
27 jun Logitech ‘dribla’ crise e tem crescimento impulsionado por linhas de ponta
A Logitech, uma das principais empresas de periféricos, tem conseguido “driblar” a crise atual de memórias enfrentada pela indústria. No ano fiscal de 2026, a empresa registrou US$ 4,84 bilhões (+6%) em vendas, enquanto a operação no Brasil “apresenta um crescimento consistente de dois dígitos”.
A informação partiu de Hanneke Faber, CEO da Logitech. Em entrevista ao TecMundo, a executiva afirma que o Brasil é “uma de nossas principais prioridades”, sem revelar números específicos da operação local. “O país combina uma enorme base de consumidores conectados, um crescimento robusto do e-commerce, adoção acelerada de IA e, claro, um dos maiores ecossistemas de jogos do mundo”, afirma.
Faber assumiu a chefia da Logitech há pouco mais de dois anos e tem feito fortes apostas. Ao fim de 2023, a Logitech passava por reestruturações e vinha apresentando resultados abaixo do esperado em oito trimestres consecutivos. Para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, a empresa projeta crescimento de até 6% em vendas (cerca de US$ 1,21 bilhão).
“Realizamos um processo de construção estratégica, alinhando equipes globais e locais, o que resultou em uma forte inovação: mais de 40 produtos lançados anualmente, incluindo destaques como o MX Master 4, o K980 Solar+, novos headsets corporativos e o mouse PRO X2 Superstrike” diz.
Sobre a atual crise, a executiva diz que a empresa tem “monitorado as mudanças” e resume a estratégia para conter os preços: “cadeia de suprimentos diversificada, produção distribuída por vários países, redução contínua da dependência de manufatura concentrada e forte poder de precificação devido à força da marca e à qualidade do produto”.
Mouses e teclados com IA?
A projeção de Faber cita que um dos pilares da empresa inclui “aumentar nossa relevância em IA”. Ela ressalta o uso de Edge AI “incorporada nos dispositivos, melhorando áudio, vídeo e análises”; cerca de “mais de mil agentes criados para automatizar processos e acelerar decisões” e também o uso do Options+, aplicativo para consumidores.
O software da empresa traz uma função chamada Smart Actions, que permite automatizar funções com poucos cliques, por exemplo. Em maio, entretanto, a companhia descontinuou o “Logi AI Prompt Builder” (que ajudava a criar prompts para chatbots de IA) com base no feedback dos usuários.

- Diversas empresas têm feito demissões justificadas pelo aumento do uso de tecnologias de IA;
- A Meta é um exemplo: após realizar cerca de 8 mil demissões em 2026, a empresa lida agora com um ambiente de trabalho desafiador;
- A executiva indica, porém, que a Logitech não deve partir desse princípio em sua estratégia.
“A IA não substitui os humanos — ela os aumenta. Acreditamos que haverá uma colaboração cada vez maior entre pessoas e agentes de IA […] A IA é uma força que expande a capacidade humana, e estamos investindo para tornar essa transição positiva tanto para colaboradores quanto para clientes”, cita Faber.
Novo Logitech G Cloud?
O portfólio atual da Logitech conta com o mouse MX Master 4, “um dos lançamentos mais importantes do ano”, segundo Faber. Entre as melhorias ele conta com feedback háptico e o Actions Ring, que também permite acionar alguma IA rapidamente. Esse modelo, inclusive, foi citado em um relatório fiscal da empresa como um dos seus impulsionadores de receita.
- Mais recentemente, a companhia revelou o Logitech Muse, uma caneta para ser utilizada com o headset de realidade mista (MX) Apple Vision Pro;
- Além desse acessório, há também a MX Ink, que é compatível com o Meta Quest.
Por outro lado, algumas outras apostas da empresa parecem ter “esfriado”. Lançado em 2022, o Logitech G Cloud segue sem previsão de ganhar um sucessor, mas Faber afirma que a empresa aprendeu “muito com a nossa entrada no cloud gaming”.