
06 ago Erro do Departamento de Justiça dos EUA expôs dados de vítimas do caso Epstein
Dados de vítimas da rede de exploração sexual liderada pelo financista Jeffrey Epstein foram expostos após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) divulgar documentos do caso sem anonimizar informações sensíveis. É o que revelou uma investigação da DW publicada na última semana.
Segundo a reportagem, partes das centenas de milhares de documentos relacionados ao caso foram divulgadas com falhas no processo de proteção de dados, contrariando promessas feitas por autoridades americanas. Questionado, o órgão atribuiu a exposição a um “erro humano ou técnico” e afirmou ter iniciado auditoria para investigar condutas irregulares.
Erro na ocultação de dados
Em cumprimento à legislação que determinou a divulgação dos documentos do caso Epstein, os arquivos de texto e áudios deveriam ter passado por um rigoroso processo de ocultação de dados. Mas de acordo com a publicação, isso ocorreu parcialmente, deixando muitas informações visíveis.
Na análise de milhares de arquivos divulgados pelo DOJ, a DW identificou dados como:
- Nomes completos de sobreviventes expostos em partes dos documentos;
- Datas de nascimento;
- Endereços de email e endereços residenciais;
- Números de telefone;
- Documentos de identificação, incluindo uma carteira de motorista;
- Mais informações que possibilitam identificar diretamente as vítimas, testemunhas e informantes que prestaram depoimento à justiça.

Conforme os investigadores, a exposição pode estar relacionada à existência de versões duplicadas de vários documentos. Durante o trabalho, eles encontraram as informações corretamente ocultadas em uma das cópias e expostas na outra, sugerindo inconsistências na revisão dos arquivos antes da publicação.
O método utilizado para a comparação dos documentos foi a geração de códigos únicos para cada arquivo (hash). Dessa forma, a apuração conseguiu verificar que mais de 500 mil arquivos haviam sido excluídos entre o início da divulgação e o momento em que a reportagem fez a coleta, além de identificar alterações.
Danos irreparáveis
Com a disponibilidade dos arquivos em plataformas abertas e no site do DOJ, as pessoas que tiveram os dados expostos relataram ter recebido ameaças e passado por casos de assédio e humilhação. De acordo com uma das sobreviventes, o erro do Departamento causou danos irreparáveis.
“Enquanto os ricos e poderosos permanecem protegidos por informações censuradas, meu nome foi exposto ao mundo. As provas estão aqui, mas aqueles que detêm o poder preferem que morramos socialmente, emocionalmente e fisicamente a admitir a sua própria cumplicidade”, acrescentou.
Apresentada em julho, a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein II permitirá que sobreviventes de abuso sexual e os governos de estados americanos processem o DOJ por não cumprimento das regras definidas pela lei original. Uma das violações mencionadas é a garantia da proteção de dados das vítimas.
Vale destacar que as falhas na ocultação das informações sensíveis foram identificadas pela investigação depois de o DOJ informar que removeria os documentos e aplicaria mais medidas de proteção.
Siga no TecMundo e relembre os magnatas da tecnologias ligados ao caso Epstein.