UE e Apple retomam diálogo após disputa sobre Siri e regras de IA

A Comissão Europeia afirmou nesta quarta-feira, 1º, que teve uma conversa “construtiva” com o CEO da Apple, Tim Cook, em meio ao impasse entre a empresa e a União Europeia sobre o lançamento de novos recursos de inteligência artificial (IA) da assistente virtual Siri. Segundo a Comissão, a ligação ocorreu nesta semana e tratou de temas de interesse comum relacionados à regulamentação do setor de tecnologia.

De acordo com um porta-voz da Comissão Europeia, a conversa foi realizada entre Tim Cook e a vice-presidente executiva da Comissão para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen. “Podemos confirmar que a chamada entre o Vice-Presidente Executivo Virkkunen e Tim Cook ocorreu. Foi uma troca construtiva sobre temas de interesse comum, nos quais o trabalho continua”, informou o porta-voz em comunicado.

O diálogo acontece semanas após Apple e reguladores europeus trocarem críticas sobre a ausência da versão atualizada da Siri nos iPhones e iPads vendidos na União Europeia. A empresa afirma que as exigências da Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês) impediram o lançamento inicial da assistente com novos recursos de IA no bloco e criticou a Comissão Europeia por, segundo a companhia, não dialogar de forma construtiva para preservar a privacidade e a segurança dos usuários.

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A Comissão Europeia, por outro lado, atribui a responsabilidade à Apple. Segundo o órgão, a empresa ainda não desenvolveu a interoperabilidade necessária para atender aos padrões previstos pela legislação europeia. A DMA foi criada para limitar o poder das grandes empresas de tecnologia, ampliar a concorrência e oferecer mais opções aos consumidores. O descumprimento das regras pode resultar em multas de até 10% do faturamento anual global de uma empresa.

Regulação amplia tensão entre Apple e UE

Além da Siri, a Apple informou que precisou adiar outros recursos para os usuários da União Europeia em razão das exigências da legislação. Entre eles estão o espelhamento do iPhone no Mac, a tradução ao vivo com os AirPods e funcionalidades baseadas em localização no aplicativo Mapas. A empresa sustenta que as adaptações exigidas pela regulamentação europeia atrasaram a disponibilização dessas ferramentas.

O impasse ocorre em um momento de tensão entre a União Europeia e os EUA sobre a regulação das grandes empresas de tecnologia. As regras adotadas pelo bloco europeu têm sido alvo de críticas do presidente americano, Donald Trump, que afirma que a legislação e as multas impostas pela UE prejudicam empresas americanas. Segundo a Reuters, a Europa respondeu por quase 27% das vendas globais da Apple no último ano fiscal, embora a companhia não divulgue separadamente os resultados obtidos apenas nos países da União Europeia.