
06 ago IPO da SpaceX cria nova leva de milionários e amplia desafio tributário
Uma análise publicada na última quarta-feira, 5, pela revista Fortune aponta que a abertura de capital da SpaceX criou uma nova classe de milionários entre seus funcionários, mas também inaugurou uma série de desafios ligados à venda das ações, ao pagamento de impostos e ao planejamento patrimonial. Segundo a contadora pública certificada (CPA) e especialista tributária Anastasia Atamanchuk, da Gursey Schneider, o principal desafio agora é administrar a riqueza em meio à forte volatilidade dos papéis e às restrições para negociação.
A SpaceX estreou na bolsa em 12 de junho, com ações precificadas em US$ 135, avaliação de cerca de US$ 1,8 trilhão. No primeiro dia de negociações, os papéis encerraram próximos de US$ 161, elevando o valor de mercado para mais de US$ 2,1 trilhões. Quatro dias depois, atingiram o pico de US$ 225,64, mas, cerca de sete semanas após o IPO, passaram a ser negociados abaixo de US$ 110, eliminando mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde a máxima.
A especialista destaca que muitos funcionários não puderam aproveitar a valorização inicial porque as ações continuam sujeitas a um cronograma de liberação escalonado. Diferentemente dos tradicionais períodos de bloqueio de 180 dias após um IPO, a SpaceX definiu liberações em etapas.
Parte das ações poderá ser negociada após a divulgação dos resultados do segundo trimestre, outras parcelas serão liberadas ao longo do segundo semestre de 2026, enquanto o principal período de bloqueio termina em dezembro de 2026. Já algumas participações, incluindo as de Elon Musk, permanecerão restritas até junho de 2027.

Planejamento financeiro
No artigo, Atamanchuk afirma que o foco dos funcionários não deve ser apenas decidir entre vender ou manter as ações. “O calendário, e não o preço das ações, tornou-se o recurso escasso”, escreveu a especialista, ao destacar que o momento da venda pode ter impacto significativo sobre impostos, fluxo de caixa e preservação do patrimônio.
Segundo a especialista, a queda recente das ações também pode ajudar funcionários a pagar menos impostos em algumas operações. Ela explica que transferir ações para herdeiros ou para fundos criados para administrar patrimônio enquanto os papéis estão mais baratos pode reduzir o valor dos impostos sobre heranças e doações no futuro. Além disso, funcionários que receberam opções para comprar ações da empresa também podem pagar menos impostos se exercerem esse direito quando o preço dos papéis está mais baixo.
A especialista também ressalta que a data da venda pode alterar a carga tributária. Uma operação realizada em dezembro de 2026 ou em janeiro de 2027, por exemplo, pertence a anos fiscais diferentes e pode oferecer maior flexibilidade para o planejamento financeiro.
Ela acrescenta que funcionários antigos da SpaceX devem verificar se suas ações se enquadram nos benefícios fiscais destinados a participações emitidas quando a empresa ainda era uma startup, o que pode representar economia de milhões de dólares em ganhos de capital.
Ao concluir a análise, Atamanchuk afirma que não existe uma estratégia única para todos os investidores e propõe uma reflexão antes de qualquer decisão. “Se toda essa fortuna já estivesse disponível em dinheiro vivo hoje, quanto você investiria na SpaceX?”, questiona. Para ela, a resposta deve orientar decisões sobre venda, diversificação dos investimentos e preservação da riqueza no longo prazo.