
25 jun Cibercriminosos confessam ataque ao metrô de Londres que custou 29 milhões de euros
Thalha Jubair, de 20 anos, e Owen Flowers, de 18 anos, se declararam culpados nesta segunda-feira (22) pelo ataque à rede de transportes de Londres (TfL), em um tribunal britânico. O incidente ocorreu entre 31 de agosto e 3 de setembro de 2024 e causou prejuízos de cerca de 29 milhões de euros. Ambos são membros do grupo criminoso Scattered Spider.
O ataque comprometeu os sistemas internos da TfL de forma tão grave que todos os 28 mil funcionários foram obrigados a comparecer pessoalmente a um escritório da empresa para redefinir suas senhas. Dados do sistema de reembolso do cartão Oyster foram acessados e o sistema de atendimento ao cliente ficou fora do ar, deixando passageiros sem reembolso por mais tempo do que o normal. O serviço de emissão de fotocartões para crianças e jovens também foi suspenso.
Como a investigação descobriu os responsáveis
Flowers foi preso pela primeira vez em 6 de setembro de 2024, poucos dias depois do ataque. Na busca feita em sua casa, agentes da Agência Nacional do Crime do Reino Unido (NCA) encontraram laptops, computadores, HDs e pen drives.

Um dos laptops continha uma captura de tela mostrando conexão com a infraestrutura da TfL. O mesmo equipamento guardava vídeos gravados pelo próprio Flowers, nos quais aparecia Jubair acessando os sistemas da empresa durante o ataque. Os dois se comunicavam pelo Telegram e por uma plataforma colaborativa online enquanto invadiam a rede.
Os investigadores também descobriram que Flowers havia acessado uma ferramenta online que vendia credenciais roubadas. Basicamente, um mercado ilegal onde hackers compram e vendem nomes de usuário e senhas obtidos em vazamentos anteriores.
Jubair foi preso em setembro de 2024. Além do ataque à TfL, as investigações identificaram que Flowers também havia acessado redes de duas empresas de saúde nos Estados Unidos, a SSM Health Care Corporation e a Sutter Health.

O que é o Scattered Spider
O Scattered Spider é um grupo criminoso especializado em engenharia social, técnica que manipula pessoas para obter acesso a sistemas protegidos, sem necessariamente explorar falhas técnicas. O grupo também é chamado de Oktapus, UNC3944 e Muddled Libra.
O nome Oktapus vem da plataforma de autenticação Okta, muito usada por empresas para gerenciar o login de funcionários em diferentes serviços como Slack, Google Workspace e Salesforce. Os criminosos se especializaram em imitar páginas de login dessas plataformas para enganar funcionários e roubar suas credenciais.
Entre os alvos anteriores do grupo estão a rede de cassinos MGM Resorts, a Caesars Entertainment, a Riot Games, o Reddit, a Coinbase e o serviço de entrega DoorDash. Em 2024, o grupo também teria direcionado ataques a empresas de aviação no Canadá.

Condenações anteriores e investigações em andamento
Em janeiro de 2024, Noah Michael Urban, de 20 anos e um dos líderes do grupo, foi preso nos Estados Unidos. Em 2025, ele foi condenado a dez anos de prisão e obrigado a pagar quase US$ 13 milhões em restituição às vítimas.
Urban usava o método de SIM swapping, que basicamente consiste em transferir o número de telefone da vítima para um chip controlado pelo criminoso, dando ao atacante acesso a mensagens SMS e ligações, o que permite burlar a autenticação em dois fatores.
Jubair também responde a acusações nos Estados Unidos relacionadas a pelo menos 120 invasões de rede e extorsão contra 47 empresas americanas entre maio de 2022 e setembro de 2025. O prejuízo total estimado é de US$ 115 milhões. Se condenado, pode pegar até 95 anos de prisão.

O julgamento
Os dois réus estavam programados para ser julgados no Tribunal da Coroa de Woolwich nesta segunda. Porém, mudaram suas declarações para culpado logo no primeiro dia. A sentença está marcada para 16 de julho.
A NCA afirmou que o caso reforça a ameaça crescente de grupos criminosos de língua inglesa no ciberespaço e pediu que empresas vítimas de ataques comuniquem os incidentes às autoridades o mais rápido possível.
Acompanhe o TecMundo nas redes sociais. Inscreva-se em nossa newsletter e canal do YouTube.