca criar sua própria trajetória. O enredo clichê traz uma história que envolve rivalidade dentro da própria academia, e ao mesmo tempo mostra a ascensão do protagonista no MMA rumo ao UFC. É uma espécie de filme Sessão da Tarde que agrada, porém, ele simplesmente fica de lado no momento em que você entra no UFC e consegue a sua esperada revanche, sem mais spoillers. 

Ou seja, a história que deveria ter um início e fim fica de lado e acaba sendo uma grande introdução para o Modo Carreira. Já que ao final dela, os elementos de ambos os modos são similares, ou seja, você precisa administrar as suas semanas que antecedem sua próxima luta, escolhendo entre dias de treinamento, ou atividades que aumentarão a sua fama fora do octógono, seja postando em redes sociais, ou até mesmo participando de ações do seu patrocinador.  

Assim como nos jogos anteriores, a parte de treinamento continua sendo um momento para evoluir sua técnicas. Mas rapidamente se torna repetitivo, ao ponto de você querer simular os mesmos treinamento para poupar tempo. O mesmo vale para as ações para ampliar seus seguidores e fazer mais dinheiro. Pelo menos no caso destas não há qualquer animação ou algo que lhe faça gastar horas desnecessárias. 

Já a parte de realismo, essa merece elogios. Principalmente no que diz respeito a acontecimentos no dia a dia da sua carreira. Por exemplo, há sempre um risco de você se machucar em um treinamento mais pesado e acabar ficando de fora de uma luta, obrigando sempre a analisar muito bem o que será feito nas semanas de preparação. o mesmo acontece com seus adversários, cabendo a você escolher um outro oferecido pelo próprio Dana White, e ganhar créditos com o chefão, ou simplesmente desistir e esperar a recuperação do oponente. 

Há também outros elementos, como ajudar a sua academia adquirindo materiais para obras de melhorias, ou simplesmente pagando para ter um bom treinador para um determinado estilo de luta. Estilo esse que casa justamente com seu próprio adversário, ou seja, e a especialidade do oponente for a luta no chão, será oferecido um especialista em grappling para auxiliar. O Modo Carreira bebe da mesma fonte, porém você precisa criar o seu personagem, ou usar um atleta “pronto”, e escolher o estilo dele do zero.

Por fim, há o modo A Academia permite que você treine movimentos específicos para melhorar suas habilidades e ganhar pontos para subir no ranking. A cada novo progresso conquistado, você desbloqueia itens cosméticos para seus personagens no Modo Carreira. Além disso, seus feitos em outras modalidades, como o Luta Rápida, também geram esses pontos de experiência. 

Vale a pena?

EA Sports UFC 6 continua sendo um jogo feito para agradar os fãs de MMA, mais precisamente do universo do UFC. O game acerta em cheio ao replicar a ambientação do evento, tantos nos cenários e caracterização dos principais astros da companhia, e ao trazer novos modos buscando também imitar o dia a dia de lutadores profissionais.

Entretanto, ele ainda apanha ao tentar adaptar a jogabilidade a um nível mais alto de realismo, tornando o game nada acessível para os novatos. Principalmente na luta de chão, que ainda sofre com comandos longe da realidade. Além disso, ele também deixa a desejar na falta de capricho com atletas que não são os astros da atualidade, bugs visuais, e elementos repetitivos nos principais modo de jogo. 

NOTA FINAL: 80

Pontos positivos (Prós): 

Ambientação incrível para os fãs do UFCGráficos realistas de arenas e astros do eventoSistema de treinos e gestão de popularidade do Modo CarreiraPresença das principais arenas do evento

Pontos negativos (Contras):

Sistema de luta no chão ainda é muito irreal e complexoBugs visuaisFalta de capricho com lutadores menos popularesElementos repetitivos no Modo Carreira

Uma cópia do game foi cedida pela Eletronic Arts para review no PS5. E na sua opinião, EA Sports UFC 6 será um dos jogos de esporte do ano? Conte para a gente aqui nos comentários!