
20 jun Quem é dono da CazéTV? Saiba tudo sobre o canal que revolucionou a mídia esportiva no Brasil
Quem liga o YouTube para assistir a um jogo da Copa do Mundo 2026 e se depara com o rosto descontraído de Casimiro Miguel talvez não imagine o tamanho da engrenagem que gira por trás daquela transmissão.
O que parece espontâneo e quase artesanal é, na verdade, um negócio bilionário que sacudiu décadas de hegemonia televisiva no Brasil. Não à toa, a CazéTV quebrou recordes históricos do YouTube durante a Copa do Mundo 2026, consolidando o streaming como protagonista do esporte nacional.
Mas afinal: quem está realmente por trás do canal? A resposta passa por uma agência pouco conhecida do grande público, por fundos de investimento internacionais e por uma história que começou bem antes de Casimiro virar febre na internet.
A CazéTV é o único meio de comunicação a transmitir todos os jogos da Copa 2026 (Imagem: CazéTV).
LiveMode: a empresa que controla a CazéTV
A CazéTV pertence integralmente à LiveMode, empresa fundada pelos sócios Edgar Diniz e Sergio Lopes, dois veteranos do mercado de transmissão esportiva. A holding do grupo está sediada nas Ilhas Cayman, e entre seus acionistas estão, além dos fundadores, executivos sócios, o próprio Casimiro e atletas como Cristiano Ronaldo.
Diniz e Lopes não são novatos nesse mercado. Em 2007, eles já criavam o Esporte Interativo, canal que cresceu apostando no digital quando Globo e Band ainda continuava apostando no modelo de trasmissão tradional. Em 2015, venderam o negócio para a Turner, parte do grupo WarnerBros, e fundaram a LiveMode em 2017, com foco em negociação de direitos esportivos e monetização digital para clubes e federações.
Casimiro, por sua vez, trabalhou no Esporte Interativo desde 2014 e manteve contato com Diniz e Lopes ao longo dos anos. Após virar celebridade na Twitch durante a pandemia, ele foi convidado para integrar o projeto que se tornaria a CazéTV. Hoje, ele é sócio da holding global do grupo e continua sendo o rosto das transmissões.
CazéTV: de acaso a negócio de R$ 2 bilhões
A CazéTV nasceu de uma oportunidade que surgiu às vésperas da Copa do Mundo de 2022. A LiveMode atuava como agência da Fifa no Brasil para vender patrocínios regionais.
Quando a Globo abriu mão dos direitos digitais do torneio em meio a uma renegociação de contratos, a LiveMode enxergou uma brecha e adquiriu o pacote por cerca de US$ 3 milhões, uma pechincha comparada aos US$ 90 milhões anuais que a emissora carioca pagava à Fifa.
O canal foi criado às pressas, estreou no dia do primeiro jogo do Brasil e explodiu: chegou a 6,9 milhões de visualizações simultâneas nas quartas de final.
Para a Copa de 2026, a CazéTV deu um salto ainda maior: é a única emissora brasileira a transmitir todos os 104 jogos do torneio, em parceria com o YouTube.
Globo, SBT e N Sports vão exibir apenas uma parte das partidas. As 11 cotas de patrocínio da Copa foram negociadas em apenas 20 dias, com receita estimada em R$ 2 bilhões.
Para quem quiser participar do clima da Copa, a CazéTV e o iFood lançaram um bolão com R$ 35 milhões em prêmios, mostrando como o canal vai muito além das transmissões.
Quem mais investiu na CazéTV
Em 2024, a LiveMode recebeu aportes minoritários de dois gigantes financeiros: a gestora americana General Atlantic e o fundo de private equity da XP. O mercado estima que os dois investiram juntos cerca de R$ 450 milhões na empresa.
Para a General Atlantic, a LiveMode se encaixa na mesma lógica de outros investimentos em negócios disruptivos no Brasil, como o QuintoAndar e o Wellhub.
A empresa também passou a atuar no coração do futebol brasileiro ao ajudar a estruturar a Futebol Forte União (FFU), bloco de clubes que se opôs à Libra, grupo rival que fechou contrato com a Globo.
A negociação resultou em contratos que somam mais de R$ 8,5 bilhões ao longo de cinco anos, com aumento anual de receitas de aproximadamente 110% para os clubes, segundo a própria LiveMode.
Sergio Lopes, Casimiro Miguel e Edgard Diniz (Imagem: CazéTV).
O modelo verticalizado e o debate sobre conflito de interesses
O que torna a LiveMode diferente de qualquer outro player do mercado é sua atuação nas duas pontas da cadeia: a empresa negocia direitos esportivos como representante de entidades como a Fifa e, ao mesmo tempo, é dona do canal que compra e transmite esses mesmos direitos.
Esse modelo verticalizado levantou questões no mercado sobre potencial conflito de interesses, especialmente entre alguns clubes da FFU. A LiveMode, por sua vez, afirma que todas as estruturas foram apresentadas de forma transparente e aprovadas por unanimidade pelas agremiações.
Independentemente do debate, o impacto na experiência do torcedor é real. O formato irreverente das transmissões, com narradores que mostram suas emoções em janelas ao vivo, comentaristas de fora do universo esportivo e uma interação próxima com atletas, criou uma comunidade fiel, com 80% do público com menos de 44 anos.
Se você ainda está em dúvida sobre qual transmissão tem o menor delay para ver o jogo da Seleção, vale conferir as opções disponíveis.
CazéTV: um fenômeno que veio para ficar
Com 300 funcionários, contratos para transmitir a Copa do Mundo Feminina de 2027 e as Olimpíadas de 2028, a CazéTV deixou de ser uma novidade para se tornar parte do cotidiano esportivo brasileiro.
Para quem quer mergulhar ainda mais no clima do Mundial, até a coleção de itens colecionáveis da Copa do Mundo e até o ChatGPT ganhou uma página especial com conteúdos da Copa 2026, mostrando como o torneio tomou conta de todas as telas.
Casimiro começou no quarto de casa, reagindo a vídeos aleatórios na internet. Hoje, seu rosto é o de um negócio que desafiou décadas de hegemonia televisiva. E, como ele mesmo diz, sempre pode surgir alguém numa garagem pronto para desafiar tudo de novo.
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