
23 jun China ultrapassa EUA e anuncia novo supercomputador mais rápido do mundo
A China é a nova detentora do título de supercomputador mais rápido do mundo, deixando os Estados Unidos para trás. O LineShine, construído pelo Shenzhen Cloud Computing Center, agora ocupa o topo do ranking da categoria mantido pelo site TOP 500.
A versão mais atualizada da lista foi revelada nesta terça-feira (23) e marca também a estreia do supercomputador chinês na avaliação. Ele deixa para trás o estadunidense El Capitan, instalado no Lawrence Livermore National Laboratory, na Califórnia, e líder nos dois últimos anos.
Essa reviravolta adiciona um novo capítulo na rivalidade entre os dois países. EUA e China são as duas nações que mais disputaram nos últimos anos a liderança do TOP 500, junto com um breve domínio do Japão.
As sanções comerciais sofridas pela indústria chinesa de tecnologia em semicondutores, porém, fez com que o país ficasse alguns anos ausente da competição no setor — ela não ocupava a liderança há quase uma década.
Há ainda questões sobre a atual validade da lista: supercomputadores de IA de empresas privadas como a SpaceX não submetem a classificação ao ranking, mas há quem acredite que eles poderiam conquistar posições bastante altas.
Conhecendo o LineShine
O supercomputador LineShine foi revelado oficialmente há cerca de um mês e fica instalado no National Supercomputing Centre (NSCS) em Shenzhen, um dos polos tecnológicos mais importantes da China.
Esse equipamento atinge a marca de 2.198 exaflops/s — ou seja, pode fazer mais de 2 quintilhões de cálculos por segundo. Além de ser o mais rápido, ele também é o primeiro do mundo a ultrapassar a marca dos 2 exaflops;O LineShine também lidera a lista na categoria de desempenho em padrões de aplicações do mundo real com uso intensivo de dados, como cálculos massivos de simulações ambientais e problemas matemáticos complexos. Na prática, ele teve o desempenho de 22,00 HPCG-petaflop/s, enquanto o El Capitan pontuou 17,41 HPCG-petaflop/s;Por dentro, ele roda apenas CPUs em vez de placas de processamento gráfico, cada vez mais adotadas no setor. Aqui, há processadores chineses customizados e uma plataforma conhecida como LingKun. Ela é composta de 13,79 milhões de núcleos, com chips LX2 de 304 núcleos rodando a 1,55 GHz;Para se manter o mais independente possível de empresas ocidentais, todo esse sistema é conectado por uma plataforma proprietária chamada LingQi e gerenciado por um sistema operacional chamado Kylin OS.
Porém, o equipamento não atingiu a pontuação máxima em todos os benchmarks e indicadores. Ao todo, ele consome 42,2 MW de energia elétrica. Embora seja um valor considerado bom para um supercomputador apenas formado por CPUs, isso coloca ele somente na segunda colocação dentro de eficiência energética, atrás justamente do El Capitan.
A chefe de design do LineShine, Lu Yutong (segurando o certificado), ao lado dos organizadores da premiação. (Imagem: National Supercomputing Centre in Shenzhen/Reprodução)
Além disso, no teste HPL-MxP, que simula processos mais parecidos com a computação necessária na indústria de inteligência artificial (IA), o LineShine ficou apenas em quarto lugar da lista. Segundo especialistas consultados pela Reuters, isso provavelmente decorre da oferta limitada de chips de IA enquanto as restrições estiverem em vigor.
Longe da velocidade do líder do ranking, São Paulo também planeja ter um supercomputador de IA para uso público e privado nos próximos anos. Conheça o plano nesta matéria!