
27 jun Mensagens para Isabelle: Vale a pena assistir ao novo filme da Netflix?
Normalmente não tenho o hábito de assistir a filmes e séries que estão hypadas. Gosto de esperar um pouco a “poeira baixar” para então conhecer a história. Mas, após ler alguns comentários apaixonados nas redes sociais sobre Mensagens para Isabelle (Voicemails for Isabelle), filme que acabou de chegar à Netflix, confesso que deixei a minha curiosidade falar mais alto e dei o play para conferir se a obra era tudo aquilo que as pessoas estavam falando. E assim, embora tenha um bom plano de fundo, a produção estrelada por Nick Robinson (Com Amor, Simon e Jurassic World) e Zoey Deutch (Plano Imperfeito e Antes que Eu Vá) não conseguiu me emocionar tanto.
Mas, antes que você pense que tenho o coração gelado, preciso dizer que gostei muito do filme. Achei a protagonista carismática, a fotografia muito bonita e a trilha sonora maravilhosa, sem falar das referências a obras da literatura presentes na história e do humor levemente ácido em algumas cenas. Também não acho que o problema de Mensagens para Isabelle seja o fato de possuir uma narrativa clichê, mas sim que, para uma história que promete uma alta carga emocional, ela peca justamente pela superficialidade na construção do relacionamento dos protagonistas.
O belo vínculo entre as irmãs e o retrato do luto
Jill (Zoey Deutch) e sua irmã Isabelle (Ciara Bravo) têm uma relação lindíssima. Izzy tem fibrose cística, uma doença genética que atinge os pulmões, e, por conta de sua saúde frágil, encontra nas histórias da irmã mais velha uma janela para um mundo cheio de aventuras. O vínculo entre as duas é, sem dúvidas, o ponto alto do filme e o que de fato me emocionou.

O roteiro foi muito assertivo ao mostrar que o luto não é algo com data de validade. Ele se manifesta de forma diferente para cada pessoa e, por isso, cada indivíduo lida de maneiras distintas com a dor da partida de quem ama.
Jill encontrou conforto ao ouvir as gravações que a irmã tinha lhe enviado, ao mesmo tempo em que continuou compartilhando os sabores e dissabores de sua vida com Izzy através de mensagens de voz para o antigo número da jovem falecida. Por um acaso do destino, essa linha telefônica foi parar nas mãos de Wes (Nick Robinson).
O dilema ético e a invasão de privacidade que o romance deixa de lado
Particularmente, eu adoro histórias que usam a troca de cartas ou mensagens como elemento narrativo e, até certo ponto, isso funcionou bem aqui. Jill é uma personagem divertidíssima e é muito fácil se reconhecer nela quando se é uma mulher adulta buscando conquistar objetivos profissionais, enquanto tenta equilibrar uma vida pessoal um tanto caótica.
As mensagens que Jill envia para Izzy, mesmo após a partida da irmã, são íntimas, e fica claro que são a forma que ela encontrou de buscar um conforto em meio à dor. E talvez justamente por isso Wes tenha se interessado por ela antes mesmo de conhecê-la. Não nego que em alguns momentos isso me deixou um pouco desconfortável pois, embora seja um recurso narrativo, ele também esbarra na questão da privacidade, deixando a pergunta no ar: até que ponto Wes foi ético ao ouvir as mensagens que Jill enviava para a irmã?

E é aqui que entra a parte que não me agradou tanto em Mensagens para Isabelle. No meu ponto de vista, o enredo pecou justamente no desenvolvimento do Wes. É visível que ele tem uma personalidade ambígua e que há alguma coisa mal resolvida em seu passado. Só que isso, em nenhum momento, é aprofundado na história. Afinal, qual é o passado de Wes?
Fica muito subentendido nas entrelinhas que as questões emocionais do personagem têm alguma relação com sua mãe, entretanto, não há um desenvolvimento real do protagonista, passando a sensação de que ele é apenas um cara um pouco “problemático” e charmoso. Ou seja: o clichê dos clichês de todo filme com uma pegada de drama e comédia romântica.
Personagens secundários fracos e falta de profundidade
Outro ponto é que senti que tudo acontece rápido demais. Os personagens secundários como Breeda (Leah McKendrick) e Andy (Harry Shum Jr.) desempenham um papel interessante no arco do Wes, mas o núcleo da Jill é composto de personagens que, sinceramente, não agregam em nada à história. O tempo de tela deles poderia ter sido melhor utilizado tanto para mostrar como a Jill e a família estavam passando pelo luto quanto, principalmente, para desenvolver o romance do casal protagonista.
Entendo que talvez a ideia do roteiro era deixar as coisas mais leves, por assim dizer, mas, pelo menos no meu caso, tanto a participação de Tyler (Toby Sandeman) quanto a de Scott (Spencer Lord) só serviram para criar sequências cômicas que, infelizmente, não funcionaram tão bem.
Um final clichê, mas que aquece o coração
O final, como todo bom romance deixa o nosso coração quentinho e é impossível não assistir às cenas finais (que contam com um easter egg) com um sorriso no rosto. É lindo ver a Jill se despedindo de Izzy com uma última mensagem, mostrando que o ciclo mais doloroso do luto encontrou um fechamento, assim como é gratificante ver que a personagem teve coragem de correr atrás de seus sonhos profissionais. O Wes, no final, acaba se redimindo, e achei muito bonita a conversa dele com a Izzy, meio que pedindo a bênção dela.

Mensagens para Isabelle cumpre bem o papel de ser um filme leve e despretensioso, mas pode deixar a desejar para quem busca histórias mais profundas e com personagens mais marcantes. Gostei do que vi, mas, ao contrário de muitos, não derramei uma única lágrima — e olha que eu choro assistindo a comerciais de TV!
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