
01 jul Fundador de empresa de IA diz quais habilidades devem resistir à automação
O avanço da inteligência artificial (IA) tem aumentado as preocupações sobre a substituição de empregos, mas, para o fundador da empresa de IA Cognitiv, Jeremy Fain, a principal questão não é quais profissões desaparecerão, e sim quais habilidades continuarão sendo valorizadas pelas empresas. Em artigo publicado pela Fortune nesta quarta-feira, 1º, o executivo defende que profissionais capazes de aprender rapidamente, se adaptar às mudanças e atuar em diferentes áreas terão mais chances de se manter competitivos no mercado de trabalho.
Segundo o fundador da Cognitiv, a transformação provocada pela IA segue um padrão observado em outras revoluções tecnológicas. Ele afirma que, sempre que uma tecnologia reduz o custo de executar determinada atividade, as empresas passam a fazer mais desse trabalho, e não menos.
Como exemplo, cita a popularização das planilhas eletrônicas, que ampliou a capacidade de análise das áreas financeiras, e a computação em nuvem, que tornou o desenvolvimento de software mais barato e incentivou a criação de mais produtos digitais.

Novas funções devem surgir
Fain lembra que fundou a Cognitiv em 2015, antes da popularização da IA generativa, quando a empresa precisou contratar pessoas para funções que sequer possuíam descrições consolidadas no mercado. De acordo com ele, as melhores contratações foram de profissionais que demonstravam facilidade para aprender, conseguiam lidar com mudanças constantes e combinavam conhecimentos de diferentes áreas, em vez de depender apenas de uma especialização técnica.
Na avaliação dele a IA eliminará parte dos empregos atuais, mas também criará novas categorias profissionais. Por isso, ele argumenta que aprofundar-se apenas em uma especialidade pode não ser a estratégia mais segura para quem está iniciando a carreira. Como exemplo, relata o caso de um jovem que orientou e que, após concluir uma dupla graduação em arte e ciência da computação, foi contratado pela Tencent para trabalhar no jogo League of Legends. Segundo ele, a combinação entre criatividade e conhecimento técnico tornou o profissional mais competitivo do que colegas formados apenas em ciência da computação.
O executivo também aponta que existem atividades nas quais a confiança construída entre pessoas continua sendo um diferencial difícil de substituir pela IA. Entre elas, cita vendas corporativas e negociações entre empresas (B2B), nas quais o relacionamento é desenvolvido ao longo do tempo e depende da credibilidade do profissional para resolver problemas, cumprir prazos e manter a confiança dos clientes.
Para Fain, as empresas continuarão buscando profissionais capazes de transitar entre diferentes áreas do conhecimento, resolver problemas em ambientes de incerteza e se comunicar com clareza durante períodos de transformação. Segundo ele, essas competências são desenvolvidas ao longo da carreira e, por enquanto, permanecem entre os principais diferenciais competitivos em um mercado de trabalho cada vez mais influenciado pela IA.